Esta semana a Hamster Corporation anunciou que os jogos da série ACA NeoGeo para a Nintendo Switch atingiram 200 mil descargas em todo o mundo, conforme noticiamos aqui. A Hamster Corporation é uma fabricante de software sedeada em Tóquio que adquiriu à SNK os direitos de distribuição dos seus jogos para as lojas em formato online. A linha ACA Neo Geo não é exclusiva da Nintendo Switch. Antes mesmo dos jogos começarem a surgir no dia de lançamento da Switch, já os serviços online de jogos da Xbox One e da PS4 disponibilizavam alguns clássicos da mítica consola 16 bit da SNK (Neo Geo AES) e das arcadas através do formato MVS.

Com dois meses de Nintendo Switch que se assinalam hoje, a fasquia das 200 mil descargas é um dado relevante, de certa maneira uma aposta ganha, atendendo a que o custo de adaptação destes jogos é menor que o fabrico integral, o que ajuda a explicar porque todas as semanas a Hamster Corporation lança um clássico da SNK na Nintendo Switch. Contando com o fantástico "shmup" Blazing Star que chegou à eShop da Switch no dia de ontem, são já 14 os jogos da SNK presentes na máquina da Nintendo, sendo que na mesma linha a PS4 detém 11 títulos lançados na Europa e a Xbox One conta com 16 títulos, embora os receba desde 23 de Fevereiro deste ano.

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Confronto com o primeiro boss em Blazing Star.

Muitos poderão perguntar-se sobre a razão de estes jogos ganharem uma nova pujança, uma vez que são produtos retro que já conheceram o auge ao seu tempo de produção, mas que hoje se enquadram numa onda de revivalismo. Na verdade, estão longe de se reduzirem a nostalgia. Os jogos da SNK, para os sistemas Neo Geo, foram produzidos na sua esmagadora maioria na década de noventa. Foram jogos criados para cativar imediatamente o jogador, com modelos de interacção simples e fáceis para uma primeira abordagem, mas ao mesmo tempo dotados de suficiente complexidade e desafio.

Muitos dos jogos Neo Geo representaram verdadeiros estados de arte, figurando mesmo como referências no género. Foram muitos os jogos de luta que ganharam destaque, mas ainda hoje uma partida Blazing Star, Metal Slug 3 ou Neo Turf Masters (3 estilos de jogo) transmite uma sensação de gratificação e desafio imediatos. Habituamo-nos a jogar experiências com histórias, densas narrativas e mecânicas profundas, mas o prazer de jogar com uma personagem envolta em sprites 2D e aos comandos de aeronaves em mundos pejados de criaturas robóticas ao redor, ainda está lá. Espreitem a "meca" dos jogos Neo Geo e demais, para ficarem com uma ideia da popularidade que ainda hoje representam.

Uma parte do sucesso desta série ACA Neo Geo na Switch pode ganhar alguma representatividade no argumento que diz que existem poucos jogos "first party" na eShop. Embora seja certo que a Nintendo Switch está nos primeiros meses de vida, estes jogos competem com Mario Kart 8 Deluxe e The Legend of Zelda: Breath of the Wild, os dois jogos "first party" mais sonantes do momento. No entanto e atendendo ao preço unitário dos jogos Neo Geo (6,99 euros), a sua utilização é maior naqueles momentos de intervalo, de pausa nos jogos maiores, para uma experiência mais curta mas de grande intensidade. Blazing Star ainda hoje é um jogo belíssimo. Os jogos "retro" estão cada vez mais em destaque, seja através de remasterizações como a de Wonder Boy 3, seja através de novas produções como Shovel Knight. São as gerações que experimentaram os jogos dos anos noventa, com uma palavra a dizer na actual produção.

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A Xbox One recebeu entretanto Last Resort, um dos melhores shmup da Neo Geo.

Outro ponto que ajuda a explicar o sucesso desta linha de clássicos é a reprodução fiel e a possibilidade de configurar determinados parâmetros, como a dificuldade e a atmosfera arcade vivida à época, através das tão famosas "scanlines". Inicialmente, os jogos lançados na Nintendo Switch apresentaram alguns problemas; as cores mostravam-se desbotadas e algumas quebras de "frame rate" eram sentidas. Após a correcção de alguns "bugs" os jogos passaram a exibir um grafismo mais limpo e fiel ao original.

Quando pensamos em retro é inevitável uma sensação de nostalgia, marcada pelo regresso a um tempo diferente mas igualmente especial. O declínio das arcades fez desaparecer muitas experiências e séries que se demarcaram pela acessibilidade e desafio imediatos. Hoje são poucos os jogos que não exibem "tutoriais" integrados e segmentos de aprendizagem. É fruto de uma evolução natural, mas ter a possibilidade de aceder a certos clássicos de culto em mais um sistema e numa nova plataforma, sendo que esse fluxo é bem sucedido, só mostra como esta indústria não está confinada a géneros ou segmentos. Talvez a chegada prevista de Garou: Mark of the Wolves à Switch para a semana seja mais um incentivo para que a SNK se decida a lançar a sequela de um dos melhores "fighting games" de sempre.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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