Kingdom Hearts II.8 HD - Análise

Sabe a pouco.

Apesar de delicioso, predomina a sensação que dura pouco e, como fãs, queríamos muito mais.

Se quando "Simple and Clean" começa a tocar sentes desde logo a tua pele arrepiar, então sabes bem quem és. És um dedicado e apaixonado fã da série Kingdom Hearts. Isso também significa que há muito desesperas pela chegada do terceiro jogo principal, e de todas as formas que te é possível, tentas acompanhar a série para estar a par da sua história excessivamente elaborada. Com a chegada desta terceira compilação, Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter, a Square Enix apresenta-te a versão em HD de Kingdom Harts 3D: Dream Drop Distance, lançado originalmente na Nintendo 3DS, acompanhado por Kingdom Hearts χ Back Cover, um filme que te contará eventos decorridos bem no início da cronologia da série, e ainda Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep -a fragmentary passage-, uma espécie de ponte entre o passado e o futuro da série. Razões para ficares intrigado e entusiasmado.

A série Kingdom Hearts é verdadeiramente espectacular, não só pela abordagem singular aos mundos da Disney, mas também pela forma como conjuga esses universos com as personagens mais carismáticas da série Final Fantasy, e de outras séries da Square Enix. Juntamente com um sistema de combate fluído e dinâmico, esta série de RPGs de acção tornou-se numa referência para milhões de fãs, que desesperam a cada nova entrada para perceber um pouco mais de toda esta trama entre Heartless, Nobodies, Ansem, Xehanort e Xemnas. O mais importante nesta compilação talvez seja a oportunidade para, finalmente, dar o primeiro passo e ter toda a série numa só plataforma, e Dream Drop Distance é mais do que um mero título portátil, é um importante capítulo de Kingdom Hearts que nos revela elementos importantes da história imaginada por Tetsuya Nomura e sua equipa.

Tal como as duas anteriores compilações, que em Março estarão presentes na PlayStation 4 também, tens aqui dois jogos e um filme que te mergulham na sensacional jornada de Sora, Riku, e todos os restantes personagens que protagonizam os cerca de 10 jogos da série. Claro que a oportunidade para jogar Dream Drop Distance numa consola caseira e o prólogo de Kingdom Hearts 3 é fantástica, mas será que chegam para tornar esta compilação numa compra essencial?

Kingdom Hearts: Dream Drop Distance

Foi em 2012 que Tetsuya Nomura disse aos fãs de Kingdom Hearts que se queriam continuar a acompanhar a história, e estar a par dos mais recentes eventos na jornada de Sora por mundos, sonhos e dimensões, teriam de comprar mais uma plataforma, neste caso a Nintendo 3DS. Feito a pensar nas suas capacidades 3D, especialmente nos segmentos de entrada em cada mundo, chamados de Dive, em que Sora e Riku mergulham em direcção ao novo mundo enquanto se desviam de obstáculos e enfrentam inimigos, Dream Drop Distance é uma proposta irrecusável para qualquer fã desta série, mas chega à PS4 com alguns avisos. Na hora de converter um título de uma portátil para uma caseira, especialmente um jogo com quase 5 anos, é complicado gerir as expectativas, uma vez que são jogos feitos a pensar em limitações que não existem na nova plataforma.

Dream Drop Distance é um jogo altamente divertido e dos melhores títulos existentes para a portátil da Nintendo, e a conversão para HD na PlayStation 4 aproveita tudo o que de bom tem. Apesar de ser fácil sentir que muitas das cenas e sequências gameplay foram feitas a pensar numa funcionalidade que não existe nesta versão, o efeito de profundidade patrocinado pelo 3D da portátil, continuam na mesma a envergar uma qualidade satisfatória. A qualidade gráfica é demasiado simples para uma TV mas ainda assim encaixa na estética de Kingdom Hearts e a conversão está muito bem conseguida a nível gráfico. O facto de terem convertido um jogo Nintendo 3DS com cinco anos para a PlayStation 4 com este aspecto, é algo que merece louvor. Ainda assim, a escala dos cenários, a qualidade de alguns elementos visuais, a estrutura da experiência, basta pensar que de dez em dez minutos existe um ponto para gravar, revelam que este é um jogo feito a pensar numa portátil e em sessões de jogo mais curtas.

A chegada do sistema Freeflow acrescenta imenso ao gameplay, tanto nos combates como no design dos níveis em si, e a história continua tão envolvente e misteriosa como seria de esperar. Com um menor número de personagens "convidadas" e mundos, Dream Drop Distance é uma experiência que ronda as 20 horas mas procura divertir-te em todas elas. O sistema de combate continua a ser um dos seus maiores trunfos, e como é habitual na série, existem boss fights muito boas. De outra forma não poderia deixar de ser. Mas provavelmente já conheces muito bem este Kingdom Hearts 3D, e queres saber como está a conversão para a caseira. Visualmente satisfatória, não deixa de revelar a sua natureza portátil, com todas as limitações que isso significa, mas é um belo Kingdom Hearts que está finalmente ao dispor de mais pessoas.

Kingdom Hearts 0.2 Birth by Sleep -a fragmentary passage-

Kingdom Hearts 0.2 é o prólogo de Kingdom Hearts 3, e provavelmente o maior interesse nesta nova compilação. Juntamente com o filme, é uma fatia inédita na cronologia da série, e deixa-te mesmo ali, no início do aguardado novo jogo. Isto sem esquecer que foi desenvolvido com o motor Unreal Engine 4, o mesmo de Kingdom Hearts 3, para teres uma melhor ideia de como estará o jogo quando finalmente chegar às tuas mãos. Este 0.2, mais um número na cada vez mais confusa cronologia da série de Tetsuya Nomura, coloca-te no papel de Aqua, e serve como um epílogo para Birth by Sleep, que poderás jogar em Março na tua PlayStation 4, e um prólogo para Kingdom Hearts 3. Isto porque apesar dos eventos decorrerem ao mesmo tempo que os do primeiro jogo da série, são aqui recontados por Mickey e Yen Sid, num momento em que o terceiro jogo está prestes a arrancar.

Aqua inicia a sua jornada no mundo da escuridão e estabelece a ponte entre o passado e o futuro. Utilizando alguns movimentos freeflow introduzidos em Dream Drop Distance, e apresentando pequenas mecânicas nos combates que estarão no centro do gameplay em Kingdom Hearts 3, permite-nos ver o sistema de combate no seu ponto mais refinado. Os combates em tempo real são tão dinâmicos quanto ainda te lembras, apenas estão mais espectaculares visualmente, e existem novos parâmetros que os tornam mais intensos. O jogo premeia o encadeamento de golpes sucessivos e até podes aceder a formas diferentes de Aqua, como a Spellweaver e a Wayfarer, que mudam os golpes seu dispor, e terminam com movimentos especiais. Existem alguns momentos de maior destaque, como uma ou duas boss fights, e o sistema de combate beneficia com todos estes ajustes e refinamentos, que o tornam mais fluído ainda. Seja com os atalhos para os comandos como magia, ou com o lock-on e a forma como Aqua persegue os adversários no ar.

Kingdom Hearts 0.2 é visualmente espectacular. A combinação da mestria artística da equipa liderada por Tetsuya Nomura, que ao longo dos vários jogos sempre soube captar a essência dos mundos da Disney e adaptá-los para os videojogos, com o Unreal Engine 4 patrocinam um espectáculo verdadeiramente glorioso. Mantendo o estilo artístico da série, o que significa personagens com menor nível de detalhe do que seria de esperar, e envergando efeitos visuais e iluminação incríveis, este 0.2 impressiona em todos os diferentes locais para onde te transporta. Mais do que isso, deixa-te verdadeiramente entusiasmado pelo potencial de KH3. O seu grande problema é mesmo a longevidade. Dura pouco mais de 2 horas e poderá até ser encarado como uma demo glorificada para mostrar os progressos feitos pela equipa de desenvolvimento.

Apesar de ambos os jogos estarem repletos de incentivos e desafios que aumentam imenso a sua longevidade, a verdade é que rapidamente terminas os dois. Este é o verdadeiro problema desta compilação, a sua longevidade. Dream Drop Distance é um jogo soberbo na Nintendo 3DS e apesar de não deixar de ficar espantado com a qualidade desta conversão, toda a sua estrutura, envergadura e até gameplay foi desenhado a pensar numa portátil, algo que se faz sentir. Por muito divertido que seja, é algo que se torna aparente desde os primeiros momentos. Kingdom Hearts 0.2 é uma gloriosa amostra do que está para vir e agarra-nos mas rapidamente o terminamos e ficamos com aquela incrível vontade por mais. Esta compilação Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter relembra-nos o quão sensacional esta série é e porque nos apaixonámos por ela, mas tem cuidado com o apetite senão a refeição acaba muito rápido.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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