Estúdio de Mortal Kombat acusado por ex-funcionários de trabalho excessivo

Um deles diz que trabalhou 115 horas numa semana.

As horas extra excessivas no desenvolvimento de videojogos não são um assunto novo e ao longo dos anos já ouvimos muitas histórias de terror contadas por trabalhadores. A história mais recente vem da NetherRealm, a produtora da série Mortal Kombat.

Ao longo da última semana foram publicados três artigos de diferentes meios de comunicação com relatos de ex-trabalhadores do estúdio que revelam uma cultura de exploração, com um dos funcionários a desabafar com o Games Industry que chegou a trabalhar 115 horas numa semana."

"Estava a fazer semanas de trabalho com 90 horas durante quatro meses sem um dia de folga," disse o ex-funcionário que trabalhou durante a produção de Injustice em 2013. "Isto incluía os Sábados e Domingos. Penso que o máximo que trabalhei numa semana foram 115 horas.

Este não é um caso isolado. Embora as horas extra variem de departamento para departamento - alegadamente, as áreas de design, programação e QA são as mais afectadas - há outros relatos de ex-funcionários que acusam semanas com 100 horas de trabalho nos meses anteriores ao lançamento de Mortal Kombat X e Injustice 2.

As horas extra - ou crunching, o termo mais comummente usado - é esperado na NetherRealm, apontam os trabalhadores. Não há ninguém a obrigar os funcionários a trabalhar as horas extra, mas existem prazos a cumprir e cargas de trabalho excessivas. Se não forem cumpridos, a gestão do estúdio pode usar isso como argumento para despedir.

"Não era uma coisa a 100%, com arma apontada à cabeça," explicou um dos funcionários. "Era uma coisa astuta em que diziam, não estamos a obrigar ninguém a fazer horas extra. Não estamos ninguém a fazer nada."

"Mas olhavas para o planeamento e sabias quanto tempo as coisas demoram a ser feitas... Eles olham para a quantidade de trabalho que tem de ser feita, e se não for feito, a gestão tem uma razão para te despedir."

"É uma manobra complicada em que podem aclamar inocência no facto de não obrigam ninguém a fazer nada, mas na realidade é mesmo coacção."

"Estava a fazer semanas de trabalho com 90 horas durante quatro meses sem um dia de folga"

Os artigos do USGamer e PC Gamer também denunciam exploração dos contratos a curto prazo. Estes contratos, geralmente com duração de 9 meses, tinham salários baixos (alegadamente, 11 dólares por hora) e por causa disso havia pessoas dispostas a fazer as horas extras para aumentar o salário no final do mês.

"Éramos cidadãos de segunda classe e isso ficava claro de várias pequenas formas," disse uma das ex-funcionárias, acusando um supervisor de tentar fazer a QA sentir-se com sorte pelo pagamento extra resultante das horas extra

"Este dinheiro é bom, mas não tenho vida e estou a trabalhar até à morte, por isso, de me serve realmente este dinheiro? Não apreciei isso de um supervisor que não estava lá tão frequentemente como os seus subalternos."

"Este dinheiro é bom, mas não tenho vida e estou a trabalhar até à morte"

As pessoas a trabalhar com este tipo de contratos também estavam dispostos a fazer as horas extra com o intuito de receberem um contrato a tempo inteiro, mas alegadamente, isso não acontece. Depois do contrato expirar, o estúdio volta a contactar as mesmas pessoas passados alguns meses e contrata-as com um contracto igual, evitando assim ser forçada a oferecer os benefícios de um contrato permanente.

Tanto a NetherRealm como a Warner Bros. ainda não responderam as alegações dos artigos.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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