As impressões de Gran Turismo Sport (beta online)

Nova temporada.

Anunciado há sensivelmente um ano, Gran Turismo Sport chegou a ter como possível janela de lançamento o final de 2016, mas acabou por ser adiado para 2017, não tendo até ao momento uma data definida. Na ocasião do primeiro contacto, em Londres, um evento no qual estivemos presentes, Kazunori Yamauchi, o director da série, enfatizou a ligação aos eSports e a competição online. Apesar de omisso o número 7 no título, GT Sport perfila-se como a próxima evolução, um jogo capaz de tirar proveito das superiores capacidades da PlayStation 4.

No pretérito fim-de-semana arrancou a beta online, uma fase de competição online dedicada a testar os servidores em condições de acesso significativo. Milhares de utilizadores registados obtiveram um código de acesso ao jogo. Com ele é possível descarregar um ficheiro de aproximadamente 19 GB que contempla uma série de provas e veículos. Apesar de dedicado à competição entre os jogadores por via online, poderão jogar diariamente em formato "time attack", em jeito de qualificação para as corridas, que têm lugar em horários específicos durante a semana e ao fim de semana (a grelha das provas pode ser consultada no jogo).

Além disso, é possível observar o design do menu e activar algumas opções, para logo se ficar com uma ideia do que será o produto final, que não deverá fugir à actual apresentação. Como vem sendo hábito a apresentação é elegante, algo minimalista e eficiente, amparada por sonoridades lounge e jazz enquanto vemos em fundo algumas capturas dos veículos em locais do planeta, uma nova funcionalidade (paisagens) que permitirá aos amantes da fotografia obterem belas chapas dos seus bólides em locais emblemáticos, tudo com belos efeitos de luz e um realismo visual arrebatador.

No entanto só a opção Sport está disponível, o que significa acesso a 3 provas diárias. É importante lembrar que as provas têm decorrido em pistas diferentes, com mudanças de dois em dois dias. No fim de semana era possível correr em Brands Hatch, Dragon Trail (pista nova) e Blue Moon Speedway. A partir de segunda feira Willow Springs Raceway substituiu Brands Hatch e para o lugar de Blue Moon Speedway entrou o famoso "green hell" Nurburgring Nordschleife, com os seus temíveis e ondulantes 22 km de percurso.

Em termos de veículos a opção passa por facultar todos os dias um carro novo aos utilizadores, desde que acumulem um mínimo de 42km (a distância da maratona). Os carros não são os mesmos para todos, mantendo-se a divisão por classes, que vai desde N300 (veículos de homologação para estrada), até aos carros de competição da categoria Gr.4 e Gr.3. A mim saiu-me o Subaru WRX de estrada e o Hyundai de competição, a juntar ao Nissan Nismo, Mitsubishi e Mercedes GT3, estes da classe Gr.3 e todos obtidos a partir das provas diárias.

Enquanto não começam as corridas podem conduzir livremente pelas pistas, sem limite de voltas, até que fiquem satisfeitos pelo tempo alcançado. Se algum dos vossos amigos tiver acesso à beta online podem ver a prestação de ambos numa classificação ou se optarem por comparar a vossa prestação com os utilizadores europeus, conhecer o top 10, algo que seguramente deixará muita gente impressionada pelos tempos ali exibidos.

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Pela primeira vez Gran Turismo terá veículos da marca Porsche, que substituem os modelos do preparador RUF.

No fundo é esse o nível de competição online, sobretudo no tocante aos eSports e que serve de medidor para quem decida pôr o capacete e calçar as luvas, sendo que das várias competições organizadas pela Sony e pela Nissan saíram já vários pilotos, entre os quais o campeão português Miguel Faísca.

Confesso que apesar do meu interesse pela competição online automóvel, muitas vezes esse ânimo tende a esmorecer quando entram em pista utilizadores que não tendo grande habilidade para fazer o esforço de cumprir uma prova sem erros, mesmo que não sejam os mais rápidos, passam a vida a embater nos outros utilizadores, arruinando as chances de um bom resultado. Felizmente que nos últimos anos tem existido por parte das produtoras uma preocupação no sentido de obstaculizar ou tornar mais complicada a vida dos pilotos desastrados.

Digamos que com alguma segurança isso sai reforçado em Gran Turismo Sport através de duas categorias: a classificação de piloto (CP) e a classificação de desportividade (CD). A primeira faz uma distinção entre os bons, médios e maus pilotos, consoante o acumulado de resultados, sendo relevante sublinhar que para subir de categoria é necessário consistência. Todos começam na categoria mais baixa, a categoria E, mas se vencerem constantemente poderão subir até ao topo, a categoria A. Como seria de esperar a competição online agrega os pilotos dentro das mesmas classificações.

Já a classificação de desportividade é uma tabela fundamental, que separa aqueles que mostram comportamento desportivo em pista dos que simplesmente passam o tempo a abalroar outros jogadores e não contemplam qualquer "fair play". Ultrapassagens correctas, melhoria do tempo por sectores e permanência em pista, são alguns pontos valorizados, contribuindo para um aumento da pontuação. Para os menos cuidadosos, basta um toque mais forte no adversário ou uma saída de pista para que o carro se transforme em veículo fantasma. É frequente acontecer isto nas corridas, especialmente ao longo das primeiras curvas. Apesar de não se saber muito bem se o nosso carro é ou não veículo fantasma depois de um pequeno toque, pelo menos esta opção desencoraja aqueles que tendem a não adoptar uma postura correcta em pista.

Em termos de condução, Gran Turismo Sport regista significativas melhorias relativamente à sexta evolução da série. O jogo está configurado para proporcionar uma série de assistências, mas podem mexer nas ajudas e retirar a maior parte ou todas, para uma condução mais pura e arriscada. A isso acresce a possibilidade de mexer no "set up" do carro, através parâmetros como a suspensão, travagem, carga aerodinâmica, etc. O processo é meticuloso e se tiverem paciência podem transformar-se em verdadeiros engenheiros mecânicos.

Na pista a física é bastante realista, com todas as leis da física em prática. A condução pode ser por isso mais agressiva e exigente, arriscada até, se optarem por remover as assistências. Neste caso Gran Turismo Sport aproxima-se do que é um real simulador. Curiosamente pode ser bastante acessível quando jogado mesmo com o DualShock 4, o que não acontece facilmente com outros jogos do género. Mas se pretendem extrair o máximo então um volante é a melhor opção. Parece-nos, no entanto, que a Polyphony Digital podia melhorar certos aspectos, reforçando o som do motor, acrescentando mais irregularidades nas curvas e uma condução mais exigente, dinâmica e arriscada. Nurburgring, por exemplo, com as suas irregularidades e curvas apertadas oferece uma condução mais aliciante, mas noutras pistas fica a sensação de que mesmo a alta velocidade não existe aquela intensidade típica quando se ultrapassam os 200km.

Existem no entanto novos aspectos positivos, como os comissários de pista que deixaram de ser figuras estáticas para se transformarem em npc's que mostram imediatamente a bandeira amarela quando algum carro se despista ou ocorre um acidente, uma medida preventiva para os pilotos que seguem atrás. A partir do momento que a circulação é retomada a bandeira verde é imediatamente assinalada. Outro pormenor interessante é a transformação da linha trajectória, que deixou de ser a uma linha sobre o asfalto para dar lugar a setas verdes sobre os pontos de entrada e saída das curvas, mostrando o apex da curva. É uma ideia interessante que assim deixa a pista mais limpa.

Sem possibilidade de dar uso a outros modos de jogo, entre os quais, a opção paisagens para quem aprecie fotografia, Gran Turismo Sport está por enquanto condicionado às corridas online e ao "time trial". É provável que nos próximos dias sejam facultados novos circuitos e mais carros, o que dará uma ideia mais alargada, mas no essencial por enquanto é tudo. A apreciação global é bastante positiva. Estamos perante um jogo de condução com uma longa história que chega a um novo patamar de evolução embora fique a ideia de que certos aspectos podiam estar melhor, especialmente quando existem outros competidores no mesmo género que se preparam para introduzir novos conceitos como tempo e condições dinâmicas de forma a afectar as corridas. A atenção ao detalhe continua a ser incrível em Gran Turismo e a condução dos carros é melhor do que há seis ou sete anos, quando saiu GT5 para a PlayStation 3. Ainda sem uma data de lançamento no horizonte, falta saber o que poderá a Polyphony Digital melhorar no tempo que ainda tem.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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