Nex Machina - Análise

Diversão aos cubos.

Depois de Resogun na estreia da PlayStation 4, provavelmente um jogo que muitos jogadores não vão esquecer, e de Alienation, outra proposta sensacional de um estúdio dedicado à exploração e aprofundamento do género twin-stick shooter, a Housemarque voltou com mais uma nova propriedade intelectual: Nex Machina. Tal como os seus anteriores jogos, Nex Machina é mais uma tentativa de capturar um espírito arcada de outras décadas (quando os salões das arcadas vibravam com energia). Gameplay arcade, simples e directo quanto baste, com um foco em controlos precisos e robustos, acompanhados por uma banda sonora atmosférica e visuais explosivos. Assim é Nex Machina, um jogo que poderá começar como um pesadelo para no momento seguinte se revelar brilhante.

Se jogaste um qualquer outro jogo deste estúdio Finlandês, sabes que adoram colocar-te em espaços restritos onde terás de enfrentar diversas vagas de inimigos, enquanto te desvias dos tiros dos adversários. Inevitavelmente, terás de enfrentar extra-terrestres asquerosos em planetas longínquos enquanto tentas salvar os humanos perdidos por ali. O mais importante de tudo é tentar não morrer. Para desfrutar de Nex Machina é preciso sintonizar esta frequência tão específica,e divertida que a Housemarque incute nos seus jogos: arcade puro e duro. Se morreres tens continues e podes iniciar esse segmento mais uma vez, mais isso significa que perdes os preciosos power-ups e que a tua pontuação sofre. É o regresso à adrenalina das arcadas, sem o fumo do cigarro e a pressão de sentir que não vais resistir e começas a pensar que vais gastar o dinheiro do autocarro.

Tal como fez no passado, a Housemarque recorre a princípios muito específicos para alimentar esta sua proposta: gameplay imediato e divertido, explosões visuais intermináveis, e um ritmo frenético quase impossível de acompanhar. Acredita que o teu cérebro vai pedir uma pausa. Foi assim que a Housemarque conquistou os jogadores com Super StarDust, DeadNation, Resogun e Alienation. Todos eles jogos que partilham de um ADN comum: controlos simples em experiências frenéticas que testam os teus reflexos. A premissa é mesmo assim tão directa, os dois analógicos são o principal meio de interacção com o jogo e os teus reflexos terão de ser precisos.

Nex Machina é um daqueles jogos nos quais em meros segundos estás a percorrer o ecrã enquanto disparas com um dos analógicos e te movimentas de forma absurdamente rápida com o outro. É assim tão simples, mas o ritmo e dificuldade tornas as coisas especiais. A Housemarque inclui cooperativo local para dois jogadores, Nex Machina pode oferecer uma grande diversão neste modo, e podes acreditar que é gloriosa a sensação de evitar todos os inimigos e os tiros que percorrem o ecrã, enquanto disparas e matas tudo o que vês, abrindo caminho até um humano e mantendo todos as armas extra na tua posse. As lutras contra os bosses não podiam faltar e marcam alguns dos melhores momentos.

Apostando numa estética visual que relembra Resogun, graças aos coloridos cubos criados pelos inimigos e objectos quando explodem, Nex Machina consegue preencher o ecrã com uma quantidade inacreditável de elementos. Isto torna tudo altamente dinâmico e permite uma bela sensação de causa e efeito. Os cubos não funcionam apenas como um mero adereço visual, são indicadores de onde estiveste e dos espaços livres. Quase de forma natural, vais aprender a encará-los como pistas visuais para navegar pelo meio dos cubos que significam destruição. Visualmente, Nex Machina é altamente competente e os seus visuais podem trocar algum detalhe pela fluidez incrível dos imprescindíveis 60fps mas a aposta da Housemarque foi em cheio.

Nex Machina é mais uma amostra do incrível talento que existe na Housemarque, talento dedicado a experiências arcade de diversão imediata. A combinação de controlos simples com um design e gameplay altamente frenético e exigente resulta na perfeição, mais uma vez. Depois de outros êxitos recentes, só nesta geração tivemos Resogun e Alienation, além deste Nex Machina, a Housemarque cimenta a sua posição como uma das mais importantes produtoras no género twin-stick shooter, elevando a fasquia para quem quiser apresentar propostas similares. A banda sonora, os visuais, a fluidez das acções e a constante necessidade de melhorar a prestação combinam de forma muito eficaz. O único senão poderá estar nos poucos modos de jogo de uma experiência que se foca nas tabelas de pontuação como principal forma de prolongar a longevidade.

A Housemarque não precisava de Nex Machina para nos mostrar o quão talentosa é e o quão apaixonada está pelas furiosas experiências arcade das décadas de 80 e 90. Os anteriores jogos demonstraram isso com grande espectacularidade. No entanto, Nex Machina solidifica a sua posição como uma das mais importantes casas para todos os adeptos destas experiências explosivas e demonstra o quão sensacionais podem ser, mesmo para quem não está habituado ao género twin-stick. Nex Machina é um dos mais brilhantes títulos da Housemarque e apenas peca pela falta de opções a médio prazo. No entanto, enquanto estiveres determinado a subir nas tabelas de pontuações, é como se o combustível fosse infinito.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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