É interessante olhar para o primeiro trailer de Yoshi's Crafted World e ver como, simultaneamente, o jogo é tão parecido mas também tão diferente daquilo que acabei por jogar na Nintendo Switch.

Caso não te lembres, o primeiro trailer mostrava um jogo de plataformas com uma mecânica que te permitia reverter a orientação do nível, mostrando o seu lado oposto. A primeira vez que assisti ao vídeo, fiquei intrigado com o conceito - apesar de não ser inteiramente inovador, seria uma reviravolta interessante na fórmula tradicional mas ainda funcional dos jogos de plataformas da Nintendo.

Como já deves saber pelo material lançado do jogo até agora, essa mecânica foi quase inteiramente removida do produto final. Por um lado, não posso deixar de omitir uma ligeira desilusão - estava extremamente curioso para ver quão longe a Nintendo conseguia levar este conceito e como se transferiria para a jogabilidade de Yoshi's Crafted World.

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Por outro lado, e com muita alegria da minha parte, esta atitude por parte da companhia japonesa não teve grandes repercussões no mais recente jogo do adorável dinossauro verde. O jogo segue quase à risca toda a estrutura a que estamos habituados a ver nos jogos do Super Mario e de outros títulos do género de plataforma 2D - tanto para o bem como para o mal.

Vou-me debruçar, em primeira instância, nos pontos mais fortes do jogo: Yoshi's Crafted World está repleto de personalidade. Este foi - e continua a ser - um dos pontos mais fortes da Nintendo e é impossível negá-lo neste novo título. Tudo aquilo presente no ecrã parece ter tido a maior das atenções por parte da equipa e o título não engana - quase 100% dos ambientes presentes no jogo parecem ter sido criados à mão como se se tratasse de um projecto de E.V.T. usando todo o tipo de materiais: papel, cartão, cartolina, rolos de papel higiénico, latas, entre uma série de outros pequenos detalhes que fazem com que este mundo se pareça com uma construção real, uma espécie de "maquete".

A jogabilidade é fluída e controlar Yoshi é extremamente fácil e divertido.

A jogabilidade é fluída e controlar Yoshi é extremamente fácil e divertido, apesar do seu rol de movimentos não variar muito daquilo que temos assistido face aos jogos anteriores: o dinossauro pode saltar e, batendo com as patas, ganhar um pouco mais de altitude, comer inimigos e convertê-los em ovos que pode, posteriormente, atirar contra inimigos, moedas e partes do cenário, ou fazer um ground pound para destruir blocos.

A variedade e tipo de níveis é previsível mas igualmente estonteante: irás percorrer zonas desérticas, palácios japoneses, fundos de oceanos, prados verdejantes ou o espaço sideral, tudo construído com materiais do nosso dia-a-dia e ao mais ínfimo detalhe. Nesse campo, o trabalho feito pela Nintendo é mais que exemplar.

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Felizmente, existem também níveis com mecânicas mais radicais que ajudam a quebrar a tradicional estrutura deste tipo de jogos: num deles, terás de percorrer todo o nível à medida que painéis japoneses deslizam de um lado para o outro que te permitem apenas ver a sombra de Yoshi; noutro, és transformado num gigante robô com uma luva poderosa que usas para eliminar os obstáculos à tua frente; tens um outro onde controlas um carro que corre a energia solar; e mais um onde, andando para a esquerda ou direita do avião, irás controlar o seu movimento de ascensão ou descida.

Estes são apenas alguns dos exemplos, claro. Existe realmente uma quantidade espectacular de níveis e os mesmos são tão bonitos e tão criativos que é fácil ficarmos profundamente derretidos.

Este é um dos jogos de plataformas mais recheados que vi nos últimos tempos.

Para além disso, este é um dos jogos de plataformas mais recheados que vi nos últimos tempos. Mesmo depois de ter chegado ao fim, havia tanto, tanto, mas tanto para fazer...

Nem sei por onde começar e espero não me esquecer de nada. Em primeiro lugar, um dos itens mais importantes presentes em todo o jogo - bastante comum nos jogos prévios de Yoshi - são aquelas flores sorridentes. Se não te lembras delas, repara muito bem na imagem ao lado - deverás manter os olhos bem abertos e procurar estes itens nos recantos mais obscuros de todos os níveis já que vais precisar deles.

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As flores são o único método de progresso do jogo que te permitem desbloquear novos conjuntos de níveis que, caso contrário, estarão barrados à tua passagem. Existe uma série delas espalhadas por todos os níveis - como já seria de esperar, em locais de acesso mais difícil ou dentro de minijogos cronometrados que te obrigam a eliminar um certo número de inimigos, apanhar moedas azuis ou descobrir a flor sorridente no meio de muitas outras antes do tempo acabar.

Pode parecer simples, mas muitos deste "minijogos" são rápidos e quase não te dão margem para erro. E, se porventura falhares, perdeste a oportunidade de capturar essa flor específica (a não ser, claro, que reinicies o nível).

Apesar de tudo, no que diz respeito à obtenção de flores, Yoshis's Crafted World é bastante misericordioso, dando-te dezenas de formas de o fazeres. Aliás, por cada nível, receberás ainda uma flor caso o completes com a tua saúde completa, amealhes um determinado número de moedas douradas ou descubras todas as moedas vermelhas escondidas dissimuladamente dentro dos níveis.

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Mas qual a razão para os dois tipos de moedas, poderás estar a perguntar-te? Enquanto as moedas vermelhas são apenas um coleccionável normal, as moedas douradas servem para comprares uma série de fatos (também em cartão e cartolina) que Yoshi pode usar e, dependendo do seu grau de raridade, conferir-lhe protecção extra. Existe uma série deles, cujo design é motivado pelo local onde os compraste, e podem ir desde caixões, lâmpadas eléctricas, Bullet Bills, cactos, entre muitos, muitos outros. Caso os queiras coleccionar a todos, terás de despender um bom tempo (e moedas) para o fazeres, mas uma coisa é certa: a ternura de Yoshi será multiplicada por 1000!

Existem ainda missões no jogo em que personagens do hub te incumbem de procurar um determinado item que estará algures num dos níveis do jogo: poderá ser uma coroa, 5 vacas de papelão, uma "pedra curiosa", um guarda-sol, 7 ovelhas, entre muitos outros itens aleatórios - caso sejas bem-sucedido, serás então recompensado com mais uma flor sorridente.

Portanto, para tentar sumarizar, existe realmente muito para fazer em Yoshi's Crafted World. E, voltando àquilo que disse nos primeiros parágrafos a respeito da mecânica de trocar a orientação do nível, é importante referir que a mesma não foi inteiramente removida, se bem que foi implementada de forma muito diferente ao que foi originalmente apresentado. À medida que fores completando cada um dos níveis, irás desbloquear esse mesmo nível, mas em reverso: a tua missão aqui é encontrar três cães - os Poochies - dentro de cada um deles, recebendo uma flor por cada cão mas também uma extra se o fizeres dentro de um determinado limite de tempo. Para além disso, alguns dos "minijogos" que referi anteriormente - que activas atirando um ovo contra uma nuvem - irão também mostrar temporariamente o reverso do nível do jogo.

Por mais originais que sejam os mundos é impossível não ficar desiludido com a narrativa do jogo.

De qualquer das formas, por mais originais que sejam os mundos e mais fluida seja a jogabilidade, é impossível não ficar desiludido com a narrativa do jogo. Que é praticamente inexistente e que nada traz de minimamente original. De forma simplificada, terás de encontrar cinco "Dream Gems", pedras preciosas que foram espalhadas por todo o mundo do jogo e, assim que o faças, poderás pedir um desejo. É tudo extremamente adorável e, por esta altura, já é mais que sabido que as narrativas não são, por norma, o forte da Nintendo - ainda assim, teria sido interessante uma história mais impactante e não apenas dormir sobre os louros da "fofura" de Yoshi.

Consegui completar o jogo principal num fim-de-semana, com alguma exploração em busca das flores e alguma experimentação aqui e acolá: portanto, não terás dificuldade alguma em atravessar os mais diversos mundos de uma ponta à outra e, reforçando a ideia que disse anteriormente, o verdadeiro desafio consiste na descoberta e obtenção dos mais diversos coleccionáveis - mesmo os bosses do jogo seguem a mesma linha de dificuldade que, apesar de poder deixar alguns jogadores de pé atrás, tornará também o novo jogo de Yoshi mais acessível para o público em geral.

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Foi também um pouco decepcionante jogar este novo título na televisão: joguei a maior parte em modo portátil onde nada tenho a apontar - o jogo possui uma aparência lindíssima - mas, quando experimentei Yoshi's Crafted World na televisão, foi com grande tristeza que vi a arte perder muita da sua vida, por vezes mal se detectando as texturas de cartão e papel que tanta personalidade dão ao jogo.

Yoshi's Crafted World não se afasta muito daquilo que a companhia tem feito ao longo dos últimos anos.

Assim sendo, Yoshi's Crafted World não se afasta muito daquilo que a companhia tem feito ao longo dos últimos anos, especialmente no que diz respeito a jogos de plataformas. Isso é uma coisa má? Claro que não! Se uma fórmula é boa, e resulta, não vejo mal algum em seguir a mesma linha de raciocínio e, para todos os efeitos, esta nova aventura do companheiro de Super Mario possui todos os ingredientes que amámos e que distinguem a Nintendo de todos os outros estúdios. É uma aventura sólida, divertida, repleta de conteúdo e ainda um modo cooperação para duas pessoas. Que mais se pode pedir?

Prós: Contras:
  • Yoshi continua a ser uma das mascotes mais carismáticas da Nintendo
  • Os mundos do jogo são incrivelmente bem detalhados e originais, feitos de materiais do dia-a-dia
  • Existe uma série de conteúdo para te manter entretido
  • Adição de um modo cooperativo para duas pessoas
  • O jogo segue a mesma fórmula que outros títulos de plataforma 2D da companhia
  • A narrativa do jogo não é propriamente apelativa
  • Os gráficos em modo TV perdem a vida por completo




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Sobre o Autor

Jorge Salgado

Jorge Salgado

Redactor

Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.