Astral Chain mostra a Platinum Games a experimentar novas ideias

O novo sangue quer ir mais além.

Para um fã da Platinum Games, a iminente chegada de Astral Chain é um acontecimento verdadeiramente especial. Desde 2017, com o memorável NieR: Automata, que não temos um novo jogo da companhia japonesa que se tornou numa referência na indústria. A incerteza em torno de outros projectos mostra uma energia muito distante do seu início de vida - quando debitava lançamento atrás de lançamento e sempre com uma grande qualidade.

Com Babylon's Fall adormecido, sem novidades de Bayonetta 3 e com o seu envolvimento em Granblue Fantasy: Relink envolto em confusão, estes dois anos não têm sido dos melhores para quem acompanha a Platinum desde MadWorld em 2009.

Eis que chega finalmente a hora de Astral Chain - um importante jogo que poderá assumir a responsabilidade de servir como ponte entre o que veio antes e o que o sangue novo fará pela companhia.

Astral Chain é um exclusivo Nintendo Switch, desenvolvido por uma equipa liderada por Takahisa Taura - um dos principais nomes em NieR: Automata. O seu intuito é simples, mas ambicioso: criar algo capaz de deixar grandes nomes como Hideki Kamiya e Atsushi Inaba com orgulho.

A receita parece igualmente simples - misturar o ADN da Platinum com novas ideias no design e combates que consagrou o nome dos Japoneses.

Dançar como um só

Ao longo das primeiras 5 horas de Astral Chain, o fascínio não esteve apenas em descobrir como a ideia de controlar dois personagens ao mesmo tempo tenta introduzir dinamismo e variedade no género, mas foi um dos grandes destaques. Taura imaginou uma abordagem diferente aos hack n slash não apenas ao romper com a estrutura típica (nível, menu, nível, menu, nível, até terminar), mas também com a introdução dos Legion - criaturas que controlarás em simultâneo com o personagem humano principal. Inicialmente, os controlos e a quantidade de acções que podes realizar poderá ser demasiado para assimilar, mas rapidamente te habituas.

Preservando a essência do 'fácil de aprender, difícil de dominar' dos jogos da Platinum, que te dão uma incrível gratificação pela forma tão acessível com que consegues executar movimentos de grande esplendor visual, em Astral Chain dois dançam como um só. Quando quiseres, podes invocar o teu Legion (existem diversos com características específicas) que agem como um complemento das tuas acções. Eles atacam sozinhos e poderás optar por tê-lo ao teu lado ou enviá-lo para atacar um inimigo à distância. Como seria de esperar na Platinum, os combos sucedem-se e o timing é tudo.

"Astral Chain combina novas abordagens com metodologias características da Platinum"

Nas secções de exploração sentirás mais facilmente que estás a controlar duas personagens, mas nos combates quase nem te aperceberás dessa marcante especificidade do gameplay pois é muito fluído e dinâmico. Acções características da Platinum, como desviar no momento certo para o tempo abrandar, ganham uma nova dinâmica com um segundo personagem semi-controlado por ti. Podes até activar combos em conjunto se o teu timing for bom e sentes que o gameplay que consagrou a Platinum foi bem moldado para uma experiência com dois personagens. O potencial foi bem explorado.

A vida de Polícia

Como referido, não é só no sistema de combate, por força de uma segunda personagem, que Astral Chain se demarca dos outros jogos da Platinum (sendo na mesma inegavelmente Platinum). A estrutura e design de Astral Chain mostram que Taura aprendeu imensas lições em NieR: Automata e usa a sua estrutura como base das suas ideias no seu primeiro jogo como directo. Aqui, passarás algum tempo na esquadra da polícia a treinar, melhorar o teu equipamento e Legions, a conversar com outras personagens e a aceitar missões secundárias (muito simples). Quando estiveres pronto, podes iniciar a missão e após um ecrã de loading, és transportado para o local da missão.

Esta é uma estrutura que te dá um hub como em NieR: Automata, mas sem a interligação de zonas que esse jogo apresenta. Quando chegas ao local, também encontrarás uma grande diferença para os restantes jogos do género. Em Astral Chain a missão não começa de imediato e não entras no habitual corredor disfarçado a despachar inimigos atrás de inimigos até ao boss. Aqui, entras numa pequena zona de Ark, a cidade onde Astral Chain decorre, onde terás de realizar missões secundárias e investigar os acontecimentos para descobrir onde está a área da missão. Diferente e, inesperadamente, envolvente.

Jogar as primeiras horas de Astral Chain foi um inesperado prazer. Para um grande fã da Platinum Games que jogou praticamente todos os seus jogos, esperava ver o ADN da companhia impresso de forma evidente e expectável. No entanto, o sangue novo, liderado por Takahisa Taura, mostra que é possível ostentar a energia da Platinum, mas ainda assim apresentar novidade. Repleto de estilo e com mecânicas assentes no lema 'fácil de aprender, mas difícil de dominar', Astral Chain poderá permitir à Platinum Games colocar mais uma estrela no panteão dos hack and slash.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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