Assassin's Creed: Origins - Jogámos aquele que promete ser o melhor jogo na série

O mundo aberto combina na perfeição com a série.

Graças a um convite da Ubisoft, tivemos a oportunidade de viajar até Londres onde passamos 3 horas com Assassin's Creed: Origins, o próximo grande jogo na aclamada, mas altamente controversa, série que promete imensas novidades. Depois de um ano sem qualquer nova entrada, a série Assassin's Creed regressa com as baterias carregadas e com uma clara vontade de colocar o seu nome na ribalta. A Ubisoft tornou-se numa das principais editoras da actualidade e este Assassin's Creed: Origins é o seu grande lançamento no final de 2017, uma grande responsabilidade para a equipa. Esta amostra serviu para nos aguçar ainda mais o apetite por um jogo que promete honrar a série à qual pertence, onde é introduzido o maior número de novidades jamais visto de um jogo para outro.

Apesar de permitir explorar grandes locais, a série Assassin's Creed nunca se apresentou com o que poderia ser verdadeiramente descrito como um mundo aberto, onde encontras várias cidades pelas quais viajas sem interrupções. Origins aposta nesse molde, que rege a actual indústria. Alterou o sistema de combates para algo que parece originar de For Honor, introduziu um sistema de crafting que parece derivar de Far Cry Primal, combinados com elementos RPG vistos em The Division para subir de nível, com direito a sistema de loot RNG para armas que se dividem por diferentes classes de qualidade e perks. Origins promete assumir-se como uma experiência altamente profunda e fiquei agradavelmente surpreendido com a naturalidade com que todos estes sistemas se entre-ajudam.

Nesta sessão com Assassin's Creed: Origins, jogada na Xbox One X, tive a oportunidade de jogar algumas missões de história, mas não revelarei quaisquer detalhes além do que já se sabe. Origins explorará a origem da ordem dos Assassinos e como Cleópatra governou o Egito Antigo graças à ajuda de um grupo de misteriosas figuras. A Ordem dos Anciãos é o grupo de figuras de grande poder que governa das sombras um povo amedrontado e sem capacidade para ripostar. Bayek será a luz no meio da escuridão e tu serás o responsável por libertar um povo da opressão. No entanto, como seria de esperar numa trama política, terás de navegar por mares perigosos. Apenas tive a oportunidade de jogar algumas missões de história e todas elas serviam para explorar mais da personalidade de um antagonista principal. A pouco e pouco vais levantando o véu sobre as suas intenções e como enfraquecer o seu domínio sobre o povo.

"Origins é o perfeito exemplo desta geração de híbridos, onde encontras jogos que combinam o seu ADN com mecânicas inspiradas em outros jogos de sucesso."

Assassin's Creed: Origins promete uma história envolvente e intensa, pelo menos a julgar pelas cutscenes e personagens, mas raramente tira o controlo ao jogador. Percorrendo locais imensos e abertos, nesta sessão apenas uma pequena parte de um enorme mapa estava disponível, poderás encontrar missões secundárias e actividades aleatórias que surgem quando passas por um local. Rapidamente Origins te fará sentir que a Ubisoft combinou Assassin's Creed com The Witcher 3, aproveitando pelo meio o que de melhor as suas mais recentes propriedades intelectuais conseguiram. As missões secundárias são variadas e até existem as de investigação de locais, como em Syndicate. A Ubisoft parece querer demonstrar que aprendeu com os erros e arrisca várias mudanças numa série muito conhecida.

Na sua tentativa de melhorar e expandir a série Assassin's Creed, especialmente quando procura aproximar-se muito mais de uma experiência RPG, a Ubisoft alterou completamente o sistema de combate e tornou-o mais intenso. Se tal como eu gostaste da ideia de For Honor e do gameplay que oferece, então muito provavelmente ficarás surpreendido com Origins. Os combates tornaram-se numa espécie de duelo que terá de ter em conta o nível do adversário e o tipo de armas que usas (existem várias e podes manter duas acessíveis no menu rápido via d-pad, o mesmo para o arco e flecha). Colocar a mira no adversário e levantar o escudo de Bayek ajuda-te a olhar o adversário nos olhos, sem jamais esquecer que o side-step é o teu melhor amigo. Martelar os botões não é eficaz e aqui precisas de muito mais do que um bom timing, é preciso respeito e compreensão pelo novo sistema.

Este novo sistema de combate é uma das razões pelas quais fiquei tão entusiasmado com Origins, muito superior e gratificante ao que vi antes na série. Especialmente quando existem arcos que disparam três flechas em simultâneo ou outros que te permitem controlar a seta). As armas respeitam o sistema RPG procurado para aprofundar esta experiência. Existem vários níveis (normal, raro, lendário), cada uma com atributos específicos que podem melhorar a tua prestação e apesar de algumas serem recompensas garantidas numa missão, a grande maioria é parte do sistema de loot aleatório que te motivará a jogar Origins muitas horas a fio sem progredir na história. A fluidez do gameplay e os controlos intuitivos incentivam-te a testar várias combinações de armas ou ataques e a procurar combinar diferentes ataques.

O pessoal da equipa de desenvolvimento presente no local disse que Origins está feito para agradar aos que gostam de entrar nas actividades secundárias ou explorar túmulos à procura de melhores armas, arcos, escudos ou habilidades. A XP que ganhas permite-te subir de nível e adquirir novas habilidades numa extensa árvore, permite-te aceder a novas missões (cada uma tem o seu nível e apesar de ser possível enfrentar uma missão num nível superior, o risco será imenso) e, basicamente, permite que Bayek fique mais forte. No entanto, as armas e equipamento de melhor qualidade são o passo para a vitória. O sistema de crafting permite-te criar versões melhores das armas e itens, mas procurar armas raras promete tornar-se num vício. Origins está feito para que ganhes armas de nível superior ao teu e sintas vontade de cumprir actividades alternativas para subir de nível e as usar, sem tocar na história.

"Quando comecei a jogar pensei que eram demasiados botões para um jogo só, passados 15 minutos tornou-se natural e fluído."

A Ubisoft provou por diversas vezes que consegue criar mundos credíveis e com uma atmosfera envolvente. Origins atesta isso e apresenta-te um Egito Antigo com locais variados e muitas mecânicas novas na série. Assassin's Creed: Origins é, à semelhança de jogos como Horizon Zero Dawn, a face moderna dos videojogos. Um título híbrido que apesar de assentas as suas raízes nos jogos de acção e aventura, utiliza o seu mundo aberto como um imenso recreio capaz de sustentar elementos que há anos atrás apenas vias num RPG.

Isso aplica-se à sua estrutura, que te deixa explorar com total liberdade, mas com contra-partidas relacionadas com os níveis dos inimigos. Para ajudar a contornar isso (dando liberdade de escolha ao jogador), Origins permite abordar as missões de vários ângulos, de forma furtiva ou de forma violenta. Um exemplo foi quando salvei um escravo das mãos do Império Romano sem alertar ninguém, coloquei-o nas costas do cavalo e cavalguei pela noite. Podia ter entrado em confronto directo, mas um inimigo mais imponente a nível 17 para um Bayek de nível 13 foi toda a desmotivação que precisei. Como resultado, descobri que adoro a abordagem furtiva que me permite encontrar buracos nas vedações ou tendas dos acampamentos, aproximar uma seta de uma tocha e enviar a seta em chamas para um jarro de pólvora e queimar inimigos a dormir.

O mais impressionante foi constatar que Origins está repleto de pequenos detalhes que aumentaram o meu respeito por este mundo. Desde as festas que Bayek faz a Senu, a sua águia que dos céus marca recursos, objectivos e inimigos, passando pelos gatos que se encostam a Bayek e o seguem se forem mimados, a Ubisoft imprimiu grande cuidado aos mais pequenos detalhes. Outro elemento que revela uma grande vontade de ampliar as ferramentas disponíveis ao jogador é o sistema de avanço no tempo. Chegas a um local e sentes que a missão seria melhor executada de noite, basta pressionar um botão e em segundos o tempo avança rapidamente e estás pronto, sem interrupções. Foi a fluidez entre as mecânicas e a forma como se encaixam que aos poucos e poucos me deixaram ansioso por mais.

Assassin's Creed: Origins estava a correr numa Xbox One X e como seria de esperar, a qualidade visual é impressionante. A elevada qualidade dos modelos dos personagens, dos efeitos, a iluminação que torna todo o mundo de jogo mais robusto e apelativo, as incríveis distâncias de visão e a performance altamente estável e sólida serviram para aumentar a vontade de jogar. No local disseram-me que jogar nas outras consolas seria igualmente gratificante, mas na Xbox One X terás a melhor versão possível do jogo. O mais impressionante, muito mais do que texturas de alta resolução nos cenários e personagens, são as distâncias de visão que permitem vislumbrar cidades ou pirâmides muito distantes de ti. A forma como a iluminação ajuda a estabelecer a atmosfera dos diversos locais também é um dos claros destaques. Um jogo com as grandes ambições de Origins precisa de uma qualidade gráfica e de uma performance igualmente ambiciosas, pelo que vi parece pronto para cumprir.

Sei que falar de Assassin's Creed é falar de Ubisoft, o que para muitos jogadores é sinónimo de bugs. Nas três horas de jogo, vi alguns bugs ocasionais nas animações, coisa rara, e um sistema de câmara livre que apresenta uma melhor perspectiva sobre quase todos os momentos, mas permite entrar por objectos adentro e ver geometria mais feia. É uma contra-partida necessária para permitir que os combates não se tornem irritantes ou percas o ângulo de visão. Pareceu-me fazer sentido tendo em conta a experiência geral ao longo destas três horas de jogo, mas entrar por alguns objectos adentro revela momentos nada agradáveis. Foi-me dito que esta versão não era a mais recente, tinha 3 semanas, enquanto uma mais recente já corria entre a equipa de desenvolvimento e com várias melhorias. Se estás com receio de bugs ou de um jogo injogável, o nível de polimento nesta versão já parece remover quaisquer receios.

Assassin's Creed: Origins deixou grandes promessas e se para uns é apenas mais um AAA de laboratório, para outros promete tornar-se numa entusiasmante viagem pelo Egito Antigo. Do pouco que tive a oportunidade de jogar, pouco para um jogo desta escala, fiquei com a clara sensação que Origins tem o potencial para se tornar no mais divertido e interessante jogo da série Assassin's Creed. Ao converter o gameplay da série para um mundo aberto, com um motor gráfico capaz de sustentar essa ambição, combinando o melhor de si mesmo com as mais aclamadas ideias implementadas por referências como The Witcher 3, Assassin's Creed: Origins poderá ser uma surpresa para muitos. Confesso que fiquei muito mais entusiasmado à saída do que à entrada, algo raro de acontecer, enquanto jogador, isso deixa-me extremamente contente.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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