Sega Mega Drive Classics perfila-se como a versão definitiva das várias recompilações lançadas pela Sega, baseadas nos clássicos para a Mega Drive, a consola 16 bit que teve nos primeiros anos da década de 1990 o seu apogeu. Para além de agregar algumas das melhores, mais populares e mais importantes franquias da primeira fase e que de algum modo contribuíram para consolidar a Mega Drive como uma referência (na América do Norte a consola é conhecida como Sega Genesis), Sega Mega Drive Classics oferece a possibilidade de jogar online os jogos com aptidão para pelo menos dois jogadores, uma série de desafios, vários parâmetros de personalização em termos gráficos e uma série de extras que fazem desta colecção a mais avançada até à data.

Todos sabemos que a emulação há muito que ocupa um espaço central, sendo muitos os utilizadores que se dedicam a melhorar e criar códigos de modo a obter uma experiência tão exacta e enquadrada no formato original (o lag é sempre o maior problema da emulação quando não muito bem sucedida). Mas nem por isso as editoras deixam de apostar nos seus clássicos, numa altura em que a nostalgia atinge novos picos.

Recentemente a Nintendo brindou-nos com dois sistemas mini, a NES e NES Mini, duas consolas em formato miniatura com capacidade para correr mais de duas dezenas de jogos criados especificamente para as originais. A emulação é boa e até os comandos são réplicas perfeitas dos originais. A Sega já anunciou que irá produzir uma Mega Drive mini, por enquanto apenas para o Japão, mas é a comprovação de uma realidade cada vez mais vincada para os clássicos.

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Streets of Rage é um dos inquestionáveis da lista.

Pelo preço de 29,99 euros (é quanto custa uma cópia para a PS4, a versão que aqui analisámos - o jogo está disponível para a Xbox One e PC), o consumidor tem acesso a um disco que lhe garante mais de 50 jogos. Na prática dá uma média de 56 cêntimos por jogo. Se pensarmos que uma cópia física de Streets of Rage III pode suplantar facilmente os 75 euros, poder desfrutar desse jogo por menos do que um café deixa-nos pensar sobre a oportunidade desta linha de clássicos.

Esta colecção agrega todos os jogos publicados numa mesma linha pela Sega, tanto em formato digital como físico. As excepções são três títulos da série Ecco the Dolphin, Etternal Champions e Sonic 3 & Knuckles. Enquanto que se compreende a ausência dos três primeiros, deixar Sonic 3 de fora, juntamente com a versão Knuckles, é uma falha assinalável, quando os três + Knuckles formam, em conjunto, uma das melhores trilogias da consola 16 bit. Felizmente, há entre os mais de 50 jogos uma enorme selecção de obrigatórios, mas é inevitável destacar a ausência de Sonic 3, especialmente por elevar a qualidade da série.

Contudo e quando estamos perante uma lista que galga meia centena de títulos não se pode dizer que as opções sejam escassas. Facilmente nos abstemos de pensar em Sonic 3 quando encontramos Streets of Rage 3 (menos comum nas recompilações, enquanto que os dois primeiros recomendam-se e são realmente excepcionais mas é mais usual encontrá-los nestas andanças), Shinobi III, Shadow Dancer, Comix Zone, Wonder Boy e a série Shining Force, entre muitos outros menos conhecidos (espreitem a lista para conhecer todos os jogos disponíveis).

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Os menus são muito simples e a entrada e saída dos jogos não só é rápida como deixa ver o quarto. Até a inserção do cartucho não escapou.

Refira-se a boa apresentação e boa organização dos menus, depois de uma sequência inicial musical e de ritmo frenético, na qual vemos as personagens dos jogos presentes na colecção. Depois de clicarmos num botão, entramos num quarto comum dos anos noventa, que bem podia ser o quarto de um gamer da época, de um fã da consola 16 bit da Sega. O monitor CRT repousa sobre uma estante onde se encontra a Mega Drive, mesmo ao lado de uma estante onde se encontram os mais de 50 jogos. Com uma simples movimentação do analógico é possível deslocar o visor para a edição musical, extras e bónus, desafios e até uma série de definições.

Este quadro é bastante completo e deixa-vos escolher uma série de formatos de apresentação de modo a tornar mais salientes ou ligados os píxeis. Os resultados são muito diferentes consoante o formato, mas de um modo geral e apesar das variações o desempenho é muito positivo, com uma emulação que não produz lag e apenas num ou noutro jogo se verificam algumas quebras. Podem optar por jogar em formato wide, embora a imagem muito distendida não seja a melhor e por isso é-vos dada a possibilidade de preencher as laterais com arte de Streets of Rage, Sonic, entre outras.

No quarto há posters e objectos alusivos aos jogos. Até um relógio de parede marca a passagem do dia, oscilando entre a luminosidade natural que passa por entre as portadas e a claridade artificial, quando jogam à noite. Depois de seleccionarem um jogo, o cartucho entra directamente na consola, produzindo aquele barulho de encaixe tão memorável (não têm necessidade de soprar porque a entrada nunca falha).

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Os fãs da consola 16 bit estarão lembrados de Alex Kidd, também um clássico da Master System.

Se clicarem levemente no sensor de movimento podem sair do ecrã de jogo, enquanto a acção pausa. Isto dá-vos uma perspectiva do ecrã do televisor numa emulação bastante fidedigna, podendo continuar a jogar a partir daí. Também podem gravar a posição e continuar mais tarde (existem múltiplos slots de gravação) ou continuar a apertar o botão para recuarem do ecrã e voltarem à estante onde estão os jogos, escolhendo outro. O processo de transição é muito rápido, intuitivo e deixa-vos rodar vários jogos quase sem quebras ou pausas, o que é óptimo.

A apresentação e organização do quarto é sem dúvida irrepreensível e pouco há a apontar. No conteúdo, para além das opções já elencadas e dos troféus, existem desafios específicos, que podem ser jogados a qualquer altura. Vão desde completar um nível em Streets of Rage sem perder uma barra de vida, até completar Flicky em menos de 10 minutos ou derrotar bosses em Golden Axe III sem usar a opção "continue". Existem imensos desafios e em muitos deles vão descobrir coisas que provavelmente não deram conta antes. Há sempre uma sensação de redescoberta nestes clássicos por via destes desafios.

É natural por isso que no meio de 50 jogos, muitos deles provenientes de editoras "third party", haja aquele título que não experimentaram ou jogaram pouco, podendo agora dar uma oportunidade. A lista é longa mas está longe de abarcar tudo o que a Mega Drive recebeu, para além dos jogos presentes que não envelheceram bem. Se é bom encontrar as pérolas da Treasure como Dynamite Headdy e Gunstar Heroes, a ausência dos jogos da Konami (Contra e Castlevania) é evidente. Faltam igualmente alguns clássicos da Capcom (Quackshot, Aladin, os shooters Thunderforce) que só por dificuldades de licenciamento se explica a sua ausência, embora não fosse difícil incluir Alisia Dragon. Mais do que isso, a Sega optou por deixar de fora títulos da 32X e jogos da Mega CD, fechando a compilação apenas com jogos da Mega Drive, mas achamos que por correrem no mesmo "habitat" de plataformas (o salto geracional ocorreu com a Saturn), bem que poderiam estar presentes alguns dos mais representativos, nomeadamente o Virtua Racing da 32X.

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Golden Axe é outro jogo que pode ser jogado com mais do que um jogador por via online e ainda contém desafios.

Assim, temos que nos contentar com títulos um pouco mais previsíveis, nomeadamente ToeJam & Earl, Sonic Spinball e os sempre especiais Vectorman. Se muitos destes jogos podem ser desfrutados de forma estrondosa, há outros que não envelheceram tão bem e são mais difíceis de apreciar, como Galaxy Force II (na versão 3D Classics para a 3DS acaba por estar melhor, num óptimo trabalho do estúdio M2) e Gain Ground. É perceptível um fosso significativo entre os jogos da primeira geração e os títulos lançados já na fase final de vida da consola 16 bit, graças a cartuchos com mais poder de memória e por isso aptos a proporcionar jogos mais estimulantes, tanto na jogabilidade como no grafismo. As diferenças são enormes.

Mesmo numa lista tão extensa, tendo em conta o catálogo de jogos da Mega Drive, há sempre jogos que substituiríamos por outros. Mas de um modo geral, quer pela apresentação, grau de opções, personalização, desafios, modo online, títulos em presença e preço (56 cêntimos por jogo), estamos perante um trabalho não só cuidado e desenvolvido com esmero, como permite recuperar um dos melhores períodos da história dos videojogos. A Mega Drive é a consola da Sega com mais sucesso em termos mundiais, uma 16 bit que conheceu até à fase derradeira jogos de enorme qualidade. Esta recompilação preserva esse legado e reconstrói grande parte de momentos incríveis que proporcionou a todos que dela puderam desfrutar.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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