Yakuza Zero - Análise

O incorruptível.

Depois de uma espera de quase dois anos, a SEGA apresenta finalmente Yakuza Zero para incendiar essa tua alma que vibra de paixão pelas experiências repletas de sabor nipónico. Com dez anos de existência completados em Setembro de 2016, na Europa pelo menos, esta série Japonesa continua igual a si mesma, mas a equipa liderada por Toshihiro Nagoshi faz disso um motivo de orgulho, afinal de contas, Yakuza é primeiro que tudo feito a pensar nos gostos Japoneses. É precisamente por isso que os fãs dedicados a adoram. Mantendo-se fiel aos seus valores, com continuadas novidades e refinamentos, a série Yakuza encontrou o seu expoente máximo com este sexto jogo. Sempre focada numa narrativa intensa e dramática, em combates brutais com golpes altamente violentos para acabar com os adversários, e na exploração de pequenos mundos abertos, é fascinante descobrir que Yakuza está melhor do que nunca.

Yakuza nasceu como um jogo de acção e aventura com alguns elementos RPG, assente em três princípios distintos: eventos, aventura e batalhas. Até ao dia de hoje permanecem como os pilares principais da série. Talvez por isso mesmo seja tão agradável descobrir que Yakuza não mudou muito, apesar de evoluir visivelmente, e sentirás incrível prazer em descobrir que Yakuza Zero leva a novos patamares todos esses princípios que te apaixonaram ao longo destes dez anos. A história de Yakuza Zero está entre as mais intensas e cativantes da série, a par de Yakuza 2, a exploração dos locais ganhou mais vida com os mini-jogos e histórias secundárias, e também o sistema de combate foi reforçado com diferentes estilos de luta. Tudo para acrescentar mais camadas à profundidade que envolve a experiência Yakuza.

Kazuma Kiryu, o fantástico protagonista principal da série, continua a ser o nosso elo de ligação a este mundo. O homem com mais estilo no Japão é a nossa porta de entrada numa Kamurocho em 1988, numa altura em que a economia Japonesa desfrutava de um forte e sustentado crescimento. Sendo este um jogo na série Yakuza, rapidamente os acontecimentos que até então pareciam casuais e sem consequência provam estar na origem de inesperadas situações que envolvem todos à volta de Kazuma. A história de Yakuza sempre foi um dos seus maiores valores, e a SEGA glorifica de incrível forma este elemento em Yakuza Zero. Envolvente, electrizante, intensa e violenta, agarra-nos com uma força que atesta todos os seus méritos. A linha narrativa é coesa, profunda, e mais parece que estamos a assistir a um glorioso filme.

Para muitos, passar quase 15 minutos a assistir a sequências pré-renderizadas ou diálogos não é muito interessante, mas numa era em que tantas séries sofrem com problemas de identidade, não posso deixar de louvar a SEGA por manter o carisma e forças da série Yakuza. Não é por teimosia, é mesmo porque é do melhor que esta série tem para oferecer. Quando não acompanhas Kazuma em Tóquio, o jogo transporta-te para Sotenbori, em Osaka, onde irás assistir a um outro lado dos eventos através da perspectiva de Goro Majima, outra adorada figura da série. Tendo em conta que o jogo decorre em 1988, assistir a uma história tão envolvente numa versão diferente dos locais que já visitaste em outros jogos da série, é um belo incentivo. Os loucos anos 80 servem como palco para uma história adulta, madura, com duas perspectivas que nada parecem ter em comum, mas que se vão cruzar de forma espantosa.

Se a SEGA glorifica a essência de Yakuza com uma fantástica história neste Zero, também a exploração beneficia com a passagem para a PlayStation 4. Apesar do jogo já ter dois anos, e de ter sido feito como um jogo para duas gerações de consolas, Yakuza Zero revela várias melhorias na fórmula da SEGA, e se a narrativa conquista maior impacto graças aos visuais melhorados, também a exploração se torna mais divertida e gratificante. Explorar Kamurocho e Sotenbori é melhor do que nunca, não só graças aos visuais fantásticos (apesar de alguns elementos gráficos de menor qualidade), mas também devido à fluidez e a ausência de interrupções ao percorrer os locais. Apesar dos locais serem relativamente pequenos quando comparados com as cidades completas dos jogos de mundo aberto Ocidentais, são locais com um bom tamanho e repletos de vida. Ao passear pelos dois locais inundados de néon e altamente atmosféricos, tão distintamente Japoneses, és transportado com facilidade para o mundo de jogo, e Yakuza Zero desfruta de uma boa sensação de imersão.

Existem poucos ecrãs de carregamento no jogo, os que existem duram mesmo pouco, e as transições entre a exploração e as batalhas está melhor do que nunca. Ao encontrar os habituais rufias, surge o nome deles no ecrã e em meros segundo começas a combater. Aqui conhecerás outro dos pilares fundamentais da série Yakuza, que para muitos é uma espécie de sucessora espiritual de Shenmue, ou então uma espécie de GTA Japonês. Pessoalmente, acredito que Yakuza é algo próprio e muito seu. Os combates de Yakuza são furiosos e dinâmicos, na dificuldade Normal podem tornar-se frustrantes e sentirás alguns picos de dificuldade. Algo que torna o jogo inconsistente sem qualquer necessidade. Mas quando estás a combater, tens a oportunidade para ver Kazuma no seu melhor. Mesmo que isto seja no início da sua actividade como Yakuza, antes da tatuagem nas costas estar pronta, antes de ser o Dragão de Dojima, ele já era aquela figura incorruptível e devastadora que conheces.

Para aprofundar os combates, a SEGA introduziu diferentes estilos para Kazuma e Majima, e podes alternar entre eles em tempo real a meio das batalhas, que mudam por completo a velocidade e movimentos executados. Seja um estilo mais agressivo focado na força bruta (Majima usa um bastão), um estilo mais solto e veloz, ou um estilo de luta de rua, tens ao teu dispor diferentes posturas de combate entre as quais precisas alternar dependendo da situação, do número de inimigos, ou do boss que está à tua frente. Acredita que vais precisar de comprar muitos Toughness Z para te salvares em muitas lutas brutais. O uso de diferentes objectos espalhados pelos cenários permite despoletar combos agressivos mas são os golpes finais altamente violentos que te vão deixar a vibrar. Basta imaginar Kazuma a espetar com uma bicicleta em cima de um rufia para depois saltar em cima dela e parti-la juntamente com o que restava das costelas do oponente para teres uma ideia do quão espectacular e violento isto fica

A história de Yakuza Zero consegue facilmente impressionar não só pela força dos seus personagens e acontecimentos, mas também graças aos gráficos. Apesar de alguns elementos revelarem que o motor gráfico nasceu na anterior geração, a grande maioria da componente visual está pronta para te impressionar. Especialmente naqueles momentos altamente intensos onde as sequências pré-renderizadas que utilizam o motor de jogo dão incrível vida e autenticidade aos personagens, que além dos visuais impressionantes revelam bem a entrega e dedicação dos actores Japoneses. Yakuza Zero é um dos jogos mais impressionantes, em termos gráficos, que vi até à data na PlayStation 4, e a história beneficia imenso com esta qualidade. Apesar de alguns cenários e texturas envergarem uma qualidade mais fraca, no geral, a atmosfera dos locais e a imersão neles apenas é possível graças a estes belos visuais.

Yakuza Zero é um jogo no qual facilmente passarás mais de 60 horas, especialmente se Kamurocho e Sotenbori te apelarem e sentires o desejo em explorar todos os seus cantos, descobrindo as mais surreais histórias opcionais. O Japão dos anos 80 é verdadeiramente deslumbrante e em alguns momentos sentirás que só falta o cheiro para uma imersão total. Quando tiveres acesso à gestão de imobiliário com Kazuma e à gestão de um Cabaret com Majima, passarás a maior parte do tempo a gerir cada negócio e não a seguir a história. A longevidade do jogo cresce imenso e de uma forma natural, uma vez que sentes que investir nestes elementos opcionais te permite melhorar os personagens e até aceder a momentos incríveis neste mundo. O melhor que poderás sentir em Yakuza Zero é que o tempo passa sem qualquer esforço.

A SEGA conseguiu apresentar aquele que é provavelmente o melhor jogo na série. A cada nova entrada, Yakuza recebeu novidades e mecânicas de jogo que diversificaram o gameplay, mas a história, Kazuma e os combates permaneceram sempre como os seus principais valores. Neste Yakuza Zero, a companhia Japonesa revela estar mais focada do que nunca e apresenta-nos uma história fantástica, profunda e envolvente, repleta de momentos que te fazem vibrar e te relembram porque te apaixonaste por ela já na era da PS2. Os combates estão mais profundos com o apoio dos diferentes estilos, e tudo o que diz respeito ao mundo de jogo foi elevado a um novo patamar. Temos inúmeras actividades extra, temos gráficos espectaculares, e temos um Yakuza a sério. Peca somente por ainda mostrar que não deu o salto completo em relação à anterior geração.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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