"A Microsoft não tem exclusivos". É uma das frases mais comuns de encontrarmos nas páginas da Internet dedicadas a videojogos. É claramente uma hipérbole, uma exageração da realidade e que não responde à verdade. Todavia, em comparação com as restantes consolas, a Xbox One tem menos argumentos do que as outras no que toca a exclusivos. Existem marcas fortes como Forza, Gears of War e Halo, a santíssima trindade da Microsoft, mas não há como negar que se tem sentido uma falta de diversidade. Mas há esperança! Sea of Thieves, uma nova propriedade intelectual desenvolvida pela Rare, é uma lufada de ar fresco e com muito potencial, podendo tornar-se numa das grandes surpresas de 2018 e num jogo popular.

A Alpha de Sea of Thieves foi uma excelente oportunidade para ficar a conhecer esta nova proposta. Já o tínhamos visto nas apresentações da Microsoft, mas ver e experimentar em eventos é completamente diferente de experimentar no conforto da nossa casa e com pessoas conhecidas. Sea of Thieves é um daqueles jogos que tem que ser experimentado para fazer "clique". É simultâneamente um daqueles jogos que, se têm intenções de jogar sozinhos, perde grande parte do valor. A maior diversão está em agrupar quatro piratas, pegar no maior barco e distribuir as tarefas. Um controla o leme, um tem que estar atento ao mapa, outro tem que estar a manobrar as velas para aproveitar o vento e há que estar alguém em cima do mastro para estar atento a perigos como obstáculos e barcos hostis com outros jogadores.

Sea of Thieves recria com sucesso a sensação de explorares os mares sem complicar demasiado. A Alpha pecava pela falta de instruções ao início, mas depois de completarmos a nossa primeira caça ao tesouro, tudo se tornou mais fácil. Quanto maior for o barco, mais jogadores vão precisar. Existe um barco pequeno para os corajosos aventureiros a solo, um barco médio, para um grupo de dois, e por fim, um grande barco que leva quatro jogadores. É com este último que a experiência realmente é elevada ao máximo. Recentemente terminei de ver Black Sails e este curto período de tempo a jogar Sea of Thieves fez-me sentir um verdadeiro pirata! Içar velas, virar para estibordo, lançar a âncora, fugir e perseguir outros barcos, disparar canhões, encontrar tesouros... tudo isto está no novo jogo desenvolvido pela Rare.

Se há história ou não, e se está será simples ou complexa, permanece um ponto de interrogação. Uma coisa é certa, o mapa é grande! É um mapa composto sobretudo por mar, com muitas ilhas a servirem como pontos de interesse. Não fosse este um jogo de piratas, os cofres são a coisa mais valiosa que podem encontrar. Confesso que fiquei desiludido quando percebi que não podia abrir os cofres e receber loot. Os cofres de Sea of Thieves são uma mera moeda de troca, um meio para alcançar um fim. Os cofres devem ser transportados de barco, com um olho sempre atento a outros barcos que nos queiram saquear, e depois vendidos a comerciantes nas ilhas de comércio. Em troca recebem ouro, que serve para comprar novas armas e mapas de tesouro.

"Sea of Thieves fez-me sentir um verdadeiro pirata!"

Os mapas do tesouro são basicamente quests. A aventura começa sempre com um mapa de tesouro. O jogador deve pegar no mapa e levá-lo até à base de operações no barco, tendo que sugerir uma nova aventura. Se todos os jogadores concordarem, então está na altura de descer as velas e começar a aproveitar o vento. Os mapas do tesouro vão ficando cada vez mais complexos. O primeiro passo é encontrar a ilha indicada no mapa do tesouro, o que exige um olhar atento ao mapa do mundo. No mapa não é indicado o nome da ilha, apenas podemos conferir a sua forma, pelo que perceber o destino da aventura demora sempre alguns minutos. Depois de chegarmos ao destino, temos que resolver um enigma para encontrarmos o cofre ou perceber onde está o "X" assinalado pelo mapa. Por fim, basta pegar nas pás e começar a escavar até ouvirmos o bater na madeira.

O único perigo real são os outros jogadores, que nos podem roubar os cofres. Nas ilhas também aparecem esqueletos, mas são tão fáceis de derrotar que nunca me senti ameaçado. Os tubarões, que geralmente encontrarmos na água a circundar barcos afundados, são mais perigosos e requerem mais golpes antes de ficarem virados de papo para o ar. A Alpha de Sea of Thieves pecava pela falta de desafio. Sim, é um jogo divertido, mas a longo prazo, se não forem colocados desafios maiores, como inimigos mais difíceis e puzzles mais complexos, perderá força. Há cada vez mais uma oferta de jogos online com foco no modo cooperativo e não faltam exemplos de jogos que, apesar de terem potencial, acabaram por falhar ou desiludir devido à falta de conteúdos, desafios e de incentivos para continuar a jogar a longo prazo. Este é o maior desafio da Rare, continuar a alimentar o jogo e a manter a comunidade contente e entretida.

Portanto, a Alpha de Sea of Thieves serviu para nos aguçar o apetite, mas também nos deixou com questões para as quais só teremos resposta quando tivermos acesso à versão final a 20 de Março. Disto isto, a Rare acertou em cheio numa coisa: o mar está fantástico! Num jogo em que vamos passar tanto tempo a vaguear pela água (não existem checkpoints), é importante acertar no comportamento e também no visual da água. Uma das coisas mais fantásticas é colocar o barco a andar à velocidade máxima, aproveitando a força total do vento. Nestes momentos, o barco baloiça violentamente, cavalgando entre as ondas. Sair para fora do mapa dos limites do mapa também é uma experiência única, mas mortífera. O mar e o céu começam a ficar vermelhos, e de seguida, o barco começa a meter água por furos que aparecem do nada.

"É um jogo divertido para se jogar com companhia e que consegue ser muito diferente do que temos habitualmente"

Para além dos cofres indicados pelos mapas de tesouro, existem outro tipo de cofres que podemos encontrar. Um dos que encontrei enquanto me aventurava a solo, chamado "Chest of Sorrow", tinha uma particularidade. Chorava e vertia lágrimas, afundando o meu barco. Quando peguei no cofre, pareceu-me ouvir alguém a chorar. Transportei-o para o barco e, pouco depois, apercebi-me que o convés estava a ficar alagado por causa do cofre. Devido à sua particularidade, é um cofre difícil de transportar e de vender, requerendo que alguém fique com um balde a retirar a água do barco. Estou curioso para descobrir se há mais cofres deste género em Sea of Thieves. É um cofre que já apresenta um desafio maior e que requer que joguem com mais pessoas se quiserem transportá-lo e vendê-lo.

O balanço da Alpha de Sea of Thieves é positivo. Há dúvidas acerca da longevidade a longo prazo e de desafios mais complicados, mas a premissa que a Rare apresenta tem potencial e poderá dar valiosos frutos para a Microsoft. É um jogo divertido para se jogar com companhia e que consegue ser muito diferente do que temos habitualmente. Amigável para todas as idades, graças ao seu aspecto visual simpático e com violência pouco explícita em tom de brincadeira. Será que que Sea of Thieves é um grande tesouro para a Microsoft? Vamos esperar pela versão final para tirarmos conclusões mais sólidas, mas gostamos de navegar no mar, da adrenalina de encontrarmos outros jogadores e de trocarmos tiros de canhões, e claro, de caçar tesouros.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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