Roda no ar em MXGP 3 - antevisão

Unreal Engine 4 é a base para a nova experiência de motocrosse da Milestone.

O estúdio italiano Milestone tem uma vasta produção de jogos no que toca a desportos motorizados. Todos estão directamente relacionados com a competição, tanto no mundo automóvel como nas duas rodas. A paixão pelo desporto motorizado faz-se há mais de vinte anos, quando em 1997 se notabilizou o "arcade racer" Screamer, uma espécie de rival de Sega Rally, muito por causa do modelo de condução acessível e gratificante. Desde então, nas pistas e em estradas de terra batida ou de asfalto, cobertas de neve ou gravilha, várias modalidades, dos campeonatos WRC à lenda Sébastien Loeb, foram alvo de produção.

No mundo das duas rodas, em tempos recentes e depois da franquia Valentino Rossi e Ride, a Milestone concentra as atenções na produção e últimos retoques em MXGP 3, o jogo oficial do campeonato do mundo de motocrosse, que ganha nesta edição um novo nível de condução, muito à custa da introdução do poderoso motor gráfico Unreal Engine. Ao fim de muitos anos servindo-se de ferramentas que não só acarretavam tempo e custos financeiros como ainda se revelavam algo obsoletas, a aquisição do novo motor gráfico permitiu um incremento de qualidade da experiência.

MXGP3, com lançamento agendado para o próximo 12 de Maio, tendo como plataformas o PC, a Xbox One e a PlayStation 4, é um dos primeiros jogos a chegar ao mercado com total aproveitamento do poder Unreal. MXGP3 proporciona a experiência completa do campeonato do mundo de motocrosse. Com a diminuição dos jogos arcade, se não nos lembrarmos por exemplo das motas em Motorstorm, este título da Milestone é de certa maneira único, e ainda proporciona uma competição e experiência que não é fácil de criar, dado que tem como base um grande conjunto de pistas, e a condução das motas em terra requer certos compromissos no que toca à jogabilidade.

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A introdução do Unreal Engine 4 permitiu melhorias a nível gráfico.

Todavia, à terceira edição, a Milestone parece estar mais perto do que os fãs esperam. É verdade que este estúdio italiano não detém a capacidade financeira de outros estúdios mas já demonstrou que mesmo com orçamentos mais baixos é capaz de alcançar resultados muitos significativos, pelo que a expectativa em torno desta nova produção é maior, na perspectiva de colher o interesse de uma maior audiência. O apoio da Bandai Namco é aliás crucial nesta tentativa de consolidar uma marca e um trajecto.

Num evento que decorreu em Londres, no espaço The Bike Shed, a Milestone deu aos média um primeiro contacto com MXGP 3, tendo sido o Eurogamer Portugal um dos conviados, num exclusivo que agora apresentamos. A demonstração continha alguns limites. Com apenas uma pista disponível (Pietramurata, em Itália), era possível escolher um dos dez pilotos da categoria máxima e participar numa corrida. Como alternativa ao tempo seco, era possível correr sob chuva copiosa, o que produz alterações sobre a superfície, nomeadamente nos sulcos que se abrem na terra à medida que os pilotos acumulam voltas e usam as mesmas trajectórias, cavando buracos que muitas vezes se transformam em armadilhas levando muitos pilotos à queda.

A deformação física do terreno é um dos primeiros pontos a reter após o contacto com a demonstração. O tipo de condução algo arcade, permite a qualquer pessoa com alguma experiência começar a jogar sem grandes problemas, obtendo rapidamente uma sensação gratificante, mas até apurarmos a condução de forma a fazer cada curva o mais rápido possível, colocando toda a tracção sem que a roda entre em derrapagem, isso poderá levar mais tempo. A rampa de dificuldade tem por isso uma base acessível, mas é ao mesmo tempo bastante realista e impressionante, proporcionando um bom gozo e desafio, especialmente na categoria mais elevada.

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A condução é algo acessível e arcade mas também desafiante. A inteligência artificial ainda requer ajustes.

Em termos gráficos, a Milestone melhorou muito significativamente o apartado visual face à edição anterior, oferecendo mais pormenores e uma atmosfera das corridas muito realista, especialmente em tempo seco, com destaque para detalhes como a vibração no equipamento dos pilotos à medida que aceleramos e ganhamos mais velocidade. Para lá da condução realista, os produtores tiveram em conta o fotorealismo, capturando na perfeição as incidências da modalidade, tal como as vemos através de uma transmissão televisiva. Desde pilotos que caem na curva por ficarem com a mota presa num sulco até às acelerações em drift podendo sacudir um adversário para fora dos limites da pista, a recreação das corridas é muito realista e as peripécias acumulam-se sempre que o pelotão vai mais compacto.

Vencer uma corrida, mesmo no grau de dificuldade mais acessível implica esforço, concentração e uma condução bastante habilidosa. As pistas são normalmente longas, recheadas de zonas rápidas, muitos saltos, mas também os perigosos cotovelos que requerem uma aproximação lenta e saída rápida. Fazer uma volta perfeita ou sem cometer um mínimo erro é complicado, tanto que para o final, lá para a terceira volta, devido aos imensos sulcos abertos pela passagem dos pilotos, a mota vibra mais por falta de aderência e ressalta, o que dá origem a perda de velocidade e até alguns despistes. As últimas voltas são por isso um pouco mais lentas, mas perigosas.

A condução cativa particularmente pela base arcade, simples e desafiante, ao mesmo tempo que as condições atmosféricas conjugadas com deformação dinâmica injectam um interessante grau de realismo. Não é um simulador mas oferece uma experiência a seguir com atenção. Em termos de conteúdo, para lá da carreira, campeonato e "time attack", com todos os pilotos (18) e motas oficiais das duas categorias da temporada 2016, também estará disponível o Monster Energy FIM Motocross Nations, com cinco pistas .

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A deformação do terreno e factores como a chuva condicionam as corridas.

Em resposta aos pedidos da comunidade a Milestone acrescentou 10 motas com motor a 2 tempos, oferecendo física e áudio dedicados, num compromisso que se estende para lá dos visuais. Aliás, a componente áudio é uma das mais reforçadas, com uma nova banda sonora. Mas o destaque vai para os efeitos visuais, nomeadamente ao nível das partículas e texturas, através de efeitos HDR e condições de luminosidade mais realistas.

As primeiras impressões com MXGP 3 são bastante positivas. A condução é muito agradável e desafiante. O trabalho de produção ainda não está terminado, pelo que certos aspectos podem ser ajustados como a inteligência artificial e quedas um tanto inesperadas, mas tudo isso, garantem-nos os produtores, será revisto antes do lançamento. Com esta produção a Milestone aponta especialmente aos fãs deste desporto motorizado, mas pode muito bem chegar a uma audiência mais abrangente.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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