DOOM na Nintendo Switch - Análise

Um compromisso aceitável?

Esta versão de DOOM tem demasiados compromissos e é muito pior do que as outras versões.

DOOM consagrou-se em 2016 como um dos melhores jogos de tiros do ano e conseguiu revitalizar um clássico de longa data. A velocidade eloquente da jogabilidade, a violência gratuita e a forma como a id Software prestou homenagem à sua própria criação tornaram o novo DOOM num jogo divertido, desafiante e voraz. Eis que agora, mais de um ano após a chegada das três versões originais - PC, PlayStation 4 e Xbox One - surge uma nova versão para a Nintendo Switch, a consola híbrida da Nintendo que está desfrutar de um bom primeiro ano. Não é novidade que a Nintendo Switch é uma consola tecnicamente inferior, o que aceitável sabendo que é no fundo uma portátil, mas será que consegue correr DOOM de uma forma satisfatória e que não prejudique a experiência?

A resposta é um grande NÃO. Desde o lançamento que os fãs da Nintendo têm-se queixado da falta de apoio third-party à consola e DOOM é o primeiro título AAA multiplataforma a ser lançado para este sistema híbrido (existe FIFA 18, mas trata-se de uma versão produzida a pensar na consola). Apesar de ser o primeiro do género na Nintendo Switch, mostra imediatamente por que razão há essa falta de apoio. A Nintendo Switch é muito inferior às outras consolas e não tem capacidade para oferecer a mesma experiência. DOOM é um exemplo disso e cuja qualidade cai a pique por correr num hardware inferior. Dá para jogar? Dá, mas não é a mesma coisa. Em nome da portabilidade foram feitos demasiados compromissos para colocar o jogo a correr na Nintendo Switch.

Abordando os aspectos técnicos, a Bethesda reduziu a resolução para 720p, tanto em modo portátil como na dock, e cortou em metade o rácio de fotogramas. Portanto, DOOM, um jogo glorificado pela sua componente tecnológica, corre a 30 fotogramas por segundo na Nintendo Switch. Como consequência, é um jogo muito mais lento e menos fluído. Em grande parte, a essência do jogo perdeu-se. Como um exercício técnico, é engraçado jogar DOOM numa portátil. Não foram feitos cortes no conteúdo (com a excepção do SnapMap, o criador de mapas) e esta versão tem tudo o que as restantes têm, nomeadamente a campanha, o modo arcade e multiplayer. Por um lado, podemos dizer que não é uma má conversão conhecendo as limitações inerentes à Nintendo Switch, mas por outro, não é uma boa representação do produto original e é muito pior do que as outras versões.

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Para além da resolução menor, a imagem parece que fica esborratada.

Há ainda outra questão. Os Joy-Con não foram pensados para jogos de tiros. Basta jogar alguns minutos de DOOM para perceber que os analógicos são desconfortáveis e que é difícil apontar com eles. Para além de serem pequenos, têm um ângulo de movimentação menor. Obviamente que isto é um problema que pode ser anulado com o Pro Controller, mas trata-se de um acessório que têm que ser comprado à parte. Juntando isto à limitação dos 30 fotogramas por segundo, longe do ideal para um jogo destes, não é nada agradável jogar DOOM na Nintendo Switch, principalmente para quem jogou alguma das versões originais.

"Não é nada agradável jogar DOOM na Nintendo Switch, principalmente para quem jogou alguma das versões originais"

Os 30 fotogramas por segundo, que nem sempre são estáveis, é apenas parte do problema. A qualidade de imagem deixa bastante a desejar. Os gráficos parecem esborratados, como se a imagem não estivesse nítida. Normalmente, com base na experiência noutros jogos para a Switch, isto só acontece quando ligámos à consola à televisão, mas em DOOM, a imagem esborratada é visível também no modo portátil. Pelo que pudemos observar, as quedas nos fotogramas acontecem em momentos como as Gory Kills e, curiosamente, nas partidas multijogador.

Concluindo, será que a Nintendo Switch consegue correr DOOM? Consegue, mas os compromissos são mais do que muitos. É o custo de ter uma versão portátil, mas se são necessários tantos sacrifícios ao ponto que a experiência fica manchada e longe do que deveria ser, mais vale optar por uma das outras versões e ter a derradeira experiência de DOOM. O jogo é muito bom, tal como podem conferir na nossa análise original a DOOM, mas não conseguimos recomendar esta versão, que mais parece ser um exercício para ver do que a Nintendo Switch é capaz .

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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