Ex-Rockstar diz que "era como trabalhar com uma arma apontada à cabeça durante 7 dias por semana"

Diz que a gerência exigia o mesmo horário para toda a equipa.

Red Dead Redemption 2 promete tornar-se num autêntico colosso desta indústria, mas ao longo dos últimos dias tem sido notícia por motivos menos felizes.

Numa recente entrevista, na qual revelou vários números relacionados com o jogo e partilhou que duraria cerca de 65 horas, Dan Houser disse que os funcionários da equipa trabalharam 100 horas durante várias semanas para cumprir com os objectivos e calendário.

As suas palavras despertaram novamente o controverso tema do crunch e várias figuras da indústria reagiram ao que Houser disse, como é o caso do veterano Adam Boyes que relembra semanas com 118 horas de trabalho ou dias sem ir a casa.

Horas mais tarde, após a publicação da sua entrevista, Houser respondeu com um esclarecimento ao Kotaku sobre o seu comentário, dizendo que apenas se referia à equipa de quatro pessoas que representam os principais responsáveis pelo jogo e que não obrigavam ninguém a trabalhar as mesmas horas.

No entanto, as suas palavras relembraram de imediato a controvérsia de 2010 com as esposas da Rockstar e as constantes críticas de ex-funcionários sobre um local extremamente tóxico que afecta a saúde dos funcionários.

Logo após a publicação do artigo, vários ex-funcionários reagiram e relembraram o duro crunch e a postura severa da gerência, como conta Dylan Wilderman que trabalhou no desenvolvimento de Grand Theft Auto 5 ou Jenn Sanderock que fala de uma incrível pressão sobre a Team Bondi por parte da Rockstar Games para terminar L.A. Noire.

Após o esclarecimento de Houser ao Kotaku, Jason Schreier, autor do livro "Blood, Sweat, and Pixels" que qualquer adepto desta indústria deveria ler, não ficou completamente convencido das palavras do gestor da Rockstar Games e pediu aos ex-funcionários para o contactarem para partilharem as suas experiências.

Schreier disse que o poderiam contactar anonimamente, mas muitos ex-funcionários não se importam de partilhar publicamente as suas experiências na Rockstar Games para ajudar o jornalista a criar um artigo que revele finalmente o clima tóxico em torno da famosa companhia.

Job Stauffer é uma das pessoas que contactaram publicamente Schreier e falam de um clima austero e de incríveis exigências da Rockstar Games durante o desenvolvimento de Grand Theft Auto 4.

"Já passou quase uma década desde que deixei a Rockstar, mas posso assegurar que durante a era de GTA IV, era como trabalhar com uma pistola apontada à cabeça 7 dias por semana," diz Stauffer.

"'Está aqui no Sábado e Domingo também, apenas caso o Sam ou o Dan venham cá, eles querem ver todos a trabalhar tanto quanto eles'."

"Numa ocasião, em 2008 ou 2009, em que fiquei verdadeiramente engripado. Precisava de um dia de folga. Fui ao médico e prescreveu-me Tamiflu, tive uma reacção alérgica, partilhei no Twitter uma foto, depois recebi um aviso por não ter ido trabalhar e ao invés disso 'andar a brinca no Twitter'. De loucos."

Após as palavras de Houser, os relatos sobre as condições e desafios que os funcionários da Rockstar Games enfrentam em nome da "dedicação" têm-se multiplicado.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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