Um shooter old school que tanto promove divertimento imediato como exibe falhas, mas é também um jogo que introduz significativas melhorias.

Já vimos isto acontecer. O planeta terra sacudido por insectos gigantes, tapando o sol com a sua volumetria e espalhando o caos pelas grandes cidades. Criaturas alienígenas que se assemelham a vespas, aranhas e formigas da pior espécie. Se uma consegue impressionar, vê-las às dezenas é aterrador. A sua dimensão bestial reduz quase ao absurdo o humano militar empenhado na desinfestação da sua casa tomada de assalto, ao ponto de parecer um pequeno ser minúsculo numa bem montada inversão de papeis que é EDF. A ideia grassa há mais de dez anos e as suas origens remontam ao tempo da PlayStation 2 (2003), quando a editora japonesa D3 Publisher lançou o primeiro jogo - simplesmente Monster Attack - na consola da Sony.

Até Earth Defense Force 5 a série ganhou consistência e encontrou uma audiência fiel, que sabe que a produção é modesta e que o orçamento para uma nova entrada em pouco excede o anterior, mas não se pense num desperdício de recursos. Isto é como um filme de acção série B. Mais do que desenvolver o capítulo gráfico, colocar uma narrativa com personagens de Hollywood e recorrendo a argumentos melodramáticos, os japoneses da Sandlot melhoram uma fórmula especialmente assente na jogabilidade e no extermínio destes seres que rebentam como balões, lançando um líquido amarelo, quando lhes apontamos uma arma e disparamos pela certa. É nisso que está o sucesso.

Tal como em anteriores jogos da série, o nosso objectivo passa por progredir ao longo de uma centena de missões independentes, a sós ou acompanhados por outros jogadores por via online, partindo da tal invasão levada a cabo pelos insectos, desta vez com uma novas criaturas alienígenas. O sistema de classes de personagens, armas e objectos, injectam uma agradável variedade. Diferentes combinações para um estilo de combate à nossa medida.

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Prestes a levantar voo.

Acção em larga escala, centenas de insectos gigantescos, constante poder de fogo e um pendor arcade "old school" como só os japoneses conseguem criar (para mim Vanquish ainda é o supremo shooter na terceira pessoa de origem japonesa), voltam a resultar neste número 5 de Earth Defense Force. A fórmula renova-se, sem grandes alterações ou revoluções. Mas encontra mais consistência e ganha um ritmo significativamente melhor num sistema capaz de maior desenvoltura, ainda que tenhamos controlos muito parecidos e mecânicas herdadas dos jogos anteriores. Não quer isto dizer que devam ignorar este jogo se jogaram algum anterior (Earth Defense Force 2025 é uma versão melhorada do original lançado na Xbox 360 e PS3). Se jogaram algum anterior, é bem provável que se sintam tentados a experimentar este número 5 e a salvar mais uma vez a terra dos monstruosos insectos.

No papel de um militar anónimo, desejoso por integrar a mítica EDF mas sem ter patente para isso, somos surpreendidos numa operação de simulação que rapidamente evolui para o descontrolo quando os insectos penetram no interior das instalações militares. A fase de "tutorial" não diz nada de muito novo a quem conheça a série, e logo aí entramos na ginástica mental e no trabalho da mira para acertar com rapidez. Sem "lock on" automático, fazer pontaria exige mais esforço, mas a rotação da perspectiva e os movimentos da personagem são precisos, rápidos e dão garantias de bom desempenho.

Chegados ao exterior depois de percorrida a fase de adaptação, entramos nos eixos. Os mapas são grandes e o combate feroz e árduo começa nesse instante, através de vagas consecutivas de gigantescos insectos que tornam a nossa actividade, mais do que um plano de sobrevivência, uma estratégia de aniquilação. No final de cada missão somos contemplados com uma nota da nossa performance. Esta será tão melhor quão mais eficientes formos no aproveitamento da classe. Antes de partirmos para uma nova missão temos que escolher uma classe. Existem quatro categorias: Ranger, Wing Diver, Fencer e Air River.

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Dança comigo.

O primeiro é transversal e a opção segura para quem queira começar a jogar sem passar por grandes maçadas a nível ofensivo ou defensivo. Foi a minha primeira escolha e resultou bem, pelo menos na fase inicial. No entanto, a natureza específica de algumas missões obriga-nos a eleger outras categorias. A Wing Diver é uma classe que tem nos propulsores e nas armaduras não só uma maior capacidade de defesa como desenvoltura aérea, o que é óptimo para enfrentar adversários voadores. Já os soldados Fencer, com os seus poderosos "exoskeletons", possuem uma grande capacidade de resistência e um especial poder de fogo (a "Blast Hole Spear) mas são pouco lestos e apesar da resistência não deixam de ser vulneráveis perante um enxame. O Air Rider integra uma categoria diferente, capaz de requisitar apoio aéreo (através de ataques precisos) e obter veículos.

Nalgumas missões é quase imperativo o recurso a uma específica classe, embora não estejam dependentes dela para a cumprir. Os objectivos estão identificados à partida e há um briefing sobre a missão. Grande parte da acção tem lugar no exterior. Os monstros invadem cidades, trepam pelos edifícios, sobem aos telhados das casas, criando uma vaga de destruição e caos impressionante. Isto é reforçado a partir do momento que recorremos ao equipamento para neutralizar e erradicar as ameaças. Existem para cima de 1000 armas, o que é um número impressionante, mas terão que acabar as missões mais difíceis e num grau de dificuldade elevado se quiserem aceder a todas. Além disso, poderão melhorar e adaptar o vosso equipamento bélico, para uma vaga de ataques avassaladores.

E bem vão precisar já que os inimigos estão longe de se resumir aos insectos gigantes. Alienígenas humanoides integram pela primeira vez as fileiras. Trata-se de seres dotados de inteligência e oriundos do planeta "Primer". Estas criaturas são fortes e revelam uma capacidade de combate letal. Nos mapas maiores a utilização dos veículos é fundamental, tanto para chegar depressa a um ponto distante, como a estabelecer uma espécie de barreira. Pena que o sistema de condução não seja o melhor, mas convém referir que nem sempre estarão a conduzir.

De arma apontada aos alienígenas, num combate aparentemente desigual, é assim que passam a maior parte do tempo. O sistema de "dash" podia estar melhor implementado, evitando que a personagem se deslocasse apenas em linha recta. É o elemento menos conseguido já que nos restantes mecânicas não há muito a apontar. O sistema de pontaria é equilibrado e se perdemos é por nossa incúria.

À semelhança dos jogos anteriores, o grafismo nunca foi o forte de Earth Defense Force. A resolução é boa, a acção é fluida e os movimentos da nossa personagem são mais elegantes, tudo optimizado para um desempenho convincente. No entanto, não é um jogo muito elaborado, cheio de requintes, detalhes, grandes vistas, jogos de luzes, ou cenários marcantes. Tudo está construído para uma determinada finalidade: proporcionar acção rápida e imediata e por isso os gráficos menos elaborados servem apenas o propósito da chacina. Também aqui Earth Defense Force 5 não faz muito diferente dos jogos anteriores. As premissas e os elementos do jogo são mais ou menos os mesmos. Mesmo com mais de 100 missões, há uma rotina que se instala, intervalada por algumas "boss fights" assombrosas. Podem sempre jogar a solo, ou em modo cooperativo online até 4 pessoas (com um amigo em ecrã dividido), a totalidade das missões. É a maior batalha alguma vez desenhada num Earth Defense Force. Desta vez o planeta corre um sério risco.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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