Um jogo cooperativo para quatro pessoas divertido e com uma história descontraída, mas não está livre de limitações e repetitividade.

Enquanto o resto do mundo anda preocupada em encontrar formas de capitalizar com a explosão do género Battle Royale, a Rebellion Games seguiu o seu próprio caminhou e criou uma nova propriedade intelectual que aposta na cooperação, diversão e desafio. São três palavras que descrevem bem aquilo que encontrarás em Strange Brigade, um jogo se revelou para mim como uma agradável surpresa.

Mas afinal o que é a Strange Brigade? É o grupo de heróis que dá nome ao próprio jogo e que vão combater uma antiga ameaça que acordou no Egipto. Pensa neles como uma espécie de Esquadrão Classe A só que dedicados a combater criaturas sobrenaturais em 1930. Em vez da carrinha da GMC, têm um Zeppelin no qual viajam de ruína para ruína para derrotar a Rainha das Bruxas Seteki, que despertou após 4000 anos de sono depois de terem aberto o seu túmulo.

O enredo e a própria temática não estão distantes do filme The Mummy de 1999, em que uma terrível múmia desperta e ameaça trazer o fim do mundo. A história é contada com cinemáticas a preto e branco, uma alusão a indústria cinematográfica, com um narrador bem humorado que combina com o espírito de diversão que a Rebellion Games procura promover em Strange Brigade.

Strange Brigade é um jogo de tiros na terceira pessoa desenhado exclusivamente para modo cooperativo, ou seja, podes jogar na companhia de outros jogadores, mas não podes competir contra eles. Todos os modos de jogo - a campanha, modo horde e score attack - têm suporte para quatro jogadores. Existe a opção de jogar sozinho, mas como já referimos, o jogo foi feito para ser jogado em modo cooperativo.

A campanha é composta por uma série de níveis que apresentam progressivamente inimigos mais difíceis e em maior número. Parece-me que a Rebellion Games foi buscar inspiração ao modo Zombies de Call of Duty para Strange Brigade. Digo isto porque os níveis estão estruturados para irmos varrendo ondas de inimigos. Não é propriamente uma cópia do modo criado pela Treyarch Games, mas antes uma interpretação diferente desse modelo com as suas individualidades.

A parte mais divertida deste jogo está nas várias armadilhas que podemos activar para eliminar grandes grupos de inimigos. Tens que ser como um pastor de zombies, agrupando-os o máximo possível perto das armadilhas para as depois activares. Existem armadilhas com lâminas rotativas, barris explosivos e passadeiras de fogo que são extremamente úteis quando estás a fugir de dezenas de criaturas em simultâneo

Nos primeiros dois níveis os inimigos são fáceis. São criaturas lentas e estúpidas que consegues evitar facilmente, mas é claro que eventualmente vais encontrar adversários mais poderosos. Há monstros que se tele-transportam constantemente, múmias que lançam poderosos feitiços, escorpiões gigantes, múmias com armaduras e espadas, e minotauros que correm rapidamente na tua direcção. O nível de desafio é moderado na dificuldade normal, mas ainda existe uma dificuldade mais acima se quiseres algo realmente difícil.

Existem pequenas áreas opcionais e alguns puzzles para ganhares Ouro e Runas mágicas para as armas

Todos os níveis se desenrolam da mesma forma. Vais avançado e enfrentado ondas progressivamente mais difíceis de inimigos, mas pelo meio existem pequenas áreas opcionais e alguns puzzles. O incentivo para explorar ao máximo os níveis é o Ouro. É a moeda in-game necessária para comprar novas armas, e se queres completar os desafios mais difíceis, não te vais safar com as armas iniciais. Dito isto, assim que juntas dinheiro para comprar a arma que tu queres, o Ouro não serve para muito mais.

Fora o ouro, a exploração das áreas opcionais garante runas com perks especiais para as armas. As runas, que só podem ser usadas uma vez (ou seja, depois de as meteres na arma, não podes removê-las) permitem que causes mais dano com tiros na cabeça, recuperes vida quando eliminas um adversário e coisas desse género. As runas que permitem recuperar vida dão muito jeito porque não há regeneração automática da vida. Para recuperares vida tens que usar poções e não são assim tão comuns.

É um jogo engraçado e que diverte inicialmente, mas que depois te deixa cansado antes mesmo de chegares ao final. A forma como os níveis estão desenhados reforça a sensação de repetição e eventualmente vais aperceber-te que estás sempre a fazer a mesma coisa. A natureza desafiante do jogo é bem-vinda, mas existe pouco espaço para a progressão e o factor novidade esgota-se rápido. Podes comprar novas armas (mas não são assim tantas) e coleccionar runas, mas não podes evoluir a tua personagem.

Cada personagem de Strange Brigade tem uma habilidade diferente que pode ser activada quando coleccionas as almas libertadas pelos inimigos que derrotas. Isto abre espaço para combinações entre habilidades diferentes, mas não há qualquer tipo de progressão para evoluir a habilidade ou desbloquear outras. Obviamente que nem todos os jogos têm que ter sistemas de progressão, mas no caso de Strange Brigade, fica a sensação de que há espaço para mais.

"Não há qualquer tipo de progressão para evoluir a habilidade ou desbloquear outras"

Para além disso, podia ser mais competente como um jogo de tiros. Em Strange Brigade não podes disparar a arma sem carregar primeiro no gatilho esquerdo para apontares através da mira. Num jogo em que tens que lidar com uma grande quantidade de inimigos ao mesmo tempo, é muito limitador e restringe a tua noção do que está a acontecer à tua volta. É uma funcionalidade básica em qualquer jogo de tiros e que está presente em todos os jogos do género dos quais nos lembramos neste momento, pelo que é incompreensível a sua ausência em Strange Brigade.

Os controlos e a sua resposta também dão uma sensação de estranheza. Há dificuldade em controlar bem a mira, se bem que, depois de algumas horas, essa dificuldade diminui porque ganhamos hábito. Todavia, são demasiadas as vezes em que apontamos para um inimigo e a bala passa ao lado. Isto acontece porque o crosshair demora algum tempo a voltar ao tamanho original depois do disparo, ou seja, o jogo força-te a abrandares o ritmo de tiros. Sacar um tiro na cabeça sabe bem em Strange Brigade, mas os controlos e a sensação que passam ao jogador podiam estar mais afinados.

Terminado o modo campanha de Strange Brigade, que ainda pode durar cerca de 8 horas (ou menos, se optares por ignorares as áreas opcionais e puzzles), tens dois modos extra: o modo Horde e o Score Attack. O modo Horde é o maior desafio que podes encontrar e é composto por um número absurdo de rondas em que diferentes tipos de inimigos aparecem em quantidades cada vez maiores. Para jogar em modo cooperativo é até melhor do que a campanha por razões que vou explicar já no parágrafo a seguir. Quanto ao modo Score Attack, é basicamente um modo em que repetes os níveis da campanha mas recebes pontuação para que possas comparar o teu desempenho com o de outros jogadores.

Para um jogo que foi desenhado para ser jogado em modo cooperativo, Strange Brigade tem uma série de decisões estranhas. A primeira delas é que se estiveres a jogar com mais pessoas, o primeiro a encontrar Ouro é quem vai ficar com ele. Depois, os outros jogadores podem arruinar a resolução de puzzles (alguns têm um número limitado de tentativas), mesmo que tu sejas o host. Portanto, a não ser que estejas a jogar com pessoas que conheces bem, jogar as missões da campanha em modo cooperativo pode ser frustrante devido a estas decisões da Rebellion Games. No modo Horde, como não há resolução de puzzles nem Ouro para ganhar, o problema já não existe.

"Os outros jogadores podem arruinar a resolução de puzzles"

Strange Brigade é um jogo divertido para se jogar em modo cooperativo mas com limites. Há algumas decisões questionáveis como loot que não é individual e que dá origem a situações desagradáveis no modo cooperativo com estranhos, e pouca liberdade de progressão, o que não combina com um jogo desta natureza. Mas também é um jogo com os seus trunfos, com uma história descontraída e com um narrador de se lhe tirar o chapéu, um dos melhores na nossa memória. Gostamos da personalidade que este jogo emana, e se estiveres disposto a conviver com as suas falhas, vais conseguir passar bons momentos.

Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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