Ex-produtor da Bioware diz que a EA só quer saber de dinheiro

"Eles não querem saber dos interesses dos jogadores."

Embora a indústria dos videojogos ainda reserve uma pequena parte da inocência que tinha inicialmente, a realidade é que cada vez mais temos uma abordagem capitalista a este mercado. Por outras palavras, o objectivo primário é descobrir e implementar novas formas de aumentar as receitas.

As controversas microtransacções, que este ano tanto estão a dar que falar devido à sua implementação mais agressiva em jogos como Forza Motorsport 7 e Middle-Earth: Shadow of War, são o resultado desta abordagem capitalista aos videojogos.

Manveer Heir, ex-produtor da Bioware e que trabalhou no estúdio durante sete anos, tendo participado no desenvolvimento de Mass Effect 3 e Mass Effect Andromeda, trouxe mais luz para este assunto, acusando a Electronic Arts de se preocupar apenas em aumentar as receitas e de manipular o desenvolvimento dos jogos com esse fim.

Numa conversa aberta com o Waypoint Radio, o ex-produtor da Bioware disse que, apesar dos orçamentos para videojogos estarem acima de $100 milhões, "não criamos espaço para bons jogos a solo que custam menos".

"Por que razão não podemos ter os dois tipos? Por que razão tem que ser um em vez do outro? A razão é que a EA e as outras grandes editoras apenas se preocupam em receber o máximo possível de um investimento. Eles não querem saber dos interesses dos jogadores, apenas se preocupam com aquilo pelo qual os jogadores estão dispostos a pagar."

"A EA e as outras grandes editoras apenas se preocupam em receber o máximo possível de um investimento"

A nova abordagem da Electronic Arts começou com o multijogador de Mass Effect 3, que teve imenso sucesso. De acordo com Manveer Heir, houve quem gastasse mais de $15,000 em cartas para o multijogador. A partir daí a Electronic Arts começou a querer multijogador noutros jogos que antes não o tinham, nomeadamente Dragon Age.

O reforço nas microtransacções por parte das grandes editoras também explica o surto de jogos em mundo aberto recentemente. O ex-produtor da Bioware explica que é mais fácil implementar microtransacções em jogos desta natureza do que em experiências lineares. Ultimamente, o objectivo é encorajar o jogador a voltar ao jogo e a gastar mais dinheiro para além do custo inicial.

Mass Effect Andromeda sofreu com esta pressão por parte da Electronic Arts. A Bioware não tinha planos para que fosse um jogo em mundo aberto e teve que reiniciar o design várias vezes. Apesar do longo período de desenvolvimento, o design da versão final que chegou às mãos dos jogadores tinha cerca de dois anos e meio.

Cansado e desiludido, Manveer Heir optou por sair da Bioware para criar o seu próprio estúdio. Neste momento está a reunir fundos para o seu primeiro projecto.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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