Aposta no stealth, transforma Lara numa exterminadora, e gere melhor a combinação de acção e exploração. No entanto, é um constante déjá vú.

Shadow of the Tomb Raider é a conclusão para a trilogia iniciada em 2013 com o reboot de Tomb Raider. Um sensacional jogo de aventura e acção que catapultou Lara Croft para a era moderna, após 5 anos perdida no limbo. O grande mérito desse Tomb Raider foi dar início a uma nova versão da personagem, com os pés assentes na actualidade, combinando escaladas entusiasmantes, exploração de túmulos, puzzles simples, tiroteios frenéticos e uma Lara mais humana - ainda a descobrir-se, inocente e constantemente a demonstrar o sofrimento quando se magoava.

Tudo aquilo que era preciso para criar uma experiência para a qual se podia argumentar que justificava usar o nome Tomb Raider, combinado com as tendências actuais para o tornar mais apelativo para as massas. Diria que conseguiu o seu propósito e deu novamente valor ao nome Lara Croft. Em 2015, Rise of the Tomb Raider chegou e apostou nos mesmos valores, acompanhados por novidades. A narrativa sofreu, cometeu alguns erros e colou-se demasiado a outros jogos focados num estilo similar, mas deixou boas indicações para um possível terceiro jogo.

Shadow of the Tomb Raider é esse terceiro jogo - que completa esta história de Lara Croft. A jornada misteriosa que começou com Lara à procura de se descobrir enquanto tentava desvendar mistérios do passado da sua família. A jornada transformou-se numa luta desenfreada contra a organização Trindade e está agora prestes a terminar.

A narrativa desde logo demonstrou que a intenção era mostrar o crescimento de Lara - que de inexperiente se tornaria na Tomb Raider que tanto adoras. Tu irias acompanhar essa jornada, testemunharias esses marcantes eventos e tudo indicava um tom mais sombrio de jogo para jogo. Shadow of the Tomb Raider confirma isso mesmo e revela o lado mais sombrio de Lara, mas a forma como isto é gerido demonstra as mesmas fragilidades que tornaram o tratamento de personagens e história de Rise of the Tomb Raider tão controverso.

Seja pela narrativa ou pelos propósitos de gameplay, Shadow of the Tomb Raider transforma Lara Croft numa autêntica exterminadora, ocasionalmente implacável, que no momento seguinte é uma dócil jovem adulta que podia ser a tua melhor amiga. Poderá ser altamente confuso acompanhar algumas cenas, especialmente porque a personagem parece não ter consistência e a narrativa, apesar de bons momentos, mais parece interessada em homenagear filmes de acção dos anos 80 do que propriamente ser um Tomb Raider. Menos mistério e envolvimento, mais acção é o lema aqui.

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Lara está de volta para escalar e correr contra o tempo, mas também para explorar túmulos e locais remotos.

Em alguns momentos, poderás até sentir que Michael Bay esteve envolvido no desenvolvimento deste Shadow of the Tomb Raider, mas isso também poderia, de certa forma, ser aplicado aos anteriores. Não quero parecer demasiado negativo, estamos perante um jogo divertido, mas permanece demasiado próximo ao que foi feito anteriormente. A Eidos Montreal arriscou não erguer-se acima do que a Crystal Dynamics fez anteriormente e foi precisamente isso que aconteceu. Shadow of the Tomb Raider é um jogo perigosamente idêntico ao anterior e que em muitos elementos não se superioriza, sem propriamente corrigir o que poderia ser corrigido sobre o anterior.

"Shadow of the Tomb Raider é um jogo perigosamente idêntico ao anterior e que em muitos elementos não se superioriza"

Claro que num jogo que age como a parte final, esperarias algo muito idêntico, apenas não esperarias que fossem cometidos alguns dos mesmos erros e que a personagem corresse novamente o sério risco de descaracterização constante. Quando joguei a demo E3 2018, vi um jogo com uma estrutura gameplay altamente similar à do anterior, mas a narrativa parecia pronta para corrigir os erros de Rise.

Cumprindo a promessa de mostrar o lado mais sombrio de Lara Croft, Shadow of the Tomb Raider começa com uma jornada ao México onde a exploradora inicia um evento apocalíptico Maia. Ela começa então uma missão para parar a Trindade de concluir os seus objectivos e ao mesmo tempo impedir que seja culpada pelo fim do mundo. Esta jornada leva-a a explorar selvas na América do Sul, explorar túmulos com quebra-cabeças bem mais interessantes do que vimos nos dois anteriores (mas ainda assim relativamente fáceis e rápidos), enfrentando os mercenários da Trindade - organização misteriosa que está relacionada com as explorações do seu pai.

Isto traduz-se num gameplay com uma estrutura igual à de Rise - secções de escalada com vistas panorâmicas, exploração de túmulos com segredos, tiroteios contra mercenários ou outras criaturas (sim, este elemento sobrenatural não foi esquecido), três locais de maior tamanho onde podes entrar em tarefas opcionais e as novas secções focadas no stealth. Lara até se pode cobrir de lama para se misturar melhor com os cenários e atacar pela calada.

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Apesar de passar a maior parte do tempo na selva, existe a oportunidade para visitar uma grande aldeia com tarefas opcionais.

Se jogaste Rise of the Tomb Raider, sabes perfeitamente o que te espera em Shadow of the Tomb Raider - acção e aventura. No entanto, se Lara ficou celebrizada por ser uma espécie de Indiana Jones feminina nos jogos originais, a nova trilogia mais parece querer fazer dela uma Exterminadora, removendo o foco da exploração e sensação de isolamento para se focar no combate e explosões. Shadow tenta gerir melhor essas duas identidades e até se foca mais no stealth - algo que poderá fazer a diferença.

Se nas escaladas é o gancho que faz a diferença (Lara salta e atira a corda para se prender a plataformas que de outra forma não conseguiria alcançar) e na exploração são as secções subaquáticas que mostram a intenção de respeitar os originais, na acção é o elemento furtivo que se destaca. Longe vão os dias em que Lara nem sabia pegar numa arma ou faca - agora ela mata sem qualquer hesitação. Os segmentos preparados especificamente para forçar o comportamento stealth são provavelmente do mais divertido que terás neste jogo. É visível o maior foco dado pela Eidos Montreal a este elemento gameplay para procurar diferenciar Shadow dos dois anteriores.

"Os segmentos preparados especificamente para forçar o comportamento stealth são provavelmente do mais divertido que terás neste jogo"

Podes passar secções inteiras sem ser visto e eliminar todos os mercenários pelo caminho. Mesmo que sejas visto, podes tentar fugir e se quebrares a linha de visão, ficar novamente escondido. Agir como um predador na selva, escondido com a ajuda da lama, a despachar com a faca de mercenários foi inesperadamente divertido. Também podes usar flechas com alucinógenos e explorar este lado mais violento e sangrento de Lara - um claro contraste da exploradora que se foca na recolha de artefactos e resolução de puzzles nos túmulos.

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Lara torna-se numa autêntica exterminadora e em muitas secções até o Rambo tremeria de medo perante as suas acções.

Para o bem e para o mal, a Eidos Montreal constrói sobre os alicerces preparados pela Crystal Dynamics e isto também se aplica aos acampamentos. O elemento de crafting foi altamente simplificado e as diversas opções para ajustar a dificuldade significa que poderás desfrutar de Shadow of the Tomb Raider com foco nos elementos gameplay que gostas. No entanto, poderás fabricar ou adquirir roupas ou até peças de vestuário que te dão atributos especiais - algo que será extremamente importante nas dificuldades superiores.

"Terminar a campanha significa cumprir apenas cerca de 60% do jogo"

As tarefas opcionais dão-te mais dinheiro para adquirir itens extra, armas adicionais ou materiais para fabricar novas peças de roupa. É uma boa forma para te manter mais tempo neste jogo e assim que terminada a aventura, terás acesso imediato ao New Game Plus para enfrentar a jornada com tudo o que já adquiriste.

Shadow of the Tomb Raider apresenta ainda mais túmulos opcionais, segredos e missões secundárias do que Rise, numa tentativa da Eidos em entregar mais conteúdos aos fãs. Terminar a campanha significa cumprir apenas cerca de 60% do jogo. Para isso, foram precisas cerca de 10 horas - sem realizar missões opcionais ou tentar apenas um ou outro dos vários túmulos opcionais.

Na tua missão pela Bolívia, México e Peru, descobrirás momentos épicos e diferentes (como Lara a caminhar entre multidões apenas para impressionar graficamente), sentirás emoção e sentirás alguma frustração. Repito, Shadow of the Tomb Raider é um jogo que não merece qualquer crítica por permanecer em território familiar, mas deveria tê-lo feito enquanto melhorava a qualidade. Essa é uma gestão sensível e difícil de alcançar.

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Procurando ir ao encontro dos originais, existem mais secções subaquáticas.

Algo que realmente poderá incomodar alguns jogadores é como a Eidos Montreal parece nem se importar em fazer sentido, em manter-se credível. O nome Tomb Raider faz vibrar a mente dos jogadores ao combinar fantasia com real, e ao procurar uma representação mais cinematográfica, mas ainda assim mais humana da exploradora, a Eidos devia ter-se mantido mais consistente. Existem diversos momentos inesperados que não fazem sentido e até te podem deixar de olhos revirados. Num momento, Lara é violentamente atacada por um Jaguar e passados dois minutos é como se não tivesse acontecido nada. É uma pena, pois era na narrativa e na caracterização de personagens que a série mais precisava de melhorias.

Sendo a conclusão de uma trilogia, era expectável que Shadow of the Tomb Raider se apresentasse altamente similar aos anteriores. Isso implica um gameplay altamente similar que, apesar de incluir algumas novidades, não deixa de se sentir estranho quando é levado ao ponto de sentires que estão a copiar segmentos vistos nos dois anteriores. Mais do mesmo não significa exactamente algo negativo, desde que envergue qualidade suficiente para justificar essa postura - essa aposta em valores que tornam a experiência tão perigosamente similar.

Rise of the Tomb Raider cometeu alguns erros, mas deixou boas indicações para progredir. Shadow of the Tomb Raider não se eleva acima de Rise e, apesar de repetir a experiência que já esperas desta trilogia, perde a oportunidade para realmente ir mais além. Os quebra-cabeças são interessantes, a gestão entre exploração e combates foi melhorada e o tom furtivo ajuda-o a diferenciar-se, mas não esperes encontrar algo muito diferente ou até superior ao que viste em Rise of the Tomb Raider.

Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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