Dissidia: Final Fantasy NT - Análise

O foco no multijogador recompensa?

É divertido e singular, celebra esta série de uma forma espectacular, mas a escassez de modos e o foco no multijogador pesam demasiado.

Depois do lançamento inicial nas arcadas Japonesas, a Square Enix apresenta agora Dissidia: Final Fantasy NT em versão de consola, permitindo-te jogar o terceiro jogo na aclamada série derivada de Final Fantasy. Dissdia é uma série muito acarinhada pelos fãs, que viram a Square Enix pegar nos seus adorados personagens e a transportá-los para um jogo de combate, com mecânicas que respeitam os seus poderes e habilidades espantosas. Além de um sistema de combate muito característico, os dois jogos da série Dissidia cativaram pela forma como misturavam estes personagens e ainda nos davam modos robustos, de longa duração e que pareciam combinar de forma eficiente ADN da série com o de um novo género.

Agora chega aquela parte da análise em que te conto como sou um grande fã da série Final Fantasy e como adorei jogar os primeiros dois jogos na linha Dissidia. Foram maravilhas na PSP que me encantaram e foram companhia durante largos meses. São esses dois jogos que se tornaram na base de praticamente todo o entusiasmo em torno deste novo NT. Talvez por ainda guardar um carinho tão especial por esses dois jogos é que o novo se tornou num choque ainda maior quando o comecei a jogar. Foi preciso algum tempo até encaixar a noção da estrutura escolhida pela Square Enix para este novo jogo. É uma estrutura estranha, fraca em modos de jogo, com falhas graves, que mancham o que poderia ser uma magnífica celebração do universo Final Fantasy.

Mas primeiro vou falar do que é este jogo. Dissidia NT é um novo confronto entre os heróis e vilões dos 17 jogos principais da série Final Fantasy da Square Enix, na forma de um jogo de luta 3 vs 3 pelas mãos da Team Ninja, conhecida por Dead or Alive ou Ninja Gaiden. Os três personagens da tua equipa estão presentes na luta, mas apenas controlarás um deles, deixando os outros dois entregues a uma inteligência artificial que frequentemente te deixará à beira de um ataque de nervos. Apesar de ser um fighting game, Dissidia NT é, tal como os dois anteriores, muito peculiar, com regras próprias e conceitos que o separam radicalmente do tradicional jogo do género.

"Para jogares o modo História terás primeiro de jogar outros modos, subindo de nível e ganhando Memoria que desbloqueia capítulos no modo História".

Os personagens podem voar pelos cenários, recorrer a habilidades especiais vindas directamente de um RPG (como Regen, Blind, Confuse e outros), podem destruir cristais para invocar um Summon, demonstrando as suas raízes na série Final Fantasy. No entanto, o mais importante em Dissidia NT é ter em conta que existem dois tipos de ataque e apenas um retira HP. A grande maioria do tempo estarás a usar os ataques Brave, que aumentam de número a cada golpe que acertas. Quando acumulas pontos de bravura executando os simples combos (um botão + direcções para variar), podes despoletar um ataque HP e aí sim incapacitas o adversário. Faz isto três vezes, a qualquer um dos adversários, e serás vitorioso.

É esta a premissa deste fighting game tão peculiar, algo que facilmente cativará os fãs dos anteriores. No entanto, precisas tem em conta que existem mecânicas que dão alguma profundidade à experiência. Além das diferentes classes dos personagens (algumas têm benefícios sobre outras), que ditam se atacam à distância, se são mais lentos mas mais fortes, ou mais velozes e fracos, Dissidia NT deixa-te esquivar, e executar o Dash para voar pelos cenários. Todas estas mecânicas e elementos permitem que Dissidia NT envergue alguma profundidade e tornam-no num jogo divertido no qual não serve de nada martelar aleatoriamente os botões.

Isto é o mais saudável que a Koei Tecmo podia conseguir, um gameplay que respeita os originais e se sente simples, dinâmico, mas com várias regras a respeitar. Especialmente porque homenageiam o legado JRPG destas personagens. É quando estás a combater que Dissidia NT mais facilmente te deixará empolgado. No entanto, existe um lado deste Dissidia que não será propriamente do agrado de todos, não será tão estimulante. É o lado que te faz sentir que NT está preparado especificamente para o multi-jogador online e que a vertente offline foi preparada em modo "serviços mínimos". Mais do que isso, poderás até ficar chocado no primeiro contacto com o jogo.

Vamos por partes para que possas perceber o meu choque inicial. Assim que inicias Dissidia NT, o melhor que tens a fazer é cumprir todos os tutoriais para descobrir todas as mecânicas deste gameplay. Este NT é um fighting game 3v3 no qual controlas apenas um personagem e existem várias especificidades que precisas aprender. Isto não é um simples voar pelos cenários e martelar botões à espera que um mágico lock-on resolva tudo. Depois de cumprido o tutorial, chegas ao menu principal e descobres que tens três opções: Multi Online, História e Offline. O menu despido já é um indicador do que te espera e a aparente escassez de modos fica evidente quando constatas que apenas existem duas opções no lado online e offline, mas isso nem é o pior.

Comecei logo por eleger o modo história e descobri rapidamente que não o podia jogar. A resposta é simples. Para jogar o modo história, na sua grande maioria uma sucessão de cinemáticas com algumas lutas pelo meio, tens de jogar os modos offline ou online para subir de nível. Quando o consegues, ganhas um ponto de Memoria, um tesouro e Gil. Essa Memoria é usada para desbloquear um dos mais de 30 pontos na árvore do modo história. Basicamente, és forçado a jogar os outros modos para avançar na história. Esta é uma decisão estranha e que torna o modo História desnecessariamente complicado e quebrado. Esta estrutura em Dissidia NT quase sugere que o jogo foi desenvolvido em separado, planeado por diferentes equipas e depois remendado para um só pacote. Ganhar pontos para assistir a uma cinemáticas e depois não poder continuar é algo estranho.

És então forçado a jogar os outros modos para avançar no modo História e aqui sentirás a falta de opções e de um modo rico em longevidade como nos outros dois jogos. No modo offline poderás escolher entre o modo básico ou o modo Core. O primeiro é uma sucessão de 6 combates em que a dificuldade vai crescendo, enquanto a segunda é um confronto focado no ataque aos Cristais (ganha quem destruir primeiro o cristal da equipa adversária). Online, tens duas opções: um contra um ou 3 vs 3, isto e apenas isto. Ao progredir no modo História desbloqueias a possibilidade de repetir as batalhas específicas desse modo e isso inclui confrontos contra Summons, dos melhores momentos do jogo. Tão focada na vertente online, Dissidia NT nem inclui sequer um modo multi-jogador offline.

"Prepara-te para ser traído frequentemente pela IA dos teus companheiros nos modos a solo".

Fica aparente desde cedo que Dissidia NT foi pensado como um jogo multi-jogador online, com apenas alguns modos básicos para cumprir com certos requisitos que provaram ser sensíveis anteriormente. O caso controverso de Street Fighter 5 ainda paira sobre a indústria. Poderás desbloquear imensas skins, armas, golpes, músicas, e uma grande quantidade de itens que qualquer fã de Final Fantasy vai adorar, mas é difícil olhar para a experiência geral e não sentir que está muito limitada. Os modos offline são o mais básico possível e a estrutura não é a melhor. Poderá mesmo ser confusa para alguns. Tudo isto faz com que Dissidia NT seja um jogo de altos e baixos, com muito que te poderá encantar, mas outro tanto que te deixará confuso ou a pedir mais.

Algo que merece somente elogios é toda a vertente gráfica e sonora deste Dissidia NT. A Square Enix e a Team Ninja esmeraram-se e qualquer fã ficará espantado com a representação dos seus adorados personagens ou locais. A banda sonora, composta por novos temas de compositores da Square Enix e temas vindos directamente de cada um destes 17 jogos, é de grande qualidade. Quando combinada com os confrontos de grande ritmo e os gráficos de elevada qualidade e fidelidade, fica sublime. Dissidia NT consegue ter momentos fantásticos, como as arenas que mudam radicalmente a meio dos combates ou os modelos impressionantes dos personagens. O gameplay é interessante o suficiente para deixar os fãs da série interessados, a qualidade gráfica e visual também, pena a escassez de modos de jogo, especialmente de um modo robusto e épico.

Dissidia: Final Fantasy NT volta a celebrar a série Final Fantasy de uma forma muito peculiar. Este é um jogo de luta diferente de praticamente tudo o que poderás encontrar no género. Tudo o que diz respeito ao design visual e sonoro é simplesmente magistral, prestando homenagem à série e deixando qualquer fã encantado. No entanto, ao contrário dos anteriores, o modo história não é o foco, mas sim o modo multijogador online que tenta demonstrar a capacidade de Dissidia para figurar como um potencial jogo eSports. Se queres um brinde à série que tanto amas, não tenhas qualquer dúvida que a Square Enix e a Koei Tecmo o fizeram muito bem: é divertido e empolgante, mas terás de ter em conta a forte escassez de conteúdos e as especificidades da experiência.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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