Lançado em Novembro de 2012, New Super Mario Bros. U (NSMBU) foi um dos jogos de lançamento para a Nintendo Wii U. A Nintendo apostou no regresso do canalizador no formato das aventuras 2D, o mesmo que está na sua origem; primeiro nas arcadas e depois na NES.

NSMBU consistiu numa sequela do jogo com quase o mesmo nome lançado para a Nintendo Wii (New Super Mario Bros. Wii), lançado três anos antes e por seu turno sequela de New Super Mario Bros., publicado para a Nintendo DS, em 2006. A unir estes jogos, para além da estética 2D, está a composição dos níveis à semelhança de Super Mario World, título publicado em 1990 para a Super Nintendo e tido como um dos expoentes máximos nos jogos 2D da série.

O jogo da clássica 16 bit da Nintendo ainda hoje é extremamente interessante no seu conceito e level design, ao ponto de ser discutível se as sequelas e as mais recentes produções ultrapassaram grande parte dos seus feitos.

Em todo o caso, o brilhantismo e a forte representação dos níveis do antigo cartucho ombreiam sem grande estremecimento perante novos cenários, mundos e investidas da série Super Mario Bros. no contexto em 2D.

Super Mario Maker veio recentemente introduzir uma particularidade: os desafios e níveis criados pelos jogadores. A sua base é um saco de ferramentas que em pouco fica a dever aos instrumentos utilizados pelos programadores na construção de novos mundos, ainda que em moldes limitados, dentro daquilo que se pode chamar de área disponível. Ainda assim, proporcionou um arejamento e as comunidades revigoraram com a construção de níveis difíceis. Foi como um bálsamo.

Entretanto seguiu-se a enorme e original aventura de Super Mario em 3D, com Super Mario Odyssey, numa produção que abriu novos mundos e áreas. Mas se uma eventual sequela ainda está por revelar, os planos da Nintendo para a Switch passam por oferecer remasterizações de jogos lançados na predecessora Wii U, que como se sabe não foi uma consola bem sucedida.

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Luigi é mais difícil de controlar e com isso muda por completo a abordagem aos obstáculos.

É um tanto questionável a sua publicação, face a um sempre desejável novo desenvolvimento, uma tentativa de ir ao encontro de novas ideias num género (plataformas 2D), que apesar de alguns regressos e novas produções sobretudo pelas produtoras independentes, é talvez dos mais difíceis de melhorar e expandir com novas ideias sem causar celeuma.

NSMBU foi o último jogo a consegui-lo, com bons resultados, diga-se. Esta edição não dá o passo que muitos fãs gostariam de ver concretizado - a tal evolução, mas recupera um dos melhores jogos da série. Esta edição inclui o conteúdo adicional New Super Luigi U que adiciona novos challenges e um modo turbo, cimenta o termo Deluxe. É um jogo dirigido aos fãs da série, assim como aos mais novos ou aqueles que o tenham ignorado em 2012.

Ainda que Super Mario Odyssey ostente mundos em 3D e injecte uma grande sensação de profundidade e cor nos níveis, este formato 2D de NSMBUD assenta muito bem no ecrã da Switch. É um jogo que se joga muito bem no formato portátil, tanto nos níveis clássicos como nos árduos e incisivos desafios, derivados do recente Super Mario Maker e que voltam a mostrar-se úteis.

Pensando nisso e no aliciante das comunidades pela captura dos vídeos das corridas - há quem veja esta aventura 2D de Super Mario como um jogo de corridas, uma corrida acelerada e por obstáculos até à meta, a Nintendo adicionou um vasto segmento de vídeos para os múltiplos desafios disponíveis (precisam de ligação à internet para os ver).

Alguns vídeos podem dar a ilusão de ver para crer, mas o efeito é mesmo para aprender a suplantar os obstáculos, porque tanto se pode fazer com base no salto (triplo salto) e corrida acelerada, através de obstáculos localizados e pontos específicos de contacto num apertado espaço temporal.

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O regresso do mapa mundo é uma das mais-valias de NSMB, continuando as múltiplas saídas e áreas/níveis secretos.

Os desafios constituem uma parte da novidade e funcionam muito bem como aditivo para a grande aventura. Começam simples e sem grande dificuldade, até que surgem desafios com mais estrelas e consequentemente mais árduos. Alguns são verdadeiramente diabólicos, exigindo um nível de perícia que qualquer fã da série se recorda e paulatinamente tenderá a colocar em prática.

Em parte é o que sucede a partir do momento que acedemos ao modo história em New Super Luigi U. Controlar o irmão de Super Mario é um tanto mais periclitante: Luigi salta mais alto mas ao cair e para reduzir a velocidade depois de uma corrida, acaba por escorregar, o que é um bico de obra para o manter firme em plataformas mais apertadas.

Além disso, há uma redução substancial do tempo limite para concluir os níveis (os mesmos da história original), transformados numa luta contra o relógio. O impacto deste modo é significativo, até porque muda completamente a percepção e a abordagem aos obstáculos. É mais difícil controlar Luigi, sobretudo em espaços apertados onde é fácil escorregarmos para o abismo. Mas o prazer de conclusão do desafio mantém-se.

De resto podem jogar a aventura original com as quatro personagens originais: Mario, Luigi, Toad e o famoso coelharápio, com a novidade a recair na dupla Toadette/Peachette, esta claramente indicada para quem não procura um desafio mas tão só completar os níveis. É que todas as vezes que a Toadette adquire a coroa real, transforma-se numa Peachette, capaz de efectuar um duplo salto e planar entre as plataformas, num acto de invencibilidade. É o lado oposto da perícia que tanto se tornou marca na série 2D, embora possam sempre jogar com as personagens convencionais.

Para lá dos desafios, existem dois modos de jogo adicionais: Boost Rush e Coin Battle. O primeiro consiste numa corrida alucinante até à meta. A velocidade aumenta drasticamente e terão que correr, saltar e acertar nas moedas sem o mínimo abrandamento, sob pena de deixarem a bandeirola orfã. No segundo modo, os jogadores lutam pela obtenção de moedas numa área fixa constituída por várias plataformas. Além disso, os espaços podem ser editados pelos jogadores.

Apesar dos seis anos passados desde a publicação do original, a posição intermédia ocupada por Super Mario Maker deixou no activo os desafios de Super Mario no seu formato 2D. Seria mais desejável uma nova aventura em 2D, com novos e mais conteúdos, capaz de expandir os conceitos, níveis, power ups e personagens dos jogos anteriores.

A Nintendo opta por conciliar as aventuras 2D de Super Mario na Switch através de uma remasterização, mas ainda assim é inegável como um dos pontos altos da série e uma das mais apuradas e completas produções depois de Super Mario World. Não faltam dicas e opções para os novatos na série, para seguirem em vídeos exemplificativos, enquanto que os veteranos encontram um desafio à medida. São mais de 160 níveis, para jogar diante do televisor, ou em qualquer lado.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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