Arizona Sunshine - Análise - Carnificina de zombies

Sente a mordida.

A matança de zombies é muito divertida na realidade virtual, mas não vai muito além disso.

Se existe algum género mais saturado e sugado até ao tutano pela indústria de entretenimento, os zombies estão provavelmente no topo da lista - ou, pelo menos, muito perto. Seja videojogos, filmes, séries de televisão ou literatura, o ser humano possui um fascínio estranhamente masoquista por estas criaturas e, só no mundo dos videojogos, não terás grandes dificuldades em pensar numa vasta quantidade de títulos que contém os populares mortos vivos, quer seja como jogo principal ou num modo adicionado posteriormente.

Por isso mesmo, foi com um misto de receio, apreensão e curiosidade que comecei este título na Playstation VR - será que funcionaria bem com a tecnologia da realidade virtual? Conseguiria distinguir-se de outros títulos semelhantes, muitos deles grandes produções de estúdios icónicos? Poderia Arizona Sunshine estabelecer-se como uma franchise de peso no futuro? Estas são algumas questões que irei abordar ao longo desta análise.

Arizona Sunshine é de tal maneira gratificante que acabas por sentir a adrenalina correr nas tuas veias.

Bem, é com muito agrado (e uma réstia de alívio, admito) que vos digo que Arizona Sunshine é um jogo extremamente divertido. Ao longo das cerca de 6 horas em que joguei este título, explodi um sem número de cabeças de zombie e nunca me cansei de o fazer: a sensação que tens quando consegues fazer um headshot é de tal maneira gratificante que acabas por sentir a adrenalina correr nas tuas veias. O jogo, como deves ter já deduzido, corre numa América completamente infectada por mortos-vivos - mais concretamente no Grand Canyon, o gigantesco e popular desfiladeiro do Arizona.

Misturando elementos de terror, acção, comédia e puzzle, Arizona Sunshine é aquele tipo de jogo que se insere na categoria de ser tão bom por ser igualmente estranho, esquisito e, por vezes, ridículo. Ver a forma como os mortos-vivo se desfazem dependendo da zona do seu corpo onde disparas ou reuni-los num único local para, de seguida, mandá-los pelos ares lançando uma granada sobre eles é realmente divertido - macabro e retorcido, sim, mas não deixa mesmo de ser divertido!

A nível gráfico, este título não quebra qualquer barreira - para o que é, no entanto, serve perfeitamente e confesso que fiquei impressionado com a quantidade de localizações que a Vertigo Games conseguiu arranjar dentro de um palco tão limitado: saloons, pontes, minas, acampamentos, motéis, refinarias, entre outros locais. A secção na mina, em particular, possui uma atmosfera extremamente tensa que me apanhou desprevenido e que considero que apenas resultou graças à tecnologia VR. Nesta fase do jogo, estás quase totalmente imerso na mais completa escuridão, munido de uma lanterna e de uma arma num espaço confuso repleto de zombies. Ao longo do caminho, podes ir ligando geradores que te providenciam com algumas fontes de luz mas, ainda assim, a realidade virtual faz um trabalho genial na construção de um ambiente aterrador - cada som é magnificado ao extremo, cada passo e grunhido dos zombies parece estar a provir mesmo do teu lado e a lanterna, apesar de útil, não é suficiente para iluminar tudo em teu redor, criando um contraste entre luz e sombra assustador. Em junção com a música e sons, foi criada uma secção que te deixará certamente com pele de galinha e arrepios costas acima. Para mim, um dos momentos altos de todo o jogo.

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Entre as secções de chacina de zombies - que consistem, basicamente, na totalidade do jogo - existem ainda uns pseudo-puzzles que tens obrigatoriamente de completar para poderes prosseguir. Não são propriamente difíceis e considero até uma adição bem-vinda ao jogo que acalma ligeiramente o ritmo dos eventos. Por norma, tens apenas de encontrar uma chave para abrir uma porta trancada ou uma manivela para poderes activar determinado objecto - numa fase posterior, encontrar explosivos para criares uma abertura.

Os controlos do jogo, todavia, deixaram-me um pouco dividido (é importante frisar desde já que, como indicado pelo jogo, decidi usar os comandos Move durante toda a aventura). Por um lado, percebo a intenção da produtora e, na maior parte do tempo, os mesmos resultam, ainda que habituar-nos a eles seja um pouco frustrante nas fases iniciais. De forma simplificada, usas X para indicares o local para onde te pretendes mover, algo que a tua personagem faz imediatamente - uma tentativa clara de reduzir os enjoos associados à realidade virtual que, na minha opinião, funcionou muito bem. No entanto, usas Quadrado e Triângulo para moveres a câmara respectivamente para a esquerda e para a direita, em determinados intervalos. E isso é receita para fracasso já que facilita em muito a nossa perda de direcção, ainda para mais quando temos uma horde de zombies atrás de nós. Pior que isso, todavia, é usar os controlos de movimento do comando - tentar abrir portas, gavetas, comer alimentos ou beber água para recuperar saúde, atirar granadas, trocar de arma, usar uma sniper, são todas elas acções que se alicerçam e muito nos controlos por movimento e, como resultado, existe a possibilidade de os mesmos começarem a falhar por razões que te são alheias. Em situações de mais acção, em que precisas desesperadamente de apanhar um cartucho que se encontra no chão e os controlos não te deixam, é particularmente enraivecedor e, para mim, a falha fulcral do jogo. Aliás, uma grande parte das vezes em que morri no jogo, senti sinceramente que não foi culpa minha e que os controlos me deixaram, à falta de melhor expressão, na mão. Tens, no entanto, a possibilidade de alterá-los a teu gosto no menu das definições e aconselho a que vás experimentando até encontrares um esquema com o qual te sintas confortável.

Os inimigos não são propriamente variados e acabaram por captar a minha atenção pelas piores razões.

Os inimigos não são propriamente variados e acabaram por captar a minha atenção pelas piores razões - teria sido interessante a introdução de outros tipos mais complexos, com mecânicas distintas que te obrigassem a raciocinar e arranjar uma forma de os eliminares. Tirando um ou outro que corre mais depressa ou que usa um capacete, os inimigos são sempre iguais e, mais notório ainda, os mesmos modelos são repetidos de forma demasiado óbvia ao longo de todo o jogo. Acabei mesmo por decorar uma grande parte deles: tens o empresário de fato e gravata, a mulher com o cabelo preto desgrenhado, a asiática com o cabelo apanhado, o atlético em tronco nu e calções de banho, entre muitos outros. Para efeitos de dificuldade, o jogo opta pelo caminho da quantidade mas teria sido bom um bocadinho mais de variedade em determinadas fases - nas partes posteriores e mesmo no confronto final, o desafio que terás de enfrentar são ondas atrás de ondas de zombies. Não que seja propriamente mau e, em determinadas fases, verás que não é assim tão fácil lidar com estas multidões, obrigando-te a criares uma estratégia ou tentares arranjar um ponto seguro a partir do qual consigas disparar contra estes inimigos. Mas percebo que, tal decisão, poderia não se coadunar com a filosofia do jogo - o que Arizona Sunshine pretende é dar-te 1001 formas de explodires zombies das formas mais grotescas possíveis e, nesse campo, o jogo faz um belíssimo trabalho.

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Não te matei já uma centena de vezes?

Em termos narrativos, não contes com uma história muito diferente das que tens visto em séries como The Walking Dead ou filmes como Dawn of the Dead - em suma, depois de ouvires uma transmissão na rádio sobre um possível refúgio, tens como objectivo encontrá-lo, com aquelas típicas reviravoltas de filmes de zombies à mistura. Como podes ver, nada propriamente distinto do que se tem feito nos últimos anos. Todavia, a personagem que controlas rouba por completo o espectáculo e faz com que os momentos mais penosos do jogo sejam bem mais suportáveis. A forma como vai narrando os eventos mantém-te investido na (pouca) história e os comentários que vai tecendo à medida que chacina zombies são absolutamente hilariantes, chegando ao ponto de tratar as criaturas como "Freddies" - e fazendo sempre questão em enfatizar quão feios são ou, quando surge mais do que um zombie, exclamar frases como "Tinhas de convidar a tua família toda, não tinhas, Freddy?".

Fora a campanha do jogo, não existe muito mais que possas fazer: a história singleplayer não possui qualquer coleccionável para descobrires ou actividades secundárias que te façam querer regressar, o que reduz em muito a longevidade do jogo. Arizona Sunshine oferece um horde mode em 3 localizações distintas que podes jogar a solo ou com amigos, através de multiplayer. É uma boa adição ao jogo que colmata ligeiramente a questão da longevidade mas, ainda assim, não considero o suficiente para te manter agarrado durante muito mais tempo depois dos créditos terminarem.

Arizona Sunshine pretende dar-te 1001 formas de explodires zombies das formas mais grotescas possíveis e, nesse campo, o jogo faz um belíssimo trabalho.

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A nossa análise de Arizona Sunshine conclui que não será um marco na realidade virtual - nem tampouco no mercado zombie dos videojogos - mas oferecerá bons momentos àqueles que simplesmente procuram descontrair ou que tenham curiosidade em saber como será o Apocalipse em território sulista americano. Uma coisa é certa: não te faltarão armas nem equipamento para derrotares estas criaturas em gloriosa carnificina. Ainda assim, penso ser importante referir que, apesar de poder perder ligeiramente a sensação de imersão, o jogo funcionaria perfeitamente nos "formatos tradicionais" e teria sido bom um uso mais preciso e único da tecnologia como já vi ser feito de forma brilhante noutros jogos VR. De qualquer das formas, trata-se de uma experiência frenética - por vezes assustadora - que te irá manter entretidos durante umas boas horas.

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Jorge Salgado

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Fã de cultura pop, séries jogos animes. É o nosso noobie.

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