We The Revolution é um jogo refrescante de um conflito histórico

Cabeças vão rolar.

A diversidade histórica nos videojogos, apesar da quantidade enorme de videojogos que existem hoje, continua a ser parca. O que temos actualmente é uma exagerada exploração dos mesmos conflitos, ignorando os muitos e importantes acontecimentos que tiveram lugar nos últimos séculos e que contribuíram para moldar o mundo e a sociedade em que vivemos actualmente. É por isso que We The Revolution é um jogo simultâneamente refrescante e importante.

We The Revolution leva-nos bem para o centro da Revolução Francesa de 1789, um período de mudança para o país e que acabou por influenciar uma mudança nos restantes territórios da Europa, pondo um fim à ideia de que o poder de governar dos Reis advinha directamente de Deus. Foi um período de reboliço, com muitas cabeças a serem separadas do resto do corpo recorrendo à guilhotina, um espelho perfeito para a mentalidade de extremos a que a Revolução deu origem.

Este não é um jogo de acção e a perspectiva da Revolução Francesa é nos dada através dos olhos de um juiz. No papel de juiz, vão nos chegar novos casos às mãos todos os dias e em tribunal teremos que decidir se o acusado é inocente ou culpado, e caso seja culpado, teremos que decidir se merece ir para a prisão ou se será mais uma cabeça a rolar. Surpreendentemente, o jogo alargar-se para fora da sala do tribunal e teremos que lidar também com pressão social, motins nos bairros de Paris e usar a nossa influência para tomar partidos em conflitos entre as pessoas mais poderosas da sociedade.

Em tribunal a dinâmica que We The Revolution nos apresenta é curiosa. Com o acusado à nossa frente, o júri do lado esquerdo e ao fundo da sala as pessoas comuns e os revolucionários, temos que analisar cuidadosamente as provas, clicando em cima das palavras destacadas e depois ligar as evidências correctamente para obter as questões para colocar ao acusado. É necessária lógica nesta fase. Cada evidência só pode ser ligada erradamente uma vez, o que significa que se tentarem efectuar ligações à sorte, vão acabar por não descobrir nenhuma questão para colocar.

Mediante as perguntas colocadas, tanto o júri como o resto do público vão formar a sua própria opinião e geralmente divergem. O júri geralmente é mais moderado, enquanto a opinião do povo tem tendência para chegar rapidamente à morte na guilhotina. Acima de tudo, apesar da maior parte da acção acontecer numa sala de tribunal, We The Revolution é um jogo político em que podemos tomar decisões que não são justas mas que nos podem trazer vantagens e influência diante da opinião pública.

"A perspectiva da Revolução Francesa é nos dada através dos olhos de um juiz"

As tuas decisões em tribunal terão consequências na ruas de Paris. Uma decisão controversa pode desencadear motins e instabilidade na sociedade. Não existem propriamente decisões certas ou erradas, mas cada uma delas levará a acontecimentos diferentes. Logo no início do jogo temos que decidir se damos ou não autorização às forças militares para usar força como um recurso para controlar os motins e as lutas entre as diferentes facções da cidade. Independentemente da tua decisão, o resultado será desastroso (joguei o início duas vezes para ver a diferença).

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O júri e as facções de Paris estão de olhos postos em nós e podem não concordar com o veredicto de um caso.

We The Revolution está a ser desenvolvido pela Polyslash, um estudo polaco relativamente recente mas que com este jogo começa já a mostrar potencial, capacidade e talento para criar jogos diferentes e apelativos. A versão a que tivemos acesso, com cerca de 1 hora para jogar, está ainda na fase alpha, faltando-lhe vozes para os diálogos das personagens e pequenas afinações, mas a experiência já está consistente. Para além de ser um jogo que mostrará um conflito histórico por explorar neste meio, tem um estilo artístico marcante, influenciado pelo cubismo (embora o cubismo seja um estilo que apareceu séculos depois da Revolução Francesa).

"Tem um estilo artístico marcante, influenciado pelo cubismo"

Fora da sala de tribunal, o jogo de influências continua. Podemos mandar os nossos agentes para espiar adversários e para por um fim aos motins que possam surgir nos diferentes distritos. É assim que vamos ganhando pontos de influência, que depois podem ser usados para manipular tanto o júri em tribunal como as pessoas do povo, levando-os a concordar com o nosso veredicto. A história vai-se desenvolvendo conforme as nossas decisões, se bem que esta versão a que tivemos acesso ainda não permitiu ver as consequências a longo prazo e que forma é que isso vai afectar a vida do juiz que controlamos e da sua família.

We The Revolution tem lançamento previsto para PC no Outono de 2018, mas uma versão para outras plataformas, incluindo a Nintendo Switch, também está nos planos da equipa. Depois de jogarmos esta versão alpha, que inclui três casos para julgar (mas a versão final terá centenas), ficamos definitivamente intrigados e curiosos.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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