Em plena Continental Cup 2018 tivemos a oportunidade de estar alguns minutos à conversa com Gonçalo "RastaArtur" Pinto, o representante luso na competição organizada entre a Sony CEE e a Electronic Arts, que teve lugar nos dias 26, 27 e 28 de Outubro, no evento Paris Games Week. Para o jogador português esta foi uma oportunidade para se estrear nas competições internacionais e logo ao mais alto nível, com jogadores de diversos países do mundo. Depois do apuramento em Portugal, rumou à capital francesa para testar as suas forças.

Apurando-se no seu grupo com uma derrota e duas vitórias, o segundo lugar deu-lhe acesso aos oitavos-de-final, defrontando um rival alemão, perdendo a eliminatória por um equilibrado 5-4. No entanto, o quarto golo, marcado nos instantes finais de uma partida recheada de emoções, foi validado pelo júri que acompanhou a prova como sendo o melhor do torneio. Um prémio justo pela prestação positiva nos quatro jogos. Entre os melhores do mundo a competição é mais cerrada, mas o jogador do Sporting CP Esports espera dar continuidade aos bons resultados já na FIFA Global Series, uma prova cuja presença depende de pontos amealhados para o ranking e que terá lugar no próximo mês.

Eurogamer: Podes fazer a tua apresentação?

Gonçalo Pinto: Sou o Gonçalo Pinto, jogador do Sporting de Esports. Jogo FIFA profissionalmente há três anos. Depois de vencer vários torneios em Portugal tive a oportunidade de este ano vir representar Portugal neste torneio organizado pela PlayStation.

EG: Foi para ti um sonho, vir aqui a esta Continental Cup jogar entre os melhores do mundo?

GP: Eu trabalhei muito desde que comecei a jogar. Sempre tive a ambição de chegar um dia a estes palcos. Felizmente para mim, na outra semana também consegui outra qualificação para um torneio que vai dar acesso ao campeonato do mundo, torneio realizado 100% pela EA Sports, que é o sonho de todos os jogadores de FIFA chegarem lá para a época começar a correr muito bem. Felizmente na semana passada consegui, já tinha conseguido há duas semanas qualificar-me para este torneio, portanto este início de FIFA tem sido muito bom para mim.

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Gonçalo Pinto, a jogar os oitavos-de-final da Continental Cup, num espaço magnífico.

EG: Como é que vês este crescimento ao nível dos torneios? Vocês são jogadores profissionais, tens um contrato com o Sporting. Estes torneios são a evolução perfeita dentro daquilo que ambicionam enquanto jogadores?

GP: Em Portugal com a entrada da FPF Esports isso ajudou bastante. Até então não tínhamos torneios com dinheiro. Desde que a FPF entrou há mais de um ano, com dinheiro e investidores e agora esta iniciativa da PlayStation com o qualificador português para este grande evento, são torneios muito importantes para Portugal. Por cá as coisas estão mais evoluídas.

EG: Como está a competição ao nível nacional? Sagraste-te vencedor do qualificador em Portugal que te deu acesso a este torneio. Como está o nível de competição para depois chegarem a estes torneios?

GP: Eu já defendo isto há algum tempo, para quem me acompanha, que em Portugal temos jogadores muito bons, ao nível destes jogadores que estão aqui, destes que vão jogar a final. Também temos essa qualidade, simplesmente não temos tanto investimento que nos possibilite estar cá mais vezes. Mas em Portugal a qualidade é muito grande. Foi muito difícil conseguir a qualificação, é muito difícil ganhar torneios em Portugal, não é fácil. Depois é dar o salto. Como em tudo o nosso país está sempre atrás. A qualidade existe, há muitos jogadores. No futuro, talvez ainda neste FIFA, possamos ter mais jogadores a representar Portugal.

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O jogador do Sporting não saiu de mãos a abanar. Para além de um prémio monetário pela passagem às eliminatórias, ainda viu o seu esforço premiado pela atribuição do júri ao melhor golo do torneio.

EG: Na relação profissional que tens com o Sporting em que é que isso se traduz, o apoio que recebes da parte do clube?

GP: É um apoio que me permite estar a fazer esta carreira em "full time". Eu tenho 19 anos, acabei o 12º ano há um ano atrás e neste momento estou só a fazer de Esports a minha vida, também com a quantidade de torneios que venci em Portugal os prémios monetários asseguram-me já, juntamente com o salário do Sporting, poder fazer disto vida, para depois poder lutar para estar aqui. Cada vez é mais difícil acompanhar os jogadores lá fora porque são todos profissionais e essa é a maior diferença para os jogadores em Portugal, já que são poucos os que podem fazer disto vida.

EG: Neste torneio foste eliminado nos oitavos de final, ficaste com alguma amargura, mas tens já o próximo torneio. Achas que tens a possibilidade para vingar um pouco esta derrota?

GP: Obviamente. Eu vim para este torneio com a missão de vencer, mas sabia que ia ser muito difícil porque é a minha primeira experiência num grande palco destes. É a minha primeira experiência nesta versão do jogo de Esports porque é diferente da que jogamos em casa. Eu sabia que ia ser muito difícil, tinha que ser passo-a-passo. Passei os grupos mas também não tive sorte, apanhei três grandes jogadores, aliás um dos finalistas, o jogador alemão e um dinamarquês que também está a explodir. Foi um grupo muito difícil. Infelizmente nos oitavos-de-final mesmo que eu tenha definido como um mínimo para ter um saldo positivo no final deste torneio. Para além de já recebermos 500 euros recebemos "pro points" que é o que vai acumular para o ranking da EA para depois nos classificarmos para o campeonato do mundo. Considero que foi um saldo positivo. Infelizmente perdi nos oitavos-de-final, obviamente queria ter chegado mais longe, mas o jogador alemão esteve muito bem e conseguiu a espaços e com mais experiência destes palcos que eu, matar o jogo em momentos decisivos. Em relação a isso dou-lhe os parabéns. E no próximo torneio da EA, para o próximo mês, tentar chegar mais longe do que os oitavos de final.

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EG: Como é que vês a evolução do jogo FIFA, a transição para o FIFA 19?

GP: Há uma grande diferença entre o FIFA 18 e o FIFA 19. Para muita gente o FIFA 18 era um jogo secante, tinha pouco interesse. A comunidade FIFA queixava-se do jogo e queria uma mudança completa. Este ano temos o jogo mais engraçado. Considero que neste momento o jogo é para todos, para os amigos que jogam em casa uns com os outros. FIFA abriu-se completamente para todo o tipo de jogadores da comunidade. A versão Esports é diferente, nós podemos jogar com todos os jogadores no modo de jogo Ultimate Team e podemos escolher a equipa que quisermos. É um processo muito bem feito pela EA, estou a gostar muito e espero que mantenha esta versão e que continue a evoluir.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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