Resident Evil 2 de 1998 foi o meu primeiro jogo de terror. Admito que, quando o joguei pela primeira vez, tinha uma idade inapropriada para os conteúdos violentos, sangrentos e terroríficos do jogo da Capcom (felizmente não fiquei traumatizado!), mas despertou em mim um fascínio por este género que perdura até hoje. Recordo-me bem do momento em que o Licker passa rapidamente pela janela, não sendo possível imediatamente perceber a sua forma, mas deixando-nos com o pé atrás para abrir a porta e enfrentar o que vem a seguir. Esta criatura horrenda não aparece logo a seguir à abertura da porta, mas uns metros mais à frente, surgindo do tecto, numa cinemática que gela o sangue quando vemos claramente todos as suas características horrendas: uma criatura sem pele, com uma língua gigante e dentes aguçados.

Regressar a Resident Evil 2 tantos anos depois é, como não podia deixar de ser, um momento nostálgico, mas não é a nostalgia a falar quando digo que o remake que a Capcom está a fazer para PC, PS4 e Xbox One é dos melhores remakes que já joguei. Um dos meus receios com o remake de Resident Evil 2 era que a Capcom se aproximasse demasiado da fórmula de Resident Evil 7. É um jogo excelente, não me entendam mal, mas as bases que apoiaram o sucesso de Resident Evil 2 quando foi originalmente lançado são diferentes das bases que apoiam Resident Evil 7. Ambos pertencem ao género de Survival Horror, mas estão longe de serem experiências iguais.

O trabalho que a Capcom está a fazer com o remake de Resident Evil 2 é exactamente aquilo que espero de um jogo destes: modernizar os aspectos mais arcaicos mas sem nunca fugir aos traços característicos da experiência original. O equilíbrio que a Capcom alcançou é quase perfeito. De fora ficaram os controlos arcaicos e os ângulos de câmara fixos em cada cena, mas a claustrofobia dos corredores apertados, o medo indivíduo pelos zombies e a gestão cuidadosa do inventário (que é limitado, mas poderá ser aumentado ao longo do jogo) foram preservados. Desde o primeiro minuto que senti que estou mesmo a jogar Resident Evil 2, mas numa versão que cumpre todos os requisitos de um jogo moderno.

A demo a que tivemos acesso na Lisboa Games Week começa na mansão de Raccoon City que serve de departamento da polícia. Os controlos estão muito suaves e funciona basicamente como um jogo de tiros na terceira pessoa, mas desengana-te se achas que isto é um jogo de acção. Poder controlar livremente a mira da arma que temos equipada é uma adição bem-vinda (e necessária!) comparativamente à versão original, mas a Capcom arranjou uma forma de abrandar o ritmo. Quando apontas inicialmente a pistola a mira está mais alargada, e só passados uns segundos é que começa a ficar mais pequena e precisa. Ainda tens liberdade para disparar seguidamente, mas como não tens tanta precisão, é mais difícil acertar na cabeça. O ideal é, portanto, esperar entre tiros, mas quando temos um zombie faminto a vir na nossa direcção, é impossível não ficar ansioso e receoso.

O remake de Resident Evil 2 também recupera o medo em outrora associado aos zombies. Os videojogos, filmes e séries de televisão banalizaram demasiado, nos últimos anos pelo menos, estes seres sobrenaturais, ao ponto em que já não metem medo nenhum. Felizmente, Resident Evil 2 resgata e repõe o respeito que os zombies merecem! Nos corredores apertados e sem luz do departamento de polícia de Raccoon City, apenas com a lanterna de Leon S. Kennedy a servir de iluminação, é completamente aterrador quando um zombie se começa a deslocar lentamente na nossa direcção. A ajudar a isto está a direcção artística fenomenal dos zombies. Têm um aspecto horrível, com olhos já sem vida, com a boca cheia de sangue e alguns com a carne a saltar à vista. É nojento, assustador e simultaneamente entusiasmante!

"Resident Evil 2 resgata e repõe o respeito que os zombies merecem!"

Os complexos puzzles que em muito caracterizaram os primeiros Resident Evil 2 estão presentes no remake e não há como ignorá-los. O mais surpreendente, é que tens de prestar atenção aos documentos de texto e pistas que vais encontrando para resolvê-los. É uma medida arrojada da Capcom, mas bem-vinda. É mais uma amostra de que o remake de Resident Evil 2 não é um simples jogo de matar zombies e que vais precisar de colocar o cérebro a trabalhar para continuar a progredir. É curioso que, tantos anos depois do lançamento da versão original, ainda não exista nenhum jogo exactamente igual. Há sem dúvida muitos jogos de zombies por aí, mas nenhum deles é como Resident Evil 2. Para quem nunca jogou o original, descobrir tudo o que o jogo tem para oferecer neste remake promete ser uma experiência incrível.

Mesmo sem as condições ideais (as estações de demo na Lisboa Games Week não tinham som nem headphones), ficamos absolutamente rendidos com Resident Evil 2. Esta demo, embora não revele muito, deixa antever que estamos perante um remake da maior qualidade possível. A única coisa que me pareceu precisar de um ajuste são as facas, que desgastam-se demasiado rápido (simplesmente não é realista). Tirando isto, não consigo ver de que forma é que a Capcom podia ter feito um trabalho melhor. A jogabilidade está sólida e responsiva, a atmosfera é aterradora, os puzzles são desafiantes e os gráficos modernos dão uma nova vida a Resident Evil 2. Com data de lançamento marcada para 25 de Janeiro, 2019 promete começar em grande com Resident Evil 2.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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