Super Bomberman R - Análise

A boa velha Konami está de volta.

Um regresso que se saúda, embora não inteiramente eficaz: funciona melhor como experiência multiplayer local. O preço elevado não ajuda.

De alguma maneira causou sensação o anúncio do regresso de Bomberman, em exclusivo para a Nintendo Switch, como um dos jogos de lançamento. Na verdade, depois de uma tão longa ausência (exceptuando uma ingressão no mercado mobile) e percorrida uma ampla revisão ao modelo de produção que a Konami vem seguindo em tempos mais recentes, pondo de parte muitas das suas reputadas séries em prol dos sistemas "pachinko" e mercado mobile , ver um novo jogo de uma série esquecida, numa consola com a versatilidade da Switch, é como que um indicador de um regresso aos tempos áureos.

Poder-se-á pensar que lançar um jogo destes num momento de estreia de uma consola deposita peso sobre os seus ombros. Talvez esteja sujeito a mais pressão em termos de tratamento das suas funcionalidades multiplayer online, mas encontra a vantagem de uma janela perfeita para ganhar mais alguma visibilidade, que de outro modo poderia diluir-se numa fase mais adiantada, a partir do momento que a Switch passar a receber mais jogos e a concorrência for maior.

Além disso, dada a sua natureza como jogo essencialmente multiplayer, a Switch através da sua versatilidade proporcionada pelos Joy Con permite desde logo que dois jogadores progridam depressa e de forma eficaz em torno destas explosivas batalhas de tabuleiro. Seja a dois, a quatro ou a oito, em torno de um mesmo ecrã, da Switch ou do televisor, tanto em rede local como através de ligação à rede, o potencial de Super Bomberman R está nas disputadas batalhas multiplayer.

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É a oito que Super Bomberman R fica mais caótico mas mais interessante.

Isto não sufraga apenas nostalgia; o prazer de voltar a encontrar bons momentos ou experimentar as boas sensações dos jogos iniciais da série. Super Bomberman R transporta consigo muito do charme "old school" que se perdeu entretanto. É um jogo veterano que pode bem ser partilhado pelos mais experientes e novatos, numa transmissão de dicas. Há um inevitável arremesso de traves mestras arcade. As partidas são curtas e rápidas, caóticas o suficiente para despertarem algumas reacções de frustração quando se esvai o tempo para encontrar um espaço que permita evitar o rebentamento da bomba. É como ter uma batata quente na mão, ninguém quer ficar com ela, mas também passa por encontrar a melhor forma para empurrar o adversário fora do tabuleiro. O resistente, ganha.

Usufruído unicamente pela perspectiva singular, as chances de tirarem proveito deste modelo de batalha são mais limitadas. Ainda assim, o modo história é composto por mais de 50 tabuleiros, divididos por mundos, que por seu turno se dividem em 8 tabuleiros, com uma batalha contra o boss, que antecipa uma batalha numa arena aberta sem os habituais constrangimentos. O problema está que para um jogador apenas, muitos níveis são de uma dificuldade atroz, especialmente as "boss fights", que o computador lê de forma tempestiva. Joguem na dificuldade intermédia e será muito difícil progredirem pelo primeiro mundo sem terem que repetir tudo. Podem gastar moedas para continuar a partir do momento que se esgotaram as vidas, mas em intermédio não vão muito longe. Na dificuldade principiante a dificuldade torna-se mais suave, mas demais, com inimigos mais vagarosos e menos inteligentes, ainda que as "boss fights" continuem insanas, afectando a progressão.

Contudo, experimentem jogar com mais um jogador, até um máximo de oito, e a experiência muda por completo, tanto na vertente competitiva como cooperativa, cujos contornos são mais evidentes no modo história. O equilíbrio garantido com mais do que um jogador torna vital o nosso papel sem cair na frustração, para lá do caos adicional provocado quando temos um parceiro por perto e o mesmo não evita uma das nossas bombas. Torna-se quase cirúrgico abrir caminho até ao objectivo traçado. Descuidos são pagos com uma punição significativa.

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Rebentem com os inimigos enquanto abrem caminho, tomem é cuidado para não se deixarem apanhar pelo alcance da bomba.

No final do mundo é mostrada mais uma curta animação, breves segmentos cheios de colorido e que capturam bem o espírito da série. Não esperem de resto uma história particularmente relevante. É funcional e torna-se suficiente para garantir algumas horas de diversão, dando a conhecer as diferentes personalidades dos Bomberman que mais uma vez conjugam esforços.

Do ponto de vista das mecânicas, não existem grandes alterações. Super Bomberman R mantém a linha dos jogos anteriores, sendo que a maior diferença é a passagem para uma perspectiva 3D isométrica. De resto continuam a deixar bombas pelo caminho, sendo que estas alguns segundos depois rebentam em forma de cruz, destruindo praticamente tudo o que está na sua linha de alcance, um poder destrutivo que preenche num tom alaranjado uma linha vertical e horizontal.

Os mapas estão bem desenhados, oferecendo altimetrias e extensões. No primeiro caso certas zonas elevadas podem ser anuladas através de rebentamentos cirúrgicos, enquanto que no caso dos mapas prolongados terão que avançar por escadas ou subir um piso, abrindo caminho entre os inimigos. A inteligência artificial das criaturas que estorvam a nossa missão é um ponto positivo, especialmente na dificuldade intermédia. São capazes de perceber a nossa progressão e montar um cerco ou encontrar um refúgio seguro fracções antes de uma bomba detonar mesmo ao lado. A movimentação de Bomberman por este espaço labiríntico envolve precisão mas também pensamento. Uma bomba mal colocada pode deitar tudo a perder, mas isso faz parte do desafio que torna este jogo tão único e especial, ao ponto de se tornar numa marca no ano que marca o seu 33º aniversário.

O sistema de "power ups" incrementa as soluções ao nosso dispor: desde largar mais do que uma bomba, obter mais velocidade ou largar bombas mais potentes. São pequenos ícones que podem ser recolhidos quando abrimos caminho até ao objectivo e que se mantêm para o nível seguinte, desde que não percam todas as vossas vidas. Mas é na vertente multiplayer que Super Bomberman R mais brilha. Podendo ser partilhado até 8 jogadores em rede local, com uma ou quatro Nintendo Switch, a opção de jogo em rede é uma alternativa caso não reúnam esse número de pessoas à vossa volta. O online pode ser desfrutado em duas opções; através de desafios simples ou a contar para o ranking, um sistema que mede a vossa progressão por escalões. Para subirem de escalão terão de acumular vitórias mas se saírem derrotados serão subtraídos pontos. Infelizmente e após vários dias a testar a componente, não é fácil reunir sempre o maior número de jogadores.

As conexões antes da partida podem ser um pouco demoradas, ainda que depois as partidas decorram na sua esmagadora maioria sem problemas. Contudo, a componente online ainda pode ser melhorada, sendo perceptível que o jogo acaba por sofrer um pouco por ser o jogo dos títulos de lançamento da Switch que transporta a pressão dos desafios em rede. A isso acresce também algum "input lag" quando a condensação de inimigos e personagens é maior, o que pode ocasionar certos problemas. Depois, sobra também a questão do preço. Ainda que em termos de qualidade Super Bomberman R esteja a par das anteriores produções, esperávamos mais algum brilho neste regresso de muito membros da antiga Hudson Soft. O jogo tem um aspecto fenomenal mas existia margem para se tornar melhor e mais memorável. O preço aplicado pela Konami, encostado aos 50 euros, está um pouco acima do que seria desejável para um jogo desta dimensão.

Não obstante, Super Bomberman R é um jogo bonito, capaz de retomar a chama arcade dos anos noventa e proporcionar desafios sólidos em multiplayer. A prestação dos servidores online poderá melhorar com o tempo, até porque os "updates" serão inevitáveis, a começar pela remoção do lag nos movimentos, em certas ocasiões. Apesar disso é uma experiência que poderá ser equacionada, especialmente se estiverem apontados para uma experiência "old school" partilhada. Saúda-se também o regresso da Konami ao formato séries clássicas para consolas. Mas que não fiquem só por aqui. Tragam mais.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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