Super Mario Maker 2 - Análise - Não há níveis iguais

Expande as fronteiras da criatividade.

Após o sucesso de Super Mario Maker na Wii U - e posterior adaptação à Nintendo 3DS - seria uma questão de tempo até surgir uma nova versão para a Nintendo Switch. No mês passado assistimos a uma Direct que muito revelou sobre as novas ferramentas e evoluções da sequela daquele que é o jogo-ferramenta da Nintendo. Na verdade, o modo criação (make) continua a ser o mais importante, embora não torne a experiência refém desse processo. Os jogadores menos familiarizados poderão sempre jogar níveis criados (play) através do modo história desenhado pelos produtores do jogo, ou jogar os níveis de outros jogadores por via do "course world" através de um processo de partilha online.

Em traços muito gerais é um jogo que herda grande parte da estrutura do original, tanto no design como na composição. De início podemos até identificar bastantes semelhanças, mas assim que verificamos as opções disponíveis, sobretudo ao nível das ferramentas e disponibilidade de recursos, descobrimos como é mais vasta esta sequela, ao ponto de praticamente refrescar a experiência e proporcionar um reforço dos níveis.

Uma das notas dominantes, já presente no original, é a facilidade do processo de criação. De início, ao verificarmos as opções e possibilidades, quase temos alguma dificuldade em escolher por onde começar, embora seja simples. É nesse momento que a utilização do guia Yamamura Dojo se revela útil ao fornecer instruções para os jogadores menos acostumados às lides criativas. As lições, muito simples de acompanhar, abrangem o básico, o intermédio e o avançado. Apesar da simplicidade, este é um processo algo moroso - ver todas as lições - mas simplifica sobremaneira a aprendizagem, ainda que o nosso espírito autodidacta nos impele a avançar imediatamente para a construção dos níveis.

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A introdução do tema Super Mario 3D World é uma das maiores novidades, ainda que a perspectiva permaneça em 2D.

Tal como no original, é possível definir o tema e a composição do nível a partir dos modelos 2D da série. Desde o original 8 bit até à evolução mais recente. É primordialmente uma criação em 2D, mas há desta vez uma novidade importante, a criação de níveis ao estilo Super Mario 3D World. Na realidade não estão a criar níveis numa perspectiva 3D. O 2D enquanto perspectiva mantém-se, mas ao nível da profundidade, mecânicas e ferramentas há uma diferença significativa.

Desde logo podem jogar com Super Mario na forma de gato trepando paredes e atacando os adversários com as garras, um conjunto de movimentos que deriva da produção em 3D e aqui se mostra bem implementado. Podem ainda usar os tubos translúcidos como veículo de transporte, colocar piranhas extensíveis (que essencialmente vão atrás do protagonista), pôr os Banzai Bill em serviço ao ponto de destruir plataformas e pontes.

Diga-se que neste caso os efeitos 3D estão bem conseguidos, ao ponto de imitarem o que experimentámos em Super Mario 3D World, ainda que numa perspectiva em 2D. Outra opção nova é a disponibilidade do carro Koopa Troopa, um acelerador até à bandeira mas uma forma rápida de nos estatelarmos. Os blocos que piscam são outra opção à disposição, assim como os blocos expansíveis ao toque. Enfim, há um bom conjunto de novas soluções que surtem efeito ao nível do processo criativo dentro deste novo quadro de produção e só dentro dela, pois estas ferramentas são exclusivas do formato Super Mario 3D World. No entanto, há também omissões em termos de caixas e outros obstáculos, dando a sensação de que mais poderia ter sido acrescentado.

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Agora poderão trabalhar nas formas da plataforma, indo aos pequenos detalhes.

Transversais aos restantes formatos 2D são as novas ferramentas com as quais podem facilmente interagir. As argolas giratórias, por exemplo, possibilitam a transição entre plataformas, evitando abismos ou a queda sobre lava. Os blocos movediços, como se fossem uma serpente, criam um desafio particular ao protagonista. Mas há muitos mais: a carapaça dry bones, os pára-quedas, o angry sun, as sempre delicadas plataformas seesaw, o botão on/off com o qual activam ou desligam uma base de plataformas. Depois ainda há os mauzões como Boom Boom, uma verdadeira ameaça a Super Mario.

É infindável o número de soluções e possibilidades em torno destas novidades que se abrem, inaugurando um filão de níveis que eram impossíveis de apresentar no original. Isto claramente alarga a margem de produção, mas reiteramos que apesar da facilidade com que interagimos com as ferramentas e descobrimos os seus efeitos, só com muito tempo, testes, paciência e uma boa inspiração é que seremos capazes de criar níveis surpreendentes e desafiantes.

Podem ainda criar desafios específicos, inscrevendo o objectivo de terminar o nível no formato Super Mario, realizar tarefas intermédias e dar seguimento a outros objectivos. São condições específicas de resolução do nível, seguramente um incentivo adicional à sua realização. As possibilidades de poderes e transformação por via dos power ups das personagens também receberam alterações.

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Snaaake! Snaaaaaaaaaaake!

Esta é a ferramenta que vos levará a produzir níveis que não são possíveis noutros jogos da série. Mas se não conseguirem criar, ou não se sentirem capazes e motivados para grandes voos, poderão sempre jogar os níveis submetidos por outros jogadores. É essa, mais uma vez, a versatilidade do modo share, ao permitir a partilha imediata. O processo de submissão está sujeito a tags para uma melhor definição em termos de pesquisa, claramente um elemento facilitador. Depois podem observar o número de vezes que o nível foi concluído. Nem sempre os níveis mais difíceis são os mais entusiasmantes, ainda que muitos jogadores optem por estabelecer grandes picos de dificuldade. Porém, tudo isso é assinalado ao verificarem determinado nível. O modo "endless run" deixa-vos entrar numa "corrida" por um acervo de níveis, numa luta pelo "ranking".

Como dissemos no começo desta análise, o modo história serve sobretudo para manter o conceito da série Super Mario em 2D numa base de níveis pre-fabricados. A história é simples e também nela encontram um propósito em torno da reconstrução do palácio, demolido por circunstâncias anómalas. Mario, em parceria com os Toads (e Luigi), irá deitar mãos à obra, tendo que aceitar trabalhos que não são mais do que níveis criados pelos produtores, onde para além dos objectivos a cumprir terão que coleccionar moedas, imprescindíveis para a reconstrução do edifício. Estes níveis também foram criados a partir da ferramenta make, sendo bem perceptível a diferença face a outros jogos da série. Infelizmente, não podem ser "trabalhados" na opção make. No entanto, o grau de dificuldade está assinalado para que possam aferir as chances de sobrevivência e realização do objectivo. Os mais difíceis por seu turno garantem mais moedas, mas é justo referir que estes níveis continuam tremendamente divertidos.

No âmbito do processo criativo, destaque para a introdução de um segundo jogador, ainda que restrito a ligação local. Já a opção play permite que até quatro jogadores possam partilhar um nível por via online (infelizmente os jogadores são escolhidos aleatoriamente, deixando de fora a escolha dos amigos da vossa lista que estejam com o jogo), tanto em termos cooperativos como competitivos, esta através da opção versus na qual cada jogador joga por si, devendo cumprir o nível mediante a condição imposta.

Super Mario Maker 2 vem expandir generosamente as fronteiras do original, com novas ferramentas e novas formas de jogar. É uma ampliação ao nível da estrutura make, ao mesmo tempo que injecta uma nova história com novos níveis para descobrir. Apesar de algumas arestas por limar no quadro das opções multiplayer online, poderia ainda ir mais além na concessão das ferramentas, sobretudo ao nível da estrutura Super Mario 3D World. Esta sequela renova a veia criativa, pelo que facilmente teremos à disposição alguns dos mais inventivos e incríveis níveis. Com tempo os jogadores aprenderão a tirar partido das funcionalidades, mas se a veia criativa não é do vosso interesse, também encontram opções de composição tradicional da série Super Mario.

Prós: Contras:
  • Adição do tema Super Mario 3D World
  • Novas ferramentas, power ups e vias de interacção
  • Modo história para os preguiçosos em construir
  • Dois jogadores no modo make
  • Impossibilidade de seleccionarmos os jogadores da lista de amigos no multi online.
  • Podiam ter sido adicionados mais itens ao conteúdo Super Mario 3D World

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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