Horizon não só cumpre as expectativas como estabelece um novo padrão de qualidade no género. É um dos melhores jogos para a PS4.

Horizon: Zero Dawn é um daqueles jogos imediatamente contagiantes e que usa todas as suas forças em uníssono para criar uma experiência marcante. Desde a sua primeira revelação que este título sempre deixou uma impressão positiva e criou expectativas elevadas, mas em simultâneo, havia várias razões para permanecer céptico. A Guerrilla Games nunca tinha criado um jogo em mundo aberto e, apesar de existirem cada vez mais jogos a apostar na liberdade e num mapa maior com liberdade de exploração, é difícil acertar em cheio numa fórmula vencedora.

A Guerrilla Games conseguiu acertar em cheio com Horizon: Zero Dawn. Se já tiveram a oportunidade de olhar para os trailers e vídeos da jogabilidade publicados até agora, sabem que Horizon tem um aspecto extraordinário e com tanta qualidade que nos faz questionar de que forma é que o estúdio conseguiu algo assim num jogo desta escala. No entanto, a rampa de lançamento de Horizon, e o motivo pelo qual o jogo é tão cativante, não são os gráficos nem a parte técnica. O que nos cativa logo nos primeiros cinco minutos é Aloy e a sua história.

"O que nos cativa logo nos primeiros cinco minutos é Aloy e a sua história"

Aloy é a personagem principal de Horizon e transpira carisma. É uma personagem com a qual nos relacionamos facilmente graças à fantástica introdução que apela aos nossos sentimentos. A sua busca pelas respostas que expliquem a sua origem resulta eventualmente numa exploração do mundo de Horizon. É um mundo pós-apocalíptico em que a civilização humana como a conhecemos agora desapareceu. Os humanos voltaram a acreditar em superstições e estão organizados por tribos. Mais estranho ainda, as terras estão repletas de estranhas criaturas robóticas.

O mundo que Horizon nos apresenta é fascinante e desperta uma curiosidade incessante de descobrir mais. É mistura de natureza no seu estado selvagem com tecnologia avançada e com uma premissa inovadora. Há elementos que já vimos noutros jogos, contudo, a forma como a Guerrilla Games pegou nesses elementos e os usou para dar vida a este mundo é inédita. É isto que torna Horizon tão entusiasmante. É um jogo cheio de frescura e, mais importante, extremamente bem conseguido.

Recordam-se daquela cena no primeiro Jurassic Park quando Dr. Alan Grant fica maravilhado quando um braquiossauro aparece diante dos seus olhos? É essa a sensação que sentimos em Horizon: Zero Dawn. O mundo do jogo é como se fosse um parque jurássico, a diferença é que as criaturas são feitas de metal. A forma como a Guerrilla Games criou estas criaturas, desde o conceito, efeitos sonoros que emitem quando se movimentam e atacam, às animações, não tem igual.

Cada criatura é única e comporta-se de forma diferente. Ainda mais espectacular é a forma como as criaturas foram construídas. Em combate é possível arrancar-lhes peças, expondo pontos fracos ou até impedindo-as de realizar certos ataques. É nestas situações que a jogabilidade, design e gráficos juntam-se para oferecer momentos épicos. Apesar das criaturas iniciais eventualmente tornarem-se fáceis, as criaturas de proporções maiores, como o Trovejante ou Ave das Tormentas continuam desafiantes até ao fim, mesmo depois de desbloquearem todas as habilidades de Aloy.

Embora Horizon: Zero Dawn tenha alguns elementos comuns aos RPGs (como evolução de nível, sidequests e crafting), na verdade é mais parecido com um jogo de acção e aventura, ainda que tenha uma estrutura em mundo aberto. Portanto, estamos perante um híbrido, um título que ataca em várias frentes. Surpreendentemente, esta mixórdia resulta e a experiência é consistente e fácil de digerir. Não há nada que pareça forçado e, acima de tudo, praticamente todos estas facetas estão muito polidas, afinal, este é um projecto que está em desenvolvimento há mais de seis anos e isso nota-se no momento em que começamos a jogar.

"Este é um projecto que está em desenvolvimento há mais de seis anos"

A jogabilidade de Horizon: Zero Dawn é variada. Inicialmente a única arma que temos ao nossos dispor para lidar com as temíveis criaturas mecânicas é o arco e flecha, mas à medida que forem progredindo, terão acesso a outras armas com o armadilhador, lança-cordas e uma fisga que lança bombas. Mais adiante, há até arcos mais avançados que conseguem disparar flechas de diferentes tipos de elementos, o que é importante para explorar as fraquezas das criaturas mais avançadas. Há criaturas vulneráveis ao fogo, enquanto outras sofrem mais dano com gelo ou com electricidade.

Também é importante saber tirar partido vegetação alta. Nestas zonas Aloy consegue ficar escondida dos inimigos e, recorrendo ao pequeno dispositivo que usa na orelha, é capaz de visualizar holograficamente o caminho que as criaturas robóticas vão percorrer. Isto é útil para atacar sorrateiramente ou para instalar armadilhas. Mais tarde, Aloy vai aprender a hackear as criaturas e a colocá-las ao seu dispor. Todas as criaturas podem ser controladas por Aloy, mas apenas duas podem ser usadas como montada.

Na sua jornada para encontrar respostas para o mundo misterioso no qual se encontra, Aloy vai conhecer novas aldeias e culturas. Os cenários de Horizon são diversos. Há grandes planícies verdes, montanhas geladas, florestas tropicas, desertos e locais que misturam um pouco de tudo. É sobretudo nestes locais que encontramos novas quests e vendedores. Há quantidade razoável de sidequests e a maioria são interessantes, revelando pequenas curiosidades e a realidade deste mundo pós-apocalíptico.

"Quando terminamos a história íamos com cerca de 30 horas marcadas"

Em Horizon os recursos são importantes. Vão precisar de ramos e de lascas para fabricar as flechas. Também precisam de ervas para encher o vosso saco de vida. Estes recursos são comuns, pelo que dificilmente vão ficarão sem recursos para fabricar estes utensílios. Outros recursos, como pele e ossos de animais servem para aumentar o espaço disponível no vosso inventário, enquanto determinadas peças das criaturas robóticas servem como moeda de troca nos vendedores para armas e armaduras, que depois podem ser melhoradas com modificadores que encontram após derrotar as máquinas.

Para um jogo de acção e aventura, Horizon é longo. Quando terminamos a história íamos com cerca de 30 horas marcadas. Durante a nossa jornada completamos várias sidequests, exploramos o mapa a fundo bem como as suas actividades. No final ainda restavam coisas por fazer, como terminar algumas sidequests e apanhar os coleccionáveis. Se quiserem seguir a quest principal em linha recta, o jogo é mais curto, mas se quiserem atingir os 100 porcento, a longevidade excede as 40 horas.

Quando se fala em Horizon: Zero Dawn, também há questão da PlayStation 4 Pro. Em Novembro da Sony lançou um novo modelo da PlayStation capaz de correr os jogos (aqueles que têm suporte) a 4K. Horizon: Zero Dawn é um desses jogos (corre a 4K dinâmico). Não há como negar, na PlayStation 4 Pro e numa televisão 4K HDR o aspecto do jogo é ainda mais fabuloso, contudo, continua a ser capaz de vos deixar de boca aberta numa PlayStation 4 normal. Não precisam obrigatoriamente de uma PlayStation 4 Pro para jogar Horizon, mas se tiverem este modelo (e uma televisão 4K), as melhorias são visíveis.

"Um dos melhores jogos para a PlayStation 4

Há pequenas falhas em Horizon: Zero Dawn, principalmente técnicas. Nas cinemáticas por vezes a sincronização da voz está um pouco fora de ritmo e nem sempre as expressões faciais das personagens convencem. Outro pormenor é que o bastão de Aloy não é visível nas suas costas (apenas o arco). Quando carregamos no botão para atacar com o bastão, este simplesmente aparece de repente. É algo particularmente estranho já que noutros aspectos a Guerrilla Games prestou bastante atenção às pequenas coisas.

Horizon é o expoente máximo da Guerrilla Games e que demonstra o talento escondido neste estúdio holandês. Pessoalmente, há muito que não me divertia tanto num jogo em mundo aberto e com vontade de explorar tudo o que tem para oferecer. Horizon: Zero Dawn tem um mundo grande e cativante, uma personagem forte, jogabilidade bem conseguida e variada, e é visualmente delicioso. É sem dúvida um dos melhores jogos para a PlayStation 4, um verdadeiro pacote completo que usa com mestria as várias disciplinas que compõe os videojogos para nos deixar arrebatados.

Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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