Devil May Cry HD Collection - Análise - Até o Dante chorava

Capcom faz combo de remasterizações.

É um port da mesma colectânea lançada em 2012 para PS3 e Xbox 360. Os três jogos estão visualmente datados e mereciam melhor tratamento.

Ah... Capcom... porque razão consegues fazer algumas coisas tão bem e outras tão mal? Começaste 2018 em grande com Monster Hunter World, no qual já investi neste momento dezenas de horas de bom grado, mas agora voltaste aos teus antigos modos com esta Devil May Cry HD Collection.

Sou um fã de longa data de Devil May Cry e sinto-me desiludido com a falta de atenção sofrida por esta colectânea. Enquanto a PlayStation fez um remake espectacular de Shadow of the Colossus que tornou um clássico dos videojogos ainda melhor e com gráficos mais do que aceitáveis para a geração actual, a Capcom limitou-se a pegar na mesma remasterização que já tinha lançado na geração anterior para PlayStation 3 e Xbox 360 e adaptou-a para as novas plataformas.

A única vantagem da nova edição de Devil May Cry HD Collection para as consolas actuais - a PlayStation 4 e a Xbox One - é um salto na resolução de 720p para 1080p, mas sem qualquer tratamento às texturas, iluminação, sombras, distância de horizonte e outros elementos visuais. Assim sendo, a vantagem na resolução maior é praticamente nula. Deste modo, para aqueles que já adquiriram a colecção na geração anterior, não existe nenhuma razão para investir nestas novas versões, visto que se trata de um port quase directo.

"Sem qualquer tratamento às texturas, iluminação, sombras, distância de horizonte e outros elementos visuais"

Efectivamente, a Capcom fez uma reciclagem de uma colectânea da geração anterior com praticamente nenhum tratamento. O resultado são três jogos que, embora ainda dêem algum gozo de jogar, estão extremamente datados visualmente e ficam com um aspecto terrível nas televisões actuais. Mesmo Devil May Cry 3, que é o título mais recente da colecção, não conseguiu resistir bem à erosão do tempo. É mais do que normal, afinal, foi concebido para a PlayStation 2 e actualmente estamos duas gerações à frente. Os videojogos deram um grande salto evolutivo nestes 13 anos que passaram e, qualquer jogo com esta idade, precisa de um tratamento substancial para ter um aspecto aceitável numa televisão moderna.

É triste ver a Capcom a tratar assim uma das suas propriedades intelectuais mais adoradas. Tanto Devil May Cry como Devil May Cry 3 são jogos que ainda hoje têm valor. Face a títulos como Bayonetta ou Metal Gear Rising, estão completamente datados em todos os aspectos, mas não são jogos arcaicos e ainda dão para jogar e retirar algum prazer. Este o único valor desta colecção, que advém dos jogos incluídos e não propriamente do trabalho de recuperação da Capcom, que não existiu. Nem sequer há suporte para 4K, se bem que isso não traria nenhuma vantagem.

De resto, não temos nada a acrescentar em relação aquilo que já tínhamos dito na nossa análise original de Devil May Cry HD Collection. Se em 2012 já tínhamos ficado desiludidos com o tratamento da colecção para a alta em definição, em 2018 ainda mais desiludidos estamos. É a mesma colecção, sendo a única diferença as plataformas e um aumento de resolução para 1080p que em nada beneficia a qualidade visual, dado que não houve um tratamento nos assets. Se queres jogar os primeiros Devil May Cry na PlayStation 4 e Xbox One, esta é a única solução, mas não esperes ficar abismado com a qualidade, pelo contrário.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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