Nintendo Switch Lite torna mais fascinante a portabilidade

O lado mais apelativo da Switch tornou-se mais charmoso.

Em 2017, a Nintendo Switch chegou para surpreender com um conceito híbrido, graças aos seus Joy-Cons amovíveis, HD rumble e mais do que tudo, com a entusiasmante possibilidade de tirar a consola da dock (usada para a ligar à TV) e jogar títulos de uma envergadura inesperada em formato portátil. Agora, em 2019, a Nintendo decidiu expandir a sua linha Switch ao apresentar uma versão exclusivamente portátil, a Lite. Apesar da popularidade incontestável e dos inúmeros jogos que nos maravilharam ao longo destes anos, a ideia que a Switch funcionava melhor enquanto portátil predominou aqui no Eurogamer Portugal. A julgar pelos inúmeros relatos de jogadores que glorificaram a sua portabilidade como um factor que transformou a forma como consumiam videojogos, estamos longe de ser os únicos.

Após mais de dois anos a usar a Switch principalmente como uma portátil, ocasionalmente colocada na dock para jogos de maior magnitude ou usada em modo de superfície estável para sessões em que partilhamos o Joy-con com outra pessoa, o anúncio desta versão Lite foi recebido com particular entusiasmo. De diversas formas, esta nova versão é uma resposta a algumas das queixas que o Jorge Loureiro apresentou na nossa análise ao modelo original e preenche muitos desejos pendentes. No entanto, só quando tivemos a oportunidade de pegar na Lite é que tivemos uma perfeita ideia do quanto engrandece o factor portátil da Switch.

A Lite é surpreendentemente pequena, adorável e charmosa, deixa-te rendido quase de imediato. Para quem sempre viu a Switch como uma portátil, com o extra de a poder ligar à TV, é uma optimização dessa postura. Além do tamanho, o peso é sem dúvida um dos seus grandes trunfos, é mesmo muito leve e dificilmente a sentirás nas mãos. Os trunfos da Lite são muitos. A Nintendo conseguiu tornar a consola mais ergonómica nesta sua missão de criar uma miniatura da Switch. Tira um Joy-Con à Switch matriz e terás uma ideia do cumprimento da consola, mas a ergonomia também merece elogios. Para testar a maior ergonomia da Lite, usámos dois jogos em particular que nos mostraram os talentos desta Lite como uma portátil: Mario Kart 8 Deluxe e Dragon Ball FighterZ.

Mais leve e confortável, com um D-Pad que faz a diferença

Apesar do ecrã mais pequeno ainda apresenta a moldura à sua volta e é um dos nossos únicos incómodos com a Lite, mas a sua proporção em relação ao corpo da consola é perfeita e deixa-te desfrutar de magníficos jogos em qualquer lugar. A Lite está claramente posicionada para apelar a um público mais diversificado, para quem o conceito híbrido era interessante, mas uma portátil pura e dura se encaixa muito melhor nas necessidades do seu dia a dia. Nesse objectivo, é um triunfo da Nintendo. A sua simplicidade é elegante. A análise do Digital Foundry aborda diversos aspectos como a temperatura e o ecrã, mas a sensação de ter a consola nas mãos e conferir de que formas a Nintendo avaliou o corte de funcionalidades para se focar na portabilidade é fascinante.

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A Lite deixou-nos com um grande sorriso.

Como provavelmente sabes, perdes a capacidade de remover os Joy-Cons, mas isso tem o inesperado benefício de tornar todo o corpo mais sólido, algo que aliado à sua leveza se torna num ponto a seu favor. Se sentiste ocasionalmente os Joy-Con oscilar por não estarem totalmente fixos à unidade central, a Lite corrige essa sensação. Ainda assim, sabemos que para alguns jogadores isso poderá ser um contra, mas depois de usarmos a Lite em diversos locais e a transportarmos connosco, sentimos que é uma ideia acertada da Nintendo.

Mario Kart 8 Deluxe e FighterZ foram escolhidos pelas suas propriedades específicas e como desafiam a Lite. Começando pelo jogo da Nintendo, um dos mais vendidos na Switch, as loucas corridas de Mario Kart exigem movimentos rápidos dos analógicos (o Joy-Con drift é algo que ainda paira na cabeça de muitos) e o constante uso dos botões nos ombros da consola para derrapar ou usar itens são um bom ponto de partida. É uma experiência frenética que nos ajudou a testar a ergonomia da Lite. Após longas sessões com o jogo, não sentimos cansaço nos braços ou nas mãos, algo que sinto quando jogo prolongadamente em modo portátil na minha Switch original, e não senti a mesma necessidade de constantemente reajustar a consola nas mãos.

A Lite também nos surpreendeu ao rectificar uma das mais graves falhas do modelo original, inclui um D-pad tradicional e é aí que Dragon Ball FighterZ entra. Com a Lite, a experiência de jogar FighterZ em formato portátil é simplesmente esplendorosa, fazendo justiça à electricidade que emana do jogo da Arc System Works.

Com uma consola tão leve nas mãos (não o cansamos de referir), consegues desfrutar de FighterZ com uma fluidez fora do alcance do modelo original, pelo menos em modo portátil e sem recurso a um comando alternativo. Após longas sessões em que os polegares me ficaram a doer, as mãos acusaram algum desconforto e fiquei com a sensação de falhar combos devido à falta de um D-pad tradicional, a sua presença na Lite é uma das suas maiores vitórias, por mais simples que pareça.

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O d-pad conquistou-nos e em jogos como Dragon Ball FighterZ faz uma enorme diferença.

Não notei grandes diferenças na qualidade do ecrã ou nas cores entre a Lite e a Switch original, mas no que diz respeito ao D-Pad e a sua capacidade para tornar mais satisfatória a tua experiência com alguns jogos, foi altamente satisfatório. A Lite é mais do que uma miniatura da Switch optimizada para formato portátil, é uma actualização de alguns dos seus elementos menos positivos e, como referido, é intrigante ver como a Nintendo abordou a ideia de pegar na sua híbrida e torná-la exclusivamente portátil.

Um complemento excelente na linha Switch

Com todos estes elogios à nova Lite, que se apresenta como uma verdadeira portátil e não uma consola que transportas da sala para a cama ou para a casa de banho, tirada de casa apenas ocasionalmente, queremos elogiar a postura da Nintendo em apresentar uma Switch optimizada para a portabilidade. Não apenas porque que vai de encontro ao principal uso que demos ao modelo original ao longo de todo este tempo, mas pela metodologia e abordagem à transformação - simples, mas eficaz. O modelo híbrido original continua a envergar o seu apelo específico e se a ideia de remover os Joy-cons quando queres para jogar com outra pessoa ou ligar à TV ainda te apela, poderás optar pela Switch matriz, mas se procuras uma verdadeira portátil e o teu principal propósito para a consola será jogar sem estar ligada à TV, a Lite chega para preencher finalmente um vazio que o desaparecimento da 3DS ameaçava deixar por ocupar.

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O ecrã Lite permite jogar de forma confortável fora de casa, mas em algumas condições terás de te posicionar melhor perante luz que é reflectida.

Desde o lançamento da Switch que muito se debate sobre o seu factor híbrido. Para alguns, é uma consola que podes jogar ligada à TV e que também podes levar contigo para jogar qualquer lugar, enquanto para outros é uma portátil que ocasionalmente é ligada à TV. Desde 2017 que a esmagadora maioria do nosso tempo é passado a jogar em modo portátil e desde o início que foi o lado portátil da Switch que nos encantou. Se é a portabilidade da Switch e a capacidade de jogar jogos de incrível envergadura em qualquer lugar o que mais te entusiasma, a Lite é uma proposta fascinante que nos encheu as medidas.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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