F1 2017 - Análise

Os F1 mais rápidos de sempre.

A presente temporada de Fórmula 1 tem sido uma das mais entusiasmantes da última década. Há muito tempo que não víamos uma luta tão acesa entre dois rivais de equipas diferentes. Este fim de semana reeditou-se o "volante de ferro" entre Hamilton (Mercedes) e Vettel (Ferrari), no belíssimo e "old school" circuito de SPA Francorchamps, casa do Grande Prémio da Bélgica, com vantagem, no final, para o britânico, que encostou a Michael Schumacher no recorde de poles: 68. Ambos rodaram a fundo ao longo das 44 voltas que compõem a prova, sem margem para erros, numa luta titânica e absolutamente à margem do pelotão.

A justificação para a aproximação da Ferrari à Mercedes poderá residir na mudança dos pneus, chassis e motor, alterações implementadas pela FIA, esta temporada, que forçaram as construtoras a mudar as agulhas. Em resultado, os carros não só ficaram mais bonitos como mais rápidos. Nisto, a Mercedes viu fugir aquela superioridade que ostentava desde a introdução dos novos motores turbo. Aqui chegados, estamos perante os fórmulas mais rápidos da história da modalidade, pelo que novos recordes vão continuar a ser estabelecidos.

Uma excelente oportunidade para a Codemasters, detentora da licença oficial, explorar ainda mais o jogo que reproduz todas as incidências do mundial. Na temporada transacta a produtora foi capaz de estabelecer um novo paradigma, conjugando autenticidade com desafio, atenção ao detalhe e condução próxima da simulação. Sobretudo permanece a boa sensação de condução, que pode ser ajustada consoante a nossa experiência. Mais agressiva e arriscada, visando uma experiência próxima da simulação, ou simplesmente uma condução arcade e pouco penalizadora quando jogamos só pelo gozo.

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Red Bull Ring, casa da Red Bull, é uma das melhores pistas. Pena que falte alguma emoção e factor divertimento aos circuitos desenhados pela equipa Tilke, como o circuito que serve o GP da China.

Sendo os fórmulas de 2017 dos mais bonitos, a produtora brindou-nos com um regresso ao passado, acrescentando uma linha de belos clássicos de anteriores gerações, como que em jeito de comparação. O mais antigo mas talvez a coroa dos clássicos é o McLaren MP4/4, de 1988 (tido por muitos como o melhor carro de Ayrton Senna e o que lhe deu o primeiro de 3 campeonatos do mundo) e o mais recente é o Red Bull de 2010, o primeiro campeão pela mão de Sebastien Vettel (agora Ferrari).

No meio estão outras relíquias como o McLaren MP4/6, de 1991 (o último campeão às mãos de Senna), o Williams de Nigel Mansel, o último Ferrari da dinastia nº 27, motor V10, de Jean Alesi (que maravilha aquele som), o Williams de Jacques Villeneuve, os Ferrari de Shumacher 2000 e 2004, o Renault 2006 de Alonso, McLaren de 2008 conduzido por Lewis Hamilton e campeão do mundo na última curva do circuito de Interlagos, o Ferrari campeão (2007) de Kimi Raikkonen, e até o McLaren de Mika Hakkinen, outra grande criação de um dos melhores designers de sempre; Adrian Newey. Em suma, um vasto alinhamento de carros clássicos, muitos campeões do mundo, que ao juntarem-se à grelha de 2017, criam uma combinação verdadeiramente irresistível.

Como sempre, nestas andanças, há quem prefira os clássicos e há quem diga que os fórmulas nunca foram tão bons como agora. Mas neste tabuleiro no qual se conjugam diferentes eras de veículos, percebe-se um sentido de evolução e que à época todos os campeões foram os melhores e os mais bravos pilotos. Ao entregar esta fornada, a Codemasters responde ao anseio de muitos fãs e permite uma ampliação dos conteúdos, especialmente no que toca ao modo campeonatos. Pena que nesta selecção não estejam incluídos os verdadeiros pilotos e muitas das pistas da época (pensamos em Imola). Mas alguns circuitos que militam no actual campeonato do mundo ainda derivam desses anos, como o GP da Hungria ou os circuitos de Monza, SPA Francorchamps, Interlagos e Suzuka.

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Clássicos em Eau Rouge, uma das curvas mais complexas no circuito de SPA Francorchamps. Os F1 passam lá de pedal a fundo, depois do Raidillon.

A sensação de condução vertiginosa dos monolugares de 2017 verifica-se assim que passamos de algum dos clássicos para um dos carros da actual temporada. A velocidade é maior, embora o ruído do motor seja menos impressionante, a potência extra do motor garante mais veleidades. Curvar é mais fácil, sobretudo depressa e com mais aderência, agora que os carros calçam pneus maiores e apresentam eixos mais largos (perderam alguma velocidade em recta mas isso é pouco perceptível), ganhando mais estabilidade. No geral é um desenvolvimento significativo mas ao qual nos adaptamos ao fim de umas breves voltas. É difícil pôr F1 2017 como um simulador puro, a Codemasters faz algumas cedências e continua a fomentar a acessibilidade, ainda que seja justo referir que sem as assistências não é de modo algum um passeio de domingo à tarde e porá à prova mesmo os pilotos virtuais mais dedicados.

O modo carreira, volta a perfilar-se como um dos mais importantes conteúdos, ao proporcionar um desenvolvimento do nosso piloto, através de uma série de temporadas. O objectivo passa por subir das equipas pequenas até às grandes marcas como Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para isso terão que obter bons resultados no campeonato. Em equipas como Sauber ou McLaren Honda os objectivos são moderados e a punição não é severa no caso de falha. Com o Grande Prémio disputado na sua plenitude terão os treinos livres de sexta-feira e sábado, nos quais poderão definir estratégias de corrida consoante os pneus, combustível e paragem nas boxes. Tudo isto é descrito no vosso computador portátil e ainda contam com o apoio do engenheiro no tratamento dos dados. Os treinos livres adquirem uma importância adicional, sobretudo no que toca ao desenvolvimento do carro.

Para tal terão que acumular pontos e esses pontos provêm dos desafios superados e dos prémios pelos objectivos alcançados. Dessa forma é mais fácil desenvolver quatro áreas do carro. Desde a aerodinâmica, ao chassis, passando pelo motor, ter o carro mais capaz a meio da temporada permite chegar perto dos melhores resultados. Isto já sucedia na edição passada, mas agora o quadro é mais alargado e permite compreender melhor a necessidade de evoluir o carro. Treinar deixa de ser algo simples para se apresentar como factor imprescindível para a evolução do carro. Claro que ao longo da temporada as outras equipas evoluem (podem observar o vosso posicionamento na grelha de desenvolvimento), mas aqui é que a experiência fica interessante, pois não só terão que evoluir o carro como poderão suplantar as outras escuderias.

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Bons efeitos de iluminação.

Este trajecto supõe um conhecimento bastante claro e profundo das regras da Fórmula 1, sobretudo da gestão dos pneus ao longo do fim de semana, especialmente na prova de qualificação e corrida. Com várias misturas disponíveis (dos ultra macios aos pneus mais duros e resistentes para mais voltas), é importante gerir da melhor forma e usar, para a parte final da corrida, quando o combustível no carro é menor, deixando-o mais leve para voltas rápidas. Claro que a estratégia é organizada em função do número de paragens nas boxes, contando que os pneus mais duros assumem maior longevidade, não terão que parar tantas vezes. Muitas vezes a estratégia é afectada pela mudança das condições meteorológicas. Adversidades como chuva criam dificuldades adicionais, não só em termos de condução mas na condução da estratégia, com uma paragem obrigatória para a mudança de pneus, para intermédios ou de chuva, caso o traçado se encontre totalmente alagado. Nestes termos, F1 2017 proporciona um exercício muito realista e autêntico.

Safety Car em pista e virtual permanecem, assim como a volta de lançamento, a partida controlando o acelerador e a embreagem. Destaque para mais vídeos e segmentos animados dos pilotos, com descrições muito fiéis, antes e depois da corrida, com destaque para o podium. Um ponto interessante é a presença das mulheres nos pilotos não oficiais, através dos avatares. Neste caso o editor deixa-vos personalizar o piloto, sendo que ao começarem a jogar F1 2017, caso seja detectado o "save file" é-vos pedido se pretendem usar os dados gravados.

Existem vários níveis de dificuldade, podendo gerir a inteligência artificial, de modo a torná-la mais realista. De qualquer modo, parece-me que mesmo num nível baixo ainda ocorrem acidentes e situações de alguma frustração, especialmente quando o pelotão afunila na primeira curva do traçado depois da partida e somos literalmente empurrados. Contudo, as penalizações são imediatas e qualquer tentativa de saída de pista é imediatamente alvo de repreensão, com eventual perda de segundos. Mas quando pensamos nos duelos - reincidentes - entre Esteban Ocon e Sérgio Pérez, depressa percebemos porque a realidade virtual não está assim tão longe da realidade.

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As paragens na boxe e a gestão de estratégia ocupam um papel essencial em cada corrida.

F1 2017 não reproduz só a actual temporada. Existem outros campeonatos, nomeadamente o clássico, o campeonato de sprint e o campeonato de formato duplo. As categorias de acesso também estão disponíveis, acrescentando mais variedade e sobretudo diferentes experiências de condução. No que toca aos circuitos, dá a sensação que sem novas entradas ( o calendário é o mesmo do ano passado) a Codemasters apostou em apresentar algumas pistas em configuração dupla, como acontece, por exemplo, em Silverstone. No Mónaco, a corrida pode ser disputada durante a noite, uma passagem da luz natural para a luz artificial, com o mesmo glamour da Côte d'Azur.

Time Trials, modo Grand Prix, articulado entre modelos de 2017 e clássicos, complementam o núcleo da experiência. Existem desafios regulares, de forma online, com base em eventos que aconteceram em grandes prémios anteriores. O objectivo passa por dar a volta à situação. As corridas online (multiplayer), até 20 jogadores, permitem a formação completa do pelotão. Se houver boa vontade entre todos, acontecem corridas divertidas e desafiantes.

Com margem de progressão e melhoria, especialmente nos carros e nas pistas, nem por isso F1 2017 deixa de ser uma boa alternativa a outros jogos de condução de automóveis, especialmente se forem fãs deste desporto. O recurso ao volante é imprescindível a fim de garantir uma condução mais precisa e segura, sobretudo a longo prazo. Já o pad revela-se satisfatório para uma utilização fugaz, do tipo arcade. Após um bem sucedido F1 2016, a actual produção trouxe mais consistência, destacando-se pela variedade de veículos, através dos clássicos. A captura do mundial está bem presente, não faltando os comentários (de A Davidson) e todos os detalhes da modalidade.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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