Ghost Giant - Análise - O mundo aos teus pés

Um jogo com potencial mas igualmente problemático.

Ghost Giant é uma obra verdadeiramente encantadora; no entanto, problemas com o tracking e física dos objectos afectam a experiência.

Existem duas características que, para mim são absolutamente essenciais para o bom funcionamento de um jogo para a realidade virtual: em primeiro, pouco (ou nenhum) movimento da câmara do jogo; em segundo lugar, um bom tracking dos movimentos das tuas mãos, para que possas interagir com os objectos do jogo em condições.

Caso a câmara se mexa demasiado em teu redor, o resultado é quase sempre o mesmo - um enjoo descomunal que ameaça seriamente a forma como aprecias o jogo, quem sabe obrigar-te a terminar a tua partida mais cedo; e caso os movimentos das tuas mão não sejam lidos da forma correcta, verás o teu nível de frustração a subir gradualmente quando te apercebes na dificuldade em executar a mais simples das acções.

No caso específico de Ghost Giant, o jogo faz um deles muito bem, mas o outro muito mal, na mesma proporção.

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Mal inicies o jogo, irás deparar-te com o seu ponto forte: os gráficos.

Neste adorável título para a realidade virtual, irás passar por uma série de locais distintos num mundo repleto de animais antropomórficos com nomes franceses onde - SURPRESA! - interpretas o papel de um gigante invisível.

Apenas uma personagem, o gato Louis, consegue ver-te; e, tendo em conta a tua dimensão e força considerável, o teu papel neste jogo é ajudar Louis nas suas mais variadas tarefas, manipulando os objectos que se encontram à tua volta.

Mal inicies o jogo, irás deparar-te com o seu ponto forte: os gráficos. Vais viajar por florestas, cidades, zonas campestres, portos marítimos, cemitérios e uma série de outros locais ao longo da tua jornada, tão ricamente decorados e construídos até ao mais pequeno pormenor que facilmente te deixarão boquiaberto.

Toda a acção desenrola-se em teu redor - ao longo do jogo, ficarás sempre "preso" no mesmo local - e podes ver todas as personagens e movimentarem-se e interagirem uma com as outras como se estivesses perante uma peça de teatro a 360 graus. Lembra-me, aliás, o sistema que foi implementado em Moss, um jogo para a realidade virtual que me deixou altamente impressionado e que mitiga imenso o enjoo causado pela tecnologia.

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O mundo de Ghost Giant é realmente muito rico e é um verdadeiro regalo veres os diferentes mundos.

No entanto, as tuas funções em Ghost Giant são um pouco mais limitadas: neste título, irás jogar somente como o gigante invisível, manipulando todo o cenário à tua volta de maneira a conseguires completar uma série de puzzles que te permitem progredir na história. Os puzzles não são difíceis, apesar da sua solução nem sempre ser propriamente óbvia e de te obrigar a prestar atenção a tudo aquilo que as personagens dizem em busca de pistas.

Tudo o que tens de fazer é usares as tuas gigantescas mãos e investigar os diferentes objectos do mundo do jogo: podes levantar telhados ou abrir portas para veres a acção que se desenrola lá dentro, podes abanar árvores e, quem sabe, tocar nas personagens apenas para as assustares. O mundo de Ghost Giant é realmente muito rico e é um verdadeiro regalo veres os diferentes mundos a estenderem-se até ao horizonte, camada atrás de camada.

Curiosamente, em momentos mais importantes do jogo, as luzes vão diminuindo de intensidade e, por vezes, focam-se no diálogo de determinadas personagens, dando ainda maior ênfase à peça de teatro que parece que estás a viver. O facto dos mundos parecerem ser feitos com materiais corriqueiros e de forma quase artesanal ajuda ainda mais a criar esta ilusão que, juntamente com o grande grau de interacção que o jogo te proporciona, são alguns dos pontos mais positivos desta obra.

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Em termos narrativos, é possível dividir este título para a PS4 em duas parcelas gerais: a primeira parte da história consiste em ajudares Louis a encontrar sementes de girassol para que as possa plantar em sua casa; a segunda parte, por sua vez, diz respeito à mãe de Louis que, após cair naquilo que me pareceu uma depressão profunda, leva o seu filho a planear uma festa surpresa para a alegrar. A parte final do jogo é estranhamente madura para um jogo com uma aparência tão infantil e, apesar de ter considerado os primeiros momentos com o título bastante aborrecidos, acabei por ficar enternecido com os eventos finais.

No entanto, o jogo possui um grande problema, nomeadamente o tracking das mãos e a manipulação dos objectos. Isto foi logo perceptível nos primeiros instantes que passei com o Ghost Giant: Louis assusta-se quando te vê pela primeira vez e refugia-se numa casa da árvore que acaba por cair. Um dos teus primeiros objectivos é reerguer a casa da árvore, mas garanto-te que não é tão fácil como deves estar a imaginar.

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O jogo possui um grande problema: o tracking das mãos e a manipulação dos objectos.

Puxei a casa para um lado e para outro, usando ora uma mão, ora a outra, e fazendo todo o tipo de contorcionismo com os meus braços de maneira a conseguir posicioná-la no sítio certo. Foi uma tarefa verdadeiramente difícil! Nenhum dos meus movimentos físicos que executei traduzia-se de forma clara naquilo que deveria estar a acontecer no ecrã, criando uma situação bastante indelicada que, infelizmente, não era singular.

Existe um outro momento em que tens de usar um pincel para pintares um pequeno quadro. Tudo parece fácil em teoria, não fosse o pincel movimentar-se como se tivesse vida própria, tremendo nas tuas mãos virtuais e, em mais do que uma ocasião, esticando-se de tal forma naquilo que me pareceu mais um bug que outra coisa qualquer.

De uma forma geral, interagir com os objectos, quer fossem necessários para puzzles, quer não, era algo extremamente complicado. Podias pegar num simples pneu e atirá-lo algures para o cenário que, depois de aterrar, o mesmo continuava a dar pequenos saltinhos, dando-me a entender que a física do jogo não está a 100% . Isto é particularmente pior quando a física do jogo se mistura com os puzzles, como é o caso da cana de pesca com o íman que tens de usar num determinado ponto do jogo de forma obrigatória e que não se comporta da devida forma.

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Interagir com os objectos era algo extremamente complicado.

Mesmo recalibrando o jogo uma e outra vez, este tipo de problemas persistiam - e, por alguma razão, os objectos pareciam sempre estar mais longe do que deveriam estar, fazendo com que a câmara do VR parasse de fazer tracking às minhas mãos uma vez que estas saíam do enquadramento.

O jogo é relativamente curto - devo ter demorado umas quatro/ cinco horas a completá-lo - mas sinto que este valor seria bastante inferior não fossem os problemas enumerados anteriormente. Aliás, existe uma série de puzzles que te obrigam a atirar uma bola contra pequenos alvos espalhados pelo mundo sem qualquer tipo de assistência e, obviamente, precisei de diversas tentativas para conseguir acertar. A longevidade em Ghost Giant é causada pelos problemas e dificuldade técnicas do jogo, uma situação que fica muita aquém do ideal.

Colocando estas questões de parte, existe apenas uma situação que preciso de salientar: o som do diálogo das personagens. Em determinados pontos do título, o som dos diálogos de diversas personagens, em locais diferentes do cenário, era reproduzido em simultâneo criando um valente confusão onde não se percebia quem falava ou o que diziam. Algo ligeiramente preocupante, já que muitas pistas para puzzles são dadas dessas forma.

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Ghost Giant é um jogo repleto de personalidade e tudo aquilo que as tuas córneas captam irão deixar-te absolutamente deslumbrado. Alguns dos puzzles são realmente criativos, tal como é a sua a banda sonora, e a ligação que partilhas com Louis (que até cria um aperto de mãos secreto contigo!) é realmente encantadora. De facto, este papel quase divino que pareces ter sobre os pequenos mundos do jogo assentam muito bem na realidade virtual e neste título não é excepção, quase como que quebrando a quarta barreira entre ti e as personagens.

É apenas ligeiramente desapontante que tudo isto venha "embrulhado" em problemas técnicos demasiado proeminentes que, infelizmente, conseguiram denegrir a minha experiência com Ghost Giant. Algumas correcções, e o jogo seria uma verdadeira pérola no catálogo do PSVR.

Prós: Contras:
  • Um mundo verdadeiramente encantador, cheio de personalidade
  • Gráficos belos, ricos e detalhados
  • Alguns puzzles bem criativos
  • Problemas com o tracking dos movimentos
  • A física dos objectos é errática
  • Os momentos iniciais do jogo são ligeiramente aborrecidos

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Sobre o Autor

Jorge Salgado

Jorge Salgado

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Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.

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