Continuará a dividir opiniões, mas a nova iluminação, as melhorias na imagem e performance, conseguem surpreender neste remaster.

Assassin's Creed 3 é provavelmente o jogo mais controverso em toda a aclamada série da Ubisoft, que completará 12 anos de vida em Novembro deste ano. Pensado como o final da trilogia de Desmond Miles, o Assassino da era moderna, a jornada que te transportou pela primeira vez para os Estados Unidos da América é definitivamente peculiar.

Lançado originalmente em Outubro de 2012, Assassin's Creed 3 chegou no final de uma geração já em desgaste, numa indústria à procura de ideias frescas, que passou anos obcecada com endeusamentos cinematográficos, mesmo que tivesse de restringir o papel do jogador. Apesar da incrível ambição que a Ubisoft Montreal injectou no seu desenvolvimento, que durou dois anos e meio - o maior ciclo empregue num só jogo da série, até à altura, Assassin's Creed 3 tornou-se numa vítima de si mesmo.

A série tinha entrado num ritmo de lançamentos anuais e apesar das pequenas melhorias de jogo para jogo e da estreia de um novo motor, o perigo da estagnação aproximava-se e várias das mecânicas principais começavam a acusar desgaste. A jornada de Ratonhnhaké:ton (Connor para os novos amigos) até poderia ser a mais épica de todas, onde a equipa da Ubisoft mais avanços alcançou, mas nada disso poderia realmente brilhar quando Assassin's Creed 3 parecia envergar tanto do mesmo.

Quando o jogo chegou às lojas, dividiu os fãs e de um lado ficaram os que se renderam à ambição e escala do jogo, que te transporta para a Revolução Americana. Ao bom estilo desta série, combina realidade e fantasia para mostrar como os Assassinos e os Templários tiveram um papel importante para ajudar ou combater figuras como George Washington. Explorar locais selvagens e cidades como Boston ou Nova Iorque sugeriam um tom totalmente diferente dos anteriores e isso foi conseguido.

No entanto, do outro lado, ficaram os que não se conseguiram relacionar com um elenco e enredo inesperadamente fracos, um protagonista sem carisma, saltos temporais constantes que prejudicam a narrativa e ainda, para quem o jogou numa consola em 2012, uma performance repleta de problemas. Assassin's Creed 3 tornou-se num jogo difícil de jogar em 2012, seja pelo protagonista, enredo, locais, desgaste da experiência ou pela performance, o que torna este Remastered num título altamente oportuno.

"Apesar do excelente trabalho neste Remaster, Assassin's Creed 3 continua a ser um jogo cujo ritmo inconstante poderá testar a tua paciência."

Voltar a Assassin's Creed 3 Remastered sete anos depois é realmente uma experiência curiosa. É fácil perceber que este foi um projecto incrivelmente ambicioso, responsável por introduzir os segmentos navais jogáveis (que se tornaram num destaque em Black Flag e ainda hoje são melhorados), mas também é difícil não sentir que cedeu perante o peso dessa ambição. A história parece ter sido retalhada e os saltos temporais são uma fraca tentativa de esconder esses cortes, o personagem principal é desprovido de personalidade e até a luta entre os Templários e Assassinos perde impacto.

A Ubisoft Montreal tentou brincar com os conceitos estabelecidos na série, tentou explorar as áreas cinzentas numa trama que até então tinha sido explorada em dois tons. Em alguns casos resulta, mas noutros nem tanto. Basta relembrar a sequência de Desmond Miles no Brasil, onde a Ubisoft retrata o povo Brasileiro como incontroláveis rufias que miram Desmond sem explicação e quebram a imersão. Uma cena que tanta demonstrar grande ambição e tons cinematográficos, mas está cheia de pequenos embaraços. São esses pequenos detalhes que geram uma constante quebra de imersão e perturbam a busca de grandiosidade.

Assassin's Creed 3 Remastered permite revisitar um jogo de grande escala, com todos os elementos que caracterizaram até à data uma série à beira do desgaste. Existem bons momentos, outros nem tanto, existem alguns bugs irritantes, outros nem tanto, alguns deles deviam ter sido corrigidos para esta versão, e acima de tudo existe a sensação de um jogo cuja ambição foi superior ao poder das plataformas que o acolheram. No entanto, visto 7 anos depois, poderás sentir que foi o início de uma visão que somente em 2018 foi plenamente realizada - com Assassin's Creed: Odyssey e a sua exploração ininterrupta por terra ou mar.

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Apesar do aumento na resolução e melhorias na performance, o destaque principal é a nova iluminação.

Sendo uma versão actualizada de um jogo já existente, os seus méritos e defeitos criativos permanecerão intactos, mas o mesmo não se pode dizer do que está relacionado com a vertente tecnológica. Assim sendo, não é de estranhar que o maior feito deste Remaster está na sua qualidade gráfica e performance.

Este remaster é até capaz de mostrar-te imagens que frequentemente te deixam a pensar que estás perante um jogo que podia passar por um título desta geração. Apesar dos vastos cenários exibirem detalhes que não escondem a sua idade, o aumento na resolução e qualidade de texturas, a performance consistente e livre de screen-tearing permitem jogar Assassin's Creed 3 com uma qualidade muito superior.

No entanto, é a nova iluminação que te permitirá vislumbrar momentos em que Assassin's Creed 3 Remastered impressiona. Seja em Boston, Nova Iorque ou nos locais selvagens que vais percorrer (no Inverno, Primavera, Verão ou Outono), o novo sistema de iluminação dá-te acesso a cenas que ganham maior esplendor e quase transformam este jogo. É a verdadeira melhoria e onde a Ubisoft mostra ir mais além.

Assassin's Creed 3 Remastered é um título altamente pertinente pois adiciona melhorias visuais, corrige a performance e permite-te jogar um título controverso que continua a dividir a comunidade. Não nos podemos esquecer que a presença de Assassin's Creed Liberation HD Remaster é um belo extra e ajuda a tornar este pacote mais atractivo. No geral, Assassin's Creed 3 Remastered mostra-te um jogo cujo protagonista continua sem o carisma de outras figuras da série, cujo enredo é prejudicado pelos saltos temporais constantes e má estruturação, onde o local não é dos mais inspiradores, mas onde o gameplay ainda continua a proporcionar momentos de diversão.

Prós: Contras:
  • Melhora imenso a performance sobre as versões de anterior geração
  • O novo sistema de iluminação consegue momentos impressionantes
  • Um ambicioso jogo que introduziu diversas novidades na série
  • Inclui Assassin's Creed: Liberation como extra
  • Ritmo e enredo que não deixam boas memórias
  • Protagonista sem carisma
  • Os locais não dos mais inspiradores ou memoráveis
  • Demasiadas tarefas opcionais sem interesse
  • Ocasionais bugs que impedem a progressão




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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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