Será que a Avalanche consegue colocar a franquia Just Cause de volta no bom caminho? A chegada da última entrada da série nesta semana mostra a produtora a ampliar as suas ambições para o jogo: física ainda mais insana, tarefas mais diversas, missões mais repletas de acção e a chegada de condições climáticas adversas espalhadas por quatro biomas diferentes. Tendo em mente os problemas que o último jogo tinha nas consolas, será que a produtora deu um passo maior que a perna? Parece ir contra as probabilidades mas a verdade é que Just Cause 4 consegue comportar-se devidamente - o jogo é muito mais desafiador no hardware das consolas e, no entanto, o desempenho apresentado é uma melhoria abismal em relação ao seu antecessor.

O que gostamos sobre a série permanece em vigor aqui - o mundo aberto é vasto e Rico Rodriguez pode explorá-lo como achar melhor, fazendo uso da sua própria marca de justiça explosiva - mas nota-se um maior esforço para empurrar os sistemas do jogo e obter um efeito ainda mais espectacular. Impulsionadores, airlifters e retractores adicionam mais utilidade ao sistema de garras e para além de subirem a fasquia em termos de destruição, abrem também a porta para alguns enigmas básicos. Novas armas mostram alguma imaginação ao nível da Insomniac e, desta vez, iron sights estão disponíveis desde o início, adicionando uma precisão muito necessária à detonação. Manuseio de veículos? Isto tem sido um foco para a Avalanche também, com melhorias significativas no último jogo.

A chegada de condições climáticas adversas também é um ponto alto - tornados podem atravessar aldeias, cidades e bases, colapsando pontes, arrancando todo o cenário e veículos destrutíveis do solo, enquanto ventos de alta velocidade durante uma tempestade de areia levam a destruição a um patamar superior. E dependendo da consola onde jogas, tudo corre sem problemas - na maioria das vezes. Sim, a Square-Enix prometeu um maior ênfase num desempenho suave durante a produção do jogo mas, tendo em conta as quedas graves em Just Cause 3 e a quantidade de vezes que os gamers foram decepcionados pelo desempenho menos bom do CPU das Jaguars da geração actual, é fácil ser pessimista no que diz respeito à sequela, especialmente com o sistema de física empurrado ao extremo.

Então, como é que a Avalanche resolveu a situação? Para começar, a maior parte do jogo foi recodificada a partir do zero para melhorar o desempenho - com um foco particular em mover o sistema de física Havok para absorver todos os núcleos de CPU disponíveis. Em segundo lugar, a Avalanche trabalhou muito no lado gráfico, reduzindo o impacto que grandes explosões têm na potência da GPU e, ao mesmo tempo, introduzindo escala dinâmica da resolução em todos os sistemas, e é aqui que são feitas negociações - uma que é particularmente notável nas máquinas base.

Todas as consolas testadas - dá uma olhada à forma como Just Cause 4 opera em diferentes plataformas, com a Xbox One X em vantagem.

É claro que este é o primeiro título de Just Cause a chegar numa época onde existem também consolas aprimoradas, sendo que ambas apresentam actualizações significativas de frequência de CPU sobre as suas equivalentes mais fracas - e com muito mais poder de GPU. Em termos de especificações, a Xbox One X leva o ponto, oferecendo uma resolução de 3840x2160 mas mantendo-se com mais frequência nos 1440p quando o motor do jogo está sob carga significativa. A Square-Enix diz-nos que o scaler aqui pode cair para 1080p mas, se isso acontecer, é muito raro - é de longe a apresentação mais limpa entre todos os lançamentos para consolas. A PlayStation 4 Pro é escalável entre 1080p e 1440p, mas descobrimos que a extremidade inferior da escala é mais comum em cenas de acção.

A Square-Enix também diz que estamos a olhar para um máximo de 1080p e 900p na PS4 e Xbox One, respectivamente, mas ambas as máquinas podem atingir um mínimo de 720p - e isso acontece com frequência suficiente para conferir uma apresentação muito granulada durante a maior parte da duração. A PS4 tem uma borda de resolução - como as imagens de comparação nesta página demonstram - mas é uma clara redução na clareza das duas máquinas em comparação com JC3. Resolução é o preço a pagar por um desempenho mais suave de Just Cause 4 e o principal compromisso feito pela Avalanche, mas é surpreendente que, fora dos nossos exemplos de contagem de pixels, apenas a Xbox One X oferece uma grande variedade de resoluções diferentes do sistema DRS.

Eu diria que, mesmo com estas contrapartidas, as variações de pixels em Just Cause 4 não são assim tão graves, já que o aumento de desempenho em relação a JC3 é profundo. A versão mais suave do grupo é a PlayStation 4 Pro, que mal se move do alvo de 30fps, independentemente da intensidade da acção no ecrã. Ela é seguida de perto pela Xbox One X; sim, ela tem uma grande vantagem visual sobre a Pro e, enquanto ela está bloqueada nos 30fps, surgem frames perdidos ocasionais - quase sempre invisíveis durante a acção. A PlayStation 4 base segue-se na lista. Como seria de esperar de uma máquina com a maior base instalada, esta é efectivamente a plataforma principal e, em termos de desempenho, consegue equiparar-se às máquinas melhoradas, com uma desaceleração apenas ocasional.

Xbox One XPS4 ProPlayStation 4Xbox One
Esta imagem define o panorama - a resolução é o principal diferencial. É um jogo pesado em pós-processamento mas renderiza em 4K na Xbox One X, 1440p na PS4 Pro, 1080p na PS4 base e 900p na Xbox padrão. A escala de resolução dinâmica na escala horizontal também é usada.
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Esta imagem demonstra que, juntamente com o diferencial de resolução, as consolas aprimoradas também recebem texturas melhores. O renderizador é totalmente dinâmico - e isto inclui a iluminação - o que pode explicar as diferenças no sombreamento da folhagem.
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O rosto de Rico aqui é outro exemplo decente que destaca as diferenças de resolução entre as quatro versões.
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À medida que aumentamos a escala de poder das consolas, a definição da folhagem no plano de fundo beneficia da resolução extra.
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Há uma divisão clara nos reflexos screen-space entre as versões base e as máquinas aprimoradas, possivelmente devido às variações na resolução.
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Uma curiosa falta de iluminação aqui na Xbox One, mas todas as versões parecem correr com efeitos alfa de resolução igual.

Isto deixa a Xbox One padrão, mais uma vez, separada na parte inferior da pilha. A máquina básica da Microsoft ainda oferece uma grande melhoria em relação aos rácios de fotogramas de Just Cause 3, mas espera ver quedas frequentes no desempenho. Deves estar à espera que a queda na resolução seja mais que suficiente para igualar o desempenho com a versão PlayStation 4 do jogo, mas lidar com os efeitos de alta largura de banda exige praticamente o uso da ESRAM, que está em escassez tendo em conta os requisitos dos jogos actuais.

O plano da Avalanche é revisitar como a ESRAM é utilizada num futuro patch com o objectivo de melhorar o desempenho, mas parece que a memória embutida é provavelmente a razão pela qual a Xbox One base tem algumas dificuldades - e não apenas neste jogo, mas também num monte de lançamentos recentes. Com a chegada da consola aprimorada X, três das quatro consolas principais contam agora com memória GDDR5 unificada e de alta largura de banda - uma configuração mais conveniente para as produtoras.

Com base no que vimos do jogo em todas as consolas até agora, o desempenho é claramente um passo importante, e espero que a Avalanche continue a fazer melhorias. Um pouco mais de polimento também seria bem-vindo - o sistema de streaming de textura pode ocasionalmente parar, deixando a arte de baixa resolução no ecrã, ou então Rico pode ficar ocasionalmente preso em pontos apertados no mapa, até que o fogo inimigo me lance de novo para a liberdade. O sistema de menus também é lento e demora a responder, enquanto que a geometria e o pop-in de sombra em altitude podem ser um pouco perturbadores. Mas algumas das outras "estranhezas" e "esquisitices" que testemunhei durante o jogo adequam-se perfeitamente a um jogo Just Cause - e alguns dos percalços baseados na física podem ser hilariantes.

De uma forma geral, o que joguei de Just Cause 4 sugere um jogo que cumpre as promessas feitas de um jogo mais ambicioso, com mais variedade e mais destruição baseada em física, sem comprometer a performance que foi problemática no seu antecessor. A cereja no topo do bolo? Os tempos de loading foram melhorados com transições de 10-15 segundos entre os níveis - e nada de longas esperas quando perdes uma missão. Este é mais um exemplo de como a Avalanche respondeu ao feedback dos fãs e regressaram com uma sequela mais rápida e suave. Dito isto, Just Cause 4 não é perfeito de um ponto de vista técnico: a escala dinâmica parece demasiado agressiva na PS4 e Pro, e o desempenho da Xbox One base merecia alguma atenção. O factor diversão, felizmente, está bem presente - e, desta feita, o motor do jogo não se intromete na tua aventura.

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Sobre o Autor

Richard Leadbetter

Richard Leadbetter

Technology Editor, Digital Foundry

Rich has been a games journalist since the days of 16-bit and specialises in technical analysis. He's commonly known around Eurogamer as the Blacksmith of the Future.

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