Razer Turret - Análise - Jogar de rato e teclado na Xbox One

Um sonhado tornado realidade, mas com inconveniências.

Nestes últimos dois anos a Microsoft tem sido uma companhia disposta a quebrar todo o tipo de barreiras e convenções em nome dos jogadores, levando a cabo a sua missão prioritária de tornar a Xbox numa plataforma altamente apelativa para o maior número possível de consumidores. Como parte dessa missão, a Microsoft anunciou no final de 2018 que estava a trabalhar numa actualização de software para a Xbox One de forma a adicionar suporte oficial para rato e teclado na consola. Qualquer rato e/ou teclado USB convencional funcionam, pelo menos em teoria, na consola, mas a Microsoft quis aliar-se à Razer, uma das marcas mais populares de acessórios gaming, para lançar um rato e teclado oficial para a Xbox One. O conjunto Razer Turret é o filho desta união entre as duas companhias.

O Razer Turret herda as características e funcionalidades dos teclados e ratos topo de gama da marca, mas não se trata de um produto exactamente igual. A sala-de-estar continua a ser o habitat mais comum das consolas e a marca mostra consciência disso nas particularidades de design exibidas pelo Razer Turret. A mais importante, parece-nos, é a existência de um tapete de rato na lateral direita do teclado que pode ser aberto / retraído. É uma solução simples e elegante para quem deseja usar um rato e teclado no conforto do sofá. Neste caso em concreto, diferente de um setup com uma secretária, tens que jogar com o rato e o teclado no teu colo.

Rato e teclado no colo - Qual a experiência?

Melhor do que estava à espera. Como o tapete de rato integrado na base do teclado, o Razer Turret assume dimensões perfeitas para assentar no teu colo. Uma questão extremamente importante é o equilíbrio de peso. Um teclado demasiado leve não aguentaria a pressão dos teus dedos nas teclas e para acrescentar peso e equilíbrio a Razer colocou uma fina placa metálica no teclado na parte superior do teclado. Como o teu colo não é uma plataforma tão estável como uma secretária, o tapete de rato também está equipado com um íman para que o rato não se desloque tão facilmente e uma grande zona de descanso para as mãos. Portanto, embora o Turret pareça à primeira vista um rato e teclado iguais a tantos outros desta marca, tem peculiaridades que o tornam melhor adaptado para o ambiente da sala-de-estar.

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O Razer Turret também é compatível com PCs instalados com Windows 10, pelo que não é apenas uma opção válida para a Xbox One. Se quiseres instalar um PC gaming como o teu centro de entretenimento na sala, o Razer Turret é uma excelente forma de preservares todas as vantagens do rato e teclado sem perder o tão desejado conforto do sofá. Tanto rato como o teclado deste conjunto preservam a qualidade de construção premium da Razer, com teclas mecânicas e materiais bastante resistentes ao desgaste. Apesar disto, o preço é difícil de engolir. O Razer Turret custa 249 euros. É o mesmo preço de uma Xbox One S, o que para a maioria dos consumidores é inconcebível.

A experiência é fantástica, mas faltam jogos

A maior falha do Razer Turret não está no produto em si, mas nos poucos jogos da Xbox One que têm suporte para rato e teclado. Como a Microsoft tornou esta nova funcionalidade meramente opcional, são poucos os estúdios que acrescentaram suporte para rato e teclado. A lista de jogos da Xbox One com suporte para rato e teclado pode ser consultada logo de seguida:

  • Bomber Crew
  • Deep Rock Galactic (Xbox Dynamic Lighting)
  • Fortnite
  • Metro Exodus
  • Minecraft
  • Paladins
  • Sea of Thieves
  • Sniper Elite V2 Remastered
  • Strange Brigade (Xbox Dynamic Lighting)
  • Surviving Mars
  • The Sims 4
  • Vermintide 2 (Xbox Dynamic Lighting)
  • Warframe
  • War Thunder
  • X-Morph Defense (Xbox Dynamic Lighting)

Futuramente haverá mais jogos a receber suporte, incluindo o altamente antecipado Gears 5. Outros jogos como Warface, DayZ, Children of Morta, SMITE e Realm Royale também vão adicionar a opção de jogar com rato e teclado. Mesmo assim, torna-se difícil justificar o investimento de 249 euros. Nos jogos que testámos, principalmente Fortnite, Sea of Thieves e Vermintide 2, a experiência foi fantástica, idêntica à de jogar num PC, mas gostávamos de ver mais "amor" para o rato e teclado, sobretudo em jogos first-party da Microsoft como Halo Wars 2, Halo 5, Gears of War 4, Crackdown 3 e State of Decay 2.

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A integração do rato e teclado na interface podia ser melhor

Novamente, não é uma falha do produto em si, mas a integração do rato e teclado na interface da Xbox One não é total. A interface tem suporte para o teclado e facilita bastante quando tens que escrever alguma coisa, mas não existe suporte para o rato. Por outras palavras, não é como no PC em que podes usar o cursor do rato para clicares nos sítios com os quais desejas interagir. Fica a sensação de que a Microsoft ainda não integrou completamente a existência do rato e teclado no ecossistema Xbox One, o que é pena.

O Veredicto

O produto que a Razer desenvolveu é excelente, conseguindo adaptar para a sala-de-estar um método de controlo normalmente reservado para uma secretária. A perfeita distribuição de peso, o tapete de rato integrado no teclado e o íman para o rato são as características que mais distinguem o Razer Turret dos ratos e teclados convencionais - e também estão equipados com teclas mecânicas e ligação sem fio. Ainda que seja um conjunto composto por um rato e teclado, um preço menor tornaria o Turret mais apelativo (ainda que se quiseres comprar um teclado e rato topo de gama da Razer, vais gastar praticamente o mesmo). O que deixa mais a desejar é o suporte da Microsoft e dos estúdios de videojogos. Há poucos jogos compatíveis com o rato e teclado (mesmo aqueles que são first-party) e a integração na interface da consola revela que é uma funcionalidade ainda em construção.

Prós: Contras:
  • Qualidade de materiais impecável
  • Design pensado para a sala de estar
  • Tanto o rato como o teclado não têm fio
  • Jogar de rato e teclado numa consola é um sonho tornado realidade
  • Preço elevado
  • Poucos jogos com suporte
  • Integração na interface

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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