Se reflectirmos bem sobre o futuro da indústria dos videojogos, as obras que atraem a atenção de toda a comunidade e que possuem fãs ávidos por todo o mundo são evidentes. O jogo no qual nos vamos debruçar faz claramente parte dessa lista por uma vasta gama de razões: para além de ser um exclusivo PS4 - uma consola que está a ter imenso sucesso no mercado - trata-se da sequela de um dos mais aclamados jogos na história dos videojogos realizada por um dos mais prestigiados estúdios.

The Last of Us: Part II é isto e muito mais. Um jogo que atraiu e continua a atrair a atenção de jogadores de todo o mundo, ansiosos por mais detalhes sobre o mesmo e que não pára de dar aso a rumores, discussões, teorias, etc. Claro que isto levanta uma questão muito importante: será a Naughty Dog capaz de manter a qualidade da primeira aventura de Joel e Ellie, ou até de superá-la e criar uma obra de arte extraordinária?

Com isso em mente, vamos então debruçar-nos sobre tudo aquilo que, até ao momento, sabemos sobre The Last of Us: Part II.

The Last of Us Part II na E3 2018

Como introdução à conferência da Sony, foi mostrado um trailer para The Last of Us Part 2 onde pudemos ver um pouco mais tanto da história como do gameplay do jogo. O trailer em questão está já a seguir:

O novo trailer do ambicioso jogo da Naughty Dog começou com uma semana calma, onde Ellie dança com outra jovem mulher e a beija, no meio de uma festa onde a tranquilidade reina. Segundo Neil Druckman, Ellie é a única personagem jogável da sequela, o que significa que, ao contrário do jogo original, não irás poder controlar Joel.

Esta cena contrasta fortemente com o resto do vídeo, onde foi possível ver gameplay de The Last of Us: Parte 2 num tom incrivelmente violento, repleto de cenas brutais. Ao que tudo indica, a sequela decorre 5 anos depois do jogo original, e irás controlar uma Ellie agora com 19 anos.

Factions, o modo multiplayer do jogo original, irá voltar e, para além disso, as opções de movimento e mecânicas de stealth foram estendidas para poderes interagir mais com o ambiente e adicionar realismo, novos tipos de munição (como as flechas explosivas que viste na demo) foram adicionados, um design vertical para dar mais rotas alternativas foi instaurado, já que esconder na vegetação nem sempre é eficaz, e ainda melhorias na captura de movimentos, gestos e detalhes de uma forma geral.

Para além disso, The Last of Us: Part 2 não será um jogo em mundo aberto em que poderás explorar livremente o horizonte, no entanto, também não será um jogo completamente linear em que não tens a oportunidade de tomar qualquer decisão. Tudo aquilo que tivemos a oportunidade de ver era gameplay, mas coreografado, numa experiência com "linearidade alargada" - o estúdio explicou que as decisões vão depender dos momentos. Haverá situações em que terás poder de decisão e poderás até ignorar inimigos, enquanto noutras situações terás mesmo que jogar da forma que a Naughty Dog idealizou.

Qual a data de lançamento?

Logo na primeira secção, decidimos tocar num tópico "escaldante". Qual é a data de lançamento de The Last of Us: Part II? Neste momento, a resposta a esta questão permanece um verdadeiro mistério e não existe ainda uma indicação oficial tanto por parte da Sony como da Naughty Dog.

Parece claro que a espera será ainda bem longa considerando que o lançamento de Uncharted: Lost Legacy ocorreu em Agosto de 2017, o que significa que a Naughty Dog só conseguiu focar-se exclusivamente em The Last of Us a partir daí. Dada a relevância desta IP, a produção do jogo começou, certamente, antes desta data - de qualquer das formas, tendo em conta palavras de Neil Druckmann, director criativo do jogo, podemos especular que o lançamento não está para breve.

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Sobre o trailer mostrado na Paris Games Week o ano passado, Druckmann afirma “Estas e outras partes do jogo são as secções mais polidas do mesmo porque sabíamos que as íamos mostrar e agora sentimos que temos uma tarefa megalómana à nossa frente. Apresentamos 5 minutos do jogo, mas como tornámos essa fatia em dezenas de horas de gameplay que pareçam viscerais, com aquele tipo de intensidade? As pessoas não veem que o resto - em diferentes fases - é uma completa confusão."

Gustavo Santaolalla, o compositor que trabalhou tanto na música do primeiro jogo como nesta sequela, indicou que 2019 poderá ser a data definida para o lançamento do jogo, enfatizando que já trabalhava no jogo há um ano e que, para projectos deste tipo, são necessários pelo menos dois.

A impressão com que ficámos é bastante clara: este jogo poderá ser a canção do cisne na PS4 tal como o The Last of Us original foi na PS3. 2018 parece muito pouco provável (mesmo impossível), pelo que finais de 2019 ou a primeira metade de 2020 será uma data mais lógica e credível para o lançamento do jogo.

Trailer I de The Last of Us: Part II

Um aspecto que deixou muitas pessoas desapontadas no que diz respeito aos trailers lançados é a falta de gameplay que mostrasse tanto Joel como Ellie em movimento. Um ano depois do anúncio oficial na Playstation Experience 2016, o jogo foi mostrado apenas duas vezes: o próprio anúncio e num segundo trailer na Paris Games Week, nos finais de Outubro de 2017.

O segundo trailer da Paris Games Week 2017 mostra personagens inéditas e, presume-se, um momento que decorre antes da história original:

Por entre as várias questões levantadas pelos trailer, algo sabemos em concreto: ambos causaram uma revolução na comunidade de videojogos, suscitaram um intenso debate sobre a narrativa do mesmo e deu impressão que este jogo terá um tom ainda mais negro que o anterior. O segundo trailer levantou também questões relacionadas com o uso de violência excessiva nos videojogos, causando bastante polémica e obrigando a que a Sony se pronunciasse sobre o assunto. Jim Ryan, um executivo da Playstation, afirmou que "The Last of Us é um jogo feito por adultos, para adultos. Ainda é muito cedo, mas o jogo será, certamente, para maiores de 18. E existe um mercado para quem gosta deste tipo de jogos."

Como será a história de The Last of Us

É nesta área que debates e teorias abundam. Um aspecto em que o consenso é quase geral, com várias confirmações em mais que uma ocasião, é que o tom geral que caracteriza o jogo provém de uma Ellie mais enraivecida que procura vingança por um evento ainda não especificado. "Vou encontrar...e matá-los...cada...um...deles" , diz Ellie. Isto vai de encontro à caracterização de Druckmann do jogo, descrevendo-o como uma história de ódio e uma aventura intensa, emocional e desconcertante.

Trata-se, portanto, de um mundo cruel, pelo que é certo que o jogo terá secções muito tristes que deixarão os fãs em tumulto. O director criativo relevou que a equipa está a fazer algo "inovador" na forma como contam a história, uma inovação sobre a qual não pode falar até que o jogo seja lançado. Druckmann acrescenta que existem fãs do primeiro jogo que não vão gostar deste e que tudo o que os produtores podem fazer é seguir o seu instinto e continuar a fazer aquilo em que acreditam, colocando o ódio como o tema principal do jogo. Nas palavras de Neil Druckmann:

"Pensámos muito sobre este projecto e sei que existem pessoas que mal conseguem esperar para revisitarem estas personagens e descobrirem o que o final realmente significa. Têm que perceber que ninguém ama estas personagens mais que nós e que nunca produziríamos este jogo se achássemos que não era a ideia certa."

"Acreditamos piamente neste projecto. Experimentámos várias ideias com personagens diferentes e nunca pareceu certo. The Last of Us é sobre estas duas personagens específicas. Portanto, a Part II será uma história mais longa, um complemento do original mas que, juntos, contam uma história ainda maior. Tudo o que peço aos fãs é que depositem a sua confiança em nós e que fiquem descansados pois faremos justiça ao Joel e à Ellie."

"Se o primeiro jogo estava focado no amor entre estas duas personagens, este é o oposto. Foca-se no ódio, desta vez visto pelos olhos da Ellie. O primeiro jogo permitia-te controlar Joel, este a Ellie. É tudo o que posso dizer neste momento".

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A possibilidade da história desta segunda parte não possuir um final feliz é sólida, até porque nenhuma personagem, nem a protagonista, está segura. Apesar do realizador do primeiro jogo, Bruce Straley, não estar ao comando da sequela, o tom do jogo não será alterado e os temas crus e maduros irão continuar a ser as bases desta experiência. Um talento de alto calibre foi contratado para este tão antecipado jogo: Halley Gross, uma argumentista responsável pelos guiões de alguns episódios de Westworld e que esteve por trás de projectos como The Good Wife e Law and Order. Trata-se de uma profissional que trabalhou nalgumas das mais aclamadas séries dos últimos tempos e que será, com certeza, uma boa adição à Naughty Dog.

Druckmann revelou que, enquanto revia a história do jogo com Gross - o director criativo diz que já tem o final e início do jogo bem definido mas que não sabe como preencher a "gigante parte do meio" - a argumentista deu algumas ideias "bem interessantes", se bem que não revelou nenhuma delas. Logo a seguir, contudo, mudou de ideias e deu um pequeno gosto: "Após o primeiro dia, a Halley foi para casa e disse ao seu marido "Acho que engravidei alguém." Depois verão o que isso significa".

Uma abordagem semelhante pode ser aplicada aos dois protagonistas e, neste caso, as perguntas multiplicam-se: será que Joel e Ellie continuam a ter uma relação pai / filha? Os dois confrontaram-se com os eventos que aconteceram no final de The Last of Us? Irá a relação deles degradar-se em The Last of Us: Part II? Será que Joel está vivo?

Algumas das teorias mais interessantes que circulam pela Internet revelam que Seattle poderá ser o local principal do jogo e que aquilo que é mostrado no segundo trailer ocorre no passado, antes dos acontecimentos com Ellie e Joel do primeiro jogo. Yara, Lev, Emily e uma mulher misteriosa interpretada por Laura Bailey foram também introduzidos. Quem são e qual o seu papel na narrativa? Especula-se que a mulher misteriosa poderá ser a mãe de Ellie, uma hipótese criada pelos fãs que consideram que o jogo poderá ser dividido em duas linhas de tempo, contando também a história do seu nascimento.

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Será esta a mãe da Ellie?

Frisamos que tudo isto não passam de teorias mas, tendo em conta que se trata de um jogo de alto calibre, é normal que os fãs tentem desvendar cada segredo e que investiguem cada frame ou imagem de forma minuciosa em busca de informação extra.

Como será o gameplay de The Last of Us: Part II?

A mente ferve com a possível narrativa de The Last of Us: Part II, mas o gameplay não fica muito atrás. O mesmo vai depender do ambiente em que a Naughty Dog inserir Ellie e Joel - dependendo do mundo do jogo, o gameplay pode seguir uma variante mais ligada à sobrevivência ou stealth mas, claro está, um gameplay mais voltado para a acção é também uma possibilidade.

Para termos uma ideia deste aspecto particular de The Last of Us: Part II, temos que olhar para o primeiro jogo. Trata-se de um shooter em terceira pessoa dividido em secções de tiroteios, stealth e sobrevivência - estes deverão ser os três pilares fundamentais. Será com certeza interessante descobrir onde se encontra o resto da população e, acima disso, qual o estado da infecção que atingiu este mundo. Existirão mais facções ou mesmo algum tipo de Governo provisório? É plausível mas, ao mesmo tempo, é bem provável que os Cordyceps se tenham espalhado e evoluído de tal modo que serão necessárias estratégias totalmente novas para derrotar estas monstruosidades letais.

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Uma das alterações principais no que diz respeito ao gameplay prende-se com a mudança de protagonista: Ellie substituirá Joel como a protagonista principal e deveremos jogar com ela na maioria do jogo. Druckmann confirmou que jogar com a Ellie será diferente quando comparado com Joel, mas os detalhes sobre esta diversidade permanecem um mistério. Apesar de ser mais madura (19 anos), ela não terá, certamente, a força bruta do Joel; todavia, ele deve já estar a sentir o peso da idade na história do segundo jogo, tendo já mais de 50 anos.

Existem também rumores a circular de que o jogo poderá incluir uma componente multiplayer - tudo isto devido a uma imagem colocada pela Naughty Dog com ofertas de emprego para designers de sistemas e layouts de multiplayer. Apesar de nenhum jogo ser especificamente referenciado, o facto da companhia ter usado uma imagem de Ellie como fundo levou os fãs a teorizarem. Isto não é propriamente novo na saga, já que o primeiro jogo continha multiplayer mas, de qualquer das formas, nada foi ainda anunciado.

Devido a uma foto colocada no Twitter por Neil Druckmann (que podes ver a seguir) onde Halley Gross, co-argumentista do jogo, se encontra montada num "cavalo" com uma caçadeira, muitos fãs especulam que isto pode significar que Ellie será capaz de disparar contra inimigos infectados enquanto está montada num cavalo. Apesar do primeiro jogo incluir secções com cavalos, era impossível lutar a partir deles.

Resta apenas dizer que, em Dezembro, Druckmann revelou que o jogo encontrava-se entre 50% a 60% completo e que a equipa encontrava-se a trabalhar em diferentes áreas, incluindo níveis. Depois do sucesso de Horizon Zero Dawn, o director do jogo afirma também que HZD é a fasquia para a Naughty Dog e que têm como objectivo ultrapassá-la. Que pensas dos temas abordados aqui? Achas que The Last of Us: Part II está num bom caminho? Provavelmente mais informações serão reveladas na E3 de 2018 e, quem sabe, será mostrado gameplay do jogo pela primeira vez.

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Jorge Salgado

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