Estamos em contagem decrescente para um dos maiores lançamentos do ano. Se Janeiro de 2019 nos trouxe já grandes jogos, o mês de Fevereiro não ficará atrás, muito por força de Anthem, a nova propriedade intelectual da BioWare. O jogo será lançado no próximo dia 22 e por isso ultimam-se os preparativos através de sucessivos testes aos servidores. A demonstração pública que arrancará em breve, serve para isso mesmo, testar uma componente primordial à experiência, o online. Nós já tivemos a oportunidade de experimentar o jogo, num evento em Londres, dois dias antes do começo da demonstração privada, e pudemos testá-lo num ambiente de rede, ainda que a nível local. Apesar de encontradas algumas falhas na ligação para uma partida, a experiência foi boa quando jogamos juntos, e ainda que tenham sido poucas horas a jogar, as impressões recolhidas são muito positivas.

Mas, como se desenrola afinal este jogo cooperativo online até 4 jogadores? Que mundo é este? Até que ponto esta nova IP difere dos anteriores jogos da BioWare, nomeadamente Mass Effect?

É provável que muitos de vós formulem estas questões quando lêem alguma notícia sobre Anthem. Foram as mesmas questões que invadiram a minha mente quando vi o primeiro "trailer" (com gameplay) na conferência da Microsoft, na E3 2017, e logo aí me pareceu muito diferente dos anteriores trabalhos da BioWare, ainda que encaixe naquela vaga de exploração de outros mundos, no capítulo da ficção científica e acção. Mas é compreensível que para muitos haja ainda um polo de dúvidas sobre o significado e experiência de Anthem. Neste artigo, onde deixamos as nossas impressões com base no primeiro contacto com o jogo, aproveitamos também para o situar e descrever as principais funcionalidades do jogo.

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O segmento narrativo ainda não é muito conhecido. Veremos que opções serão contempladas ao nível da interacção com npc's.

Um mundo por acabar

Antes de mais, importa salientar que Anthem é um jogo com uma história e uma composição narrativa, com personagens com quem podemos dialogar e espaços onde podemos interagir em moldes equiparados aos anteriores jogos da BioWare. Também poderemos interagir e conversar com outros jogadores ligados ao nosso jogo, naturalmente. É aliás um dos propósitos de Anthem, facultar missões, expedições livres cooperativas e participação nos strongholds (as tradicionais masmorras, com um grau de dificuldade acentuado e por isso quase só para prós), mas o jogo também funciona a nível single player, se quiserem. Podem jogar sozinhos, partindo para as missões acompanhados por npc's. É-vos dada essa possibilidade, a todos os que prefiram jogar como lobos solitários.

Mas, o que é Anthem?

Desde logo, Anthem é uma força - um poder - desconhecido. Os humanos tentam sobreviver no planeta por onde Anthem flui, um planeta belíssimo e luxuriante, recheado de cavernas e muitas surpresas, o que vos leva a conhecer melhor as origens deste poder misterioso, desenvolvendo pesquisas após as expedições, mas eventualmente encontram artefactos que possuem uma incrível força, produzindo efeitos como um lado negro, o oposto do belo, um propulsor de energia capaz de produzir eventos caóticos, como tempestades e abalos, destruindo as fundações, abrindo sulcos e expelindo lava, dando origem a uma espécie de auto-destruição. Os humanos infiltram-se nestes eventos caóticos, desenvolvem contratos e passam à exploração, encontrando inimigos e criaturas hostis que se servem precisamente dessa força.

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A BioWare tem planos para Anthem numa duração de 10 anos.

O jogo decorre num mundo que se pode definir como uma obra inacabada dos deuses. Estes criaram um mundo belíssimo, composto por fabulosos ambientes e paisagens idílicas. Inspirados pelos poderes de criação, os deuses criaram monstros e criaturas colossais, os primeiros habitantes do planeta. Mas a tarefa não ficou completa. Subitamente os deuses abandonaram a sua obra, deixando para trás poderosas ferramentas que por seu turno estão na base dos eventos que promovem esta auto-destruição. O poder destrutivo de Anthem também corrompe quem o possui e nesse desajuste, os humanos que lutam pela sobrevivência no planeta. Para tal servem-se dos Javelin, os Exosuits que transformam cada mortal num ser super poderoso, enfrentando quem se serve do poder de Anthem.

É uma batalha feroz, titânica. Os humanos dependem dos melhores pilotos dos Javelin, os chamados Freelancers, as pessoas mais hábeis no seu manuseamento. Descobrir e controlar os poderes que derivam dos Javelin, explorar Anthem e enfrentar valiosos inimigos, são as premissas desta nova aventura da BioWare.

Fort Tasis como reduto de paz e restabelecimento

Só um acompanhamento profundo das primeiras horas de jogo com Anthem nos levará a ter um melhor domínio e compreensão da estrutura narrativa. Porém, sabemos já que estes Freelancers há muito que estão empenhados na manutenção do planeta, em garantir o seu equilíbrio e de certo modo dar por concluída a criação dos deuses. Este talvez seja um plano demasiado ambicioso, pois as voltas para lá chegar serão imensas.

A BioWare tem planos para 10 anos com Anthem. Esta é uma franquia a longo prazo, com apoios sucessivos e sequelas, pelo que esta fase corresponde só ao topo do icebergue. Há muito mergulhado nas profundezas e no segredo dos deuses, ainda que este primeiro jogo nos mostre uma boa parte da obra.

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Grande parte das conversas e diálogos com npc's ocorrem em Fort Tasis.

Se até agora temos visto através dos vídeos muitas sequências de acção e combate, nos chamados "contracts", ou simplesmente a explorar o planeta, haverá momentos de pausa e preparação. É em Fort Tasis, um espaço seguro e tranquilo, que os humanos convivem e se sentem seguros das ameaças inimigas. É nesse reduto que estabelecem contacto, relacionamento e conhecem muitas histórias e narrativas sobre os antepassados.

É em Fort Tasis que podem melhorar o Javelin, melhorá-lo e pô-lo num nível capaz de enfrentar ameaças superiores com superior poder de fogo e resistência. Esta deriva para a componente role play é transversal aos jogos da Bioware, ainda que em Anthem a acção seja dominante, ao ponto de parecer central. No entanto, a história e componente narrativa terão mais uma vez grande impacto. Ainda que a quase totalidade do nosso tempo passado a jogar Anthem tenha sido a combater e explorar, não faltarão personagens que depressa assumirão protagonismo e centralidade. A componente cinematográfica terá por isso novamente destaque, através de diálogos bem estruturados, faltando ver até que ponto teremos consequências pelas respostas escolhidas e as diferentes acções nos levarão numa outra direcção.

Vestir o fato de um super-herói: o poder dos Javelin

Num planeta tão fascinante e belo, como gerador de eventos caóticos e destructivos, só o poder dos Javelin garante aos humanos alguma supremacia. A capacidade para manobrar e tirar proveito do poder ofensivo e defensivo destes exosuits dependerá dos pilotos e do nível de evolução, o que faz do Javelin um equipamento central em Anthem. Com ele o ser humano transforma-se num super-herói, capaz de enfrentar e anular vagas de inimigos. É uma imagem que ajuda a definir o jogo, pela sua versatilidade em poder de fogo, capacidade para gerar diferentes ataques, percepcionar o ambiente e transpor facilmente plataformas, tanto ao nível vertical como horizontal.

Uma imagem de marca destes Javelin é precisamente o poder de voo. Ainda que só possa ser executado de forma temporária, dá-nos uma incrível sensação de liberdade e velocidade. Podemos atravessar grandes plataformas efectuando voos rasantes, mas também aprendemos a usar este voo para adquirir uma supremacia aérea, disparando sobre os adversários a partir de um ponto alto, mesmo que isso nos deixe algo vulneráveis. Além disso, podemos usar várias armas, uma principal e secundária, para lá das granadas e dos poderes especiais, habilidades ligadas ao tipo de Javelin.

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Poderão entrar nos strongholds com o mesmo tipo de javelin, é garantida alguma versatilidade.

Existem quatro tipos de Javelin: Ranger, Colossus, Interceptor e Storm. O primeiro é o mais versátil, a opção mais indicada para quem queira começar a jogar sem entrar em poderes muito específicos. Ideal para a grande maioria das missões, destaca-se pela precisão no seu comando e capacidade para gerar dano no adversário. Já Colossus, é um Javelin pesado e fortemente armado, dotado de uma melhor armadura, grande poder de fogo, mas movimentos algo limitados e um pouco vagarosos. Interceptor é um Javelin atlético e elegante. O mais ladino de todos, óptimo para o combate próximo dada a sua capacidade evasiva, assim como os movimentos rápidos e letais. Storm é óptimo para a meia-distância, e tem no poder de congelamento dos adversários uma habilidade determinante, que lhe permite partir para uma série de combos devastadores. Quando bem utilizado pode ser esmagador.

O poder de voo, sendo embora a habilidade mais saliente quando desfrutamos dos Javelin, no entanto, não é ilimitado. Se deixarmos a barra de energia secar corremos o risco de drenarmos por completo a energia do "aparelho", deixando-nos num estado de quase desintegração, bem à mercê dos rivais. Há que saber gerir bem o tempo de voo, assim como os restantes poderes, através de uma interface limpa, minimalista e com bons atalhos para facilitar nos processos ofensivos. De resto, não estaremos limitados a um Javelin após a selecção inicial. É permitido adquirir outros exosuits e tirar proveito das suas habilidades em missões onde a sua utilização é mais eficaz. A BioWare deixa-nos escolher livremente, e ainda permite uma melhoria do equipamento, através de um nível de personalização elevado, compreendendo opções como pinturas, componentes, armas e lança-bombas.

Várias formas de jogar Anthem

Não é por acaso esta diversidade dos Javelin. As particulares habilidades e a sua natureza mais ofensiva ou defensiva promove consistência e equilíbrio na formação das equipas. Sendo Anthem um jogo online com uma componente cooperativa, é natural que os jogadores formem equipas que tirem partido do maior número de habilidades possível, conferindo vantagens e equilíbrio no avanço das missões.

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Haverá personagens relevantes, sobretudo os agents com quem criamos os contractos, as missões do modo história.

Estas constituem o eixo central de progressão em Anthem, onde para além de progredirem na história ainda adquirem equipamento e ganham experiência imprescindível à evolução das personagens. Essas missões são algumas das que pudemos jogar, através de contratos negociados por agentes, que por seu turno mantêm o contacto enquanto exploramos e tentamos atingir os objectivos. No final, o "loot" é recolhido e o XP acumulado. Antes de partirmos para a missão podemos emparelhar com mais jogadores, desde que tenhamos acesso aos servidores, para uma conexão rápida ou através de uma sala privada para os amigos que estejam ligados. Jogadas em cooperativo as missões tornam-se mais relevantes, possibilitando um trabalho de equipa e uma alternativa à progressão a solo, sempre mais árdua. Um bom teste é precisamente a selecção do nível hard, com adversários mais fortes e melhor equipados. No final da missão todos regressam a Fort Tasis.

Embora encontrem boas recompensas no decurso das missões, o melhor "loot" advém dos "strongholds", uma espécie de masmorras onde o grau de dificuldade é ainda mais elevado. Nestes redutos inimigos fortemente armados, todo o esforço colectivo será testado e a valentia será recompensada através de prémios diferentes e únicos. É aqui que se farão sentir as diferenças entre os jogadores casuais e veteranos. O grau de desafio é maior e só os Freelancers melhor preparados e mais eficazes serão vencedores.

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O destino da humanidade está nas mãos dos freelancers, os pilotos dos javelin.

A exploração livre será permitida, uma opção para voltar a jogar áreas percorridas, descobrir segredos e eventualmente encontrar um bónus que faltava. É também uma óptima forma de os jogadores se habituarem à arquitectura horizontal e vertical de Anthem.

Anthem a 60 fps no PC e a metade nas consolas

Bebendo influências de outros jogos dotados de componente online multiplayer, Anthem assimila os conceitos e apresenta-se com uma identidade bem vincada, sobretudo em termos artísticos, tanto nos Javelin, como no maravilhoso mundo descrito. O mundo de Anthem é repleto de luz, cor e um verde luxuriante, quase tropical. Mas também contrasta com os escuros das masmorras, onde os jogos de luz são mais evidentes.

Com uma impressionante direcção artística, a BioWare imprimiu um tratamento técnico de excelência. No PC, o jogo correrá a 60 fotogramas por segundo, produzindo uma fluidez invejável, sem o mínimo abrandamento mesmo quando as batalhas se tornam mais ferozes e os inimigos se aglomeram copiosamente. Nas consolas o valor cairá para metade, embora nos tenham informado de um tratamento técnico a decorrer numa fase posterior ao lançamento, que deverá elevar a versão para consola no mesmo nível do PC.

Em conclusão, Anthem é a próxima grande IP da BioWare, o começo de algo bem grandioso que se estenderá por um período de dez anos. É uma aposta funda no online cooperativo, como resultado de uma experiência acumulada ao longo dos anos. Depois de Mass Effect, Anthem perfila-se como um jogo categórico e superlativo, não fosse uma das mais experientes produtoras de role plays de acção estar ao leme. Neste evento riscamos apenas a superfície de jogo. O total de horas que se prevê após o próximo dia 22 levar-nos-á a um amadurecimento bem maior do impacto que Anthem pode causar para este e para os próximos anos.

O Eurogamer viajou até Londres, onde pode jogar Anthem num ambiente online, tendo a Electronic Arts custeado a viagem

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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