The Surge 2 - Análise - Desmembrar e destruir

Explorando tecnologia letal.

Dois anos após o lançamento de The Surge, os alemães da Deck 13 Interactive regressam com a sequela, voltando ao futuro distópico numa aventura de ficção científica que reencontra as coordenadas do género "soulsborne". Três jogos e cinco anos depois, parece que a Deck 13 está mais calejada num género que não começou de forma propriamente bombástica. Quem não está recordado dos bugs e limitações de Lords of the Fallen, apesar das monstruosas batalhas? Sim, o jogo não foi um êxito completo, mas a partir desse primeiro desenvolvimento ficaram as portas escancaradas para uma via de sucesso. Só podiam melhorar.

The Surge 2 é agora um jogo muito mais à imagem e intenções delineadas no original. Um jogo que prima por consistência e solidez, amplitude das áreas, sistema de combate e inimigos avassaladores. Em síntese, parece que o estúdio alemão desencantou a sua fórmula de sucesso, aprendendo com o que de menos bom acontecera e arvorando um sistema de combate desafiante que, não apontando para os níveis de frustração e dificuldade exagerada dos primeiros, possibilita uma evolução bem mais equilibrada e aprazível. Sobretudo permite que o jogador possa desfrutar desta aventura com outro ânimo.

"Um jogo que prima por consistência e solidez, amplitude das áreas, sistema de combate e inimigos avassaladores"

Isto não significa uma simplificação da formula. Pelo contrário. The Surge 2 é um jogo mais apurado. É imprescindível dominar a personagem, a árvore de golpes e trabalhar nas habilidades à medida que detectamos as fraquezas e pontos fracos do adversário. Nada é entregue ou está simplificado. Se quisermos, há um grau de complexidade que se mantém mas é sobretudo o equilíbrio e a evolução, o refinamento deste modo de combate articulado que melhora a experiência.

Um regresso esperado

Num futuro distópico marcado pela quase erradicação da raça humana, os sobreviventes confrontam as suas limitações. Há uma ameaça letal neste plot demarcado por avanços pouco concertados da ciência. Ascendem as máquinas e os drones atacam qualquer humano colhido pelo seu olho letal. Os primeiros passos de fuga de um hospital-prisão em chama da nossa personagem, editada momentos antes, correspondem a um breve "tutorial" que sucede ao derrube de um avião sobre a cidade Jericho e que nos lançou para uma cama.

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A personalização do exo suit é significativa.

Neste regresso esperado, a nota dominante é a amplitude das áreas. Existem vários percursos disponíveis por entre os escombros. Mas há que ter em conta as sentinelas, a artilharia fixa e desejosa de limpar todos os alvos em movimento sob o seu alcance. A escolha não é tão óbvia. Há nuances e diferentes trilhos conduzem a diferentes ameaças. Sobretudo é este reforço do território enquanto espaço vital. Cercados por vários inimigos paira o espectro da fatalidade, embora não tenha que ser assim.

A maior dificuldade são os pontos de controlo. Fortificações erguidas entre protecções e sentinelas que tendem a bloquear o acesso. Ponto relevante nesta fase é o processamento em termos gráficos. Há muitos elementos em acção, uma forte concorrência de alvos em movimento e nem por isso se avolumam as dificuldades. Por cima criaturas esculturais tendem a tomar de assalto o espaço, ainda que e só a título de passagem, o que nalguns momentos funciona como alívio. Mas lá teremos que as defrontar. Não há como fugir.

Máquina de guerra

Parte do sucesso de The Surge 2 explica-se pela ligeireza, simplicidade e sentido táctico do combate. Torna-se numa arte ao fim de algum tempo, executar combinações numa aprazível simplicidade. Explorar as fragilidades do adversário anulando-lhe os pontos fracos ou esmagando as suas defesas primeiro para culminar num ataque letal depois é parte da receita para seguir em frente. Boa porção do sistema de combate é herdado do jogo anterior. É possível atacar um membro ou uma defesa do oponente. Isto realiza-se com bastante agilidade, o que torna os confrontos bastante intensos quando defrontamos inimigos poderosos.

O importante é conseguir uma boa gestão entre resistência e combinação de ataques. Torná-los mais efectivos, optimizando as oportunidades de ataque e defendendo quando é preciso. Sobretudo o destaque neste sistema vai para a agilidade e sentido táctico. Os adversários recheados de defesas são os maiores obstáculos. O drone dá uma ajuda quando estamos perante uma situação mais apertada. Dispara e ainda aprisiona os inimigos graças a uma poderosa corrente, mas estes ataques são limitados e só em condições específicas podem ser activados, pelo que não é eterno o seu uso. No entanto, é bom lembrar que este sistema está agora mais aperfeiçoado e não é tão repetitivo no tipo de ataques a promover.

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O combate é fluído e dotado de um forte sentido táctico.

O nosso "exo suit" pode ser melhorado através de uma série de núcleos disponíveis. Além disso, a personalização das armas através de um processo de "crafting" permite-nos adoptar um equipamento mais confortável ao nosso estilo de combate. Se forem do tipo "melee" terão soluções para isso, enquanto que poderão alternativamente explorar soluções de ataque à distância. O procedimento é simples, através das peças retiradas dos inimigos, poderão juntá-las e criar algo mais, "loot all the way". Isto tanto vale para a defesa como para o ataque. Não obstante as alternativas fornecidas, ao cabo de algum tempo aplica-se quase sempre a mesma solução, o que torna o combate mais repetitivo, variando apenas a dificuldade dos adversários. Porém, o procedimento é o mesmo.

Um jogo mais equilibrado

De um modo geral, The Surge 2 é mais gratificante. Embora tenhamos batalhas e confrontos de grande magnitude e dificuldade, não parece resvalar para o campo da frustração, mesmo quanto a tela televisiva se preenche quase totalmente de uma ameaça. Deixamos de morrer porque sim para perdermos por alguma falha na gestão das combinações ofensivas e defensivas. Não é um jogo de acção arcada, o sentido táctico e sobretudo a gestão da resistência são cruciais. É importante articular estes limites com os pontos onde é possível restabelecer a saúde, dispersos pelo cenário dentro de margens de intervalo bastante aceitáveis. Claro que voltarão atrás morrendo, bem atrás, mas as hipóteses de sobreviverem restaurando a saúde até ao próximo ponto de "reabastecimento" são significativas.

Explorar a cidade Jericho, por ligação às missões secundárias ou simplesmente tentando perceber melhor a história, que embora não sendo dos melhores guiões de ficção científica que já vimos, acaba por cumprir razoavelmente, tem os seus benefícios. Há lojas onde podemos adquirir mais equipamento e componentes de personalização de armas. A vertente multiplayer permite desenhar grafitis para outros jogadores. A cidade não é tão vazia ou despida de elementos de interacção como no anterior, o que torna mais interessante o convite à exploração.

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Encontros com npc's e decisões a tomar podem afectar o rumo da história.

Apesar do bom trabalho em termos gráficos, é na arte futurista que The Surge 2 mais consegue impressionar e se distinguir facilmente da grande maioria de propostas, os jogos da fantasia medieval. Faz tempo que não víamos um quadro tão limpo, futurista e distópico nestes moldes. Porém, pequenos detalhes técnicos tornam mais difícil uma execução imaculada. Ainda são visíveis algumas falhas nas animações, mesmo que a acção decorra de forma bastante fluída. Por vezes a perspectiva não é a melhor, deslocando-se para pontos que tornam mais complicado o acompanhamento do combate (quando há uma série de detritos à volta) e, além disso, ocorre alguma repetição no estabelecimento das áreas.

"É na arte futurista que The Surge 2 mais consegue impressionar e se distinguir facilmente da grande maioria de propostas"

Embora não seja um jogo perfeito, são mais os pontos positivos que os desapontamentos, desde logo a aproximação à materialização das ideias com que a produtora trabalhou é talvez o ponto primeiro a salientar. The Surge 2 consegue ser mais envolvente e intenso nos combates que o jogo predecessor, através de soluções que optimizam e agilizam o combate, privilegiando uma dificuldade equilibrada. Há nesta produção mais divertimento e engenho que frustração, mesmo que sobrem arestas por limar. Com mais tempo, e eventualmente recursos, ainda poderia ser um jogo melhor. Mas não é nada de se deitar fora, antes pelo contrário. Se procuram um "soulsborne" futurista, vale a pena embrenharem-se neste jogo.

Prós: Contras:
  • Sistema de combate melhorado
  • Personalização do exo suit
  • Áreas extensas contemplam múltiplos trajectos
  • Decisões afectam o rumo da história
  • Combates intensos
  • Áreas tornam-se repetitivas
  • Guião não é o mais entusiasmante
  • Alguns problemas de câmara

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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