WRC 6 - Análise

A ganhar terreno.

O ano passado a franquia WRC mudou de mãos. O testemunho passou dos italianos da Milestone para o muito desconhecido estúdio francês e parisiense Kylotonn. Foi de certa maneira uma surpresa a boa aproximação conseguida ao género das corridas automóveis. Sem enveredar por uma toada marcadamente de simulação, registou-se um equilíbrio na condução, capaz de agradar a jogadores mais ou menos experientes e novatos.

Este ano, a kylotoon, novamente a cargo da produção de um WRC editado pela Big Ben Interactive, conseguiu ir um pouco mais longe nesse desiderato, apresentando um modelo de condução mais estável e seguro que o anterior, sobretudo em termos de interacção do carro com as diferentes superfícies e formatos. Não sendo talvez um simulador puro, proporciona uma condução particularmente excitante quando nos atrevemos a arriscar as leis da física e ir um pouco mais longe com os carros da categoria WRC, os carros mais perigosos tal a velocidade e embalagem que atingem em poucos segundos, após se acumularem algumas engrenagens.

Algo que é particularmente notório e notável em WRC, neste progresso de um ano, é a adaptação do carro às diferentes superfícies e respectiva sensação. Na terra ou gravilha as sensações tendem a ser muito próximas, com deslizes ou derrapagens mais prolongadas nos troços onde as curvas fecham. Já o rali de Monte Carlo com o seu asfalto mais irregular, com algumas partes cobertas por terra e neve, proporciona uma sensação quase "todo o terreno" por comparação com a condução precisa e delicada num troço de asfalto macio da Catalunha (Rali de Espanha). Neste rali, parece que o carro ganha ainda mais aderência, quase ao ponto de transitar sobre carris se formos precisos na inserção da frente nas curvas e delicados na saída, sem perder a embalagem ou velocidade.

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O co-piloto é precioso, vociferando notas que podem ser mais ou menos detalhadas consoante a nossa preferência.

São ralis feitos de faca nos dentes quando subimos a parada e disputamos o primeiro lugar nos troços na dificuldade máxima, desamparados de assistências, sujeitando-nos em último caso à colocação manual de mudanças. Um erro é o suficiente para nos atirar para o fundo da tabela de tempos, sempre com a possibilidade de controlar os registos online, ver os tempos dos nossos amigos e que posição ocupámos num ranking mundial.

É uma das grandes virtudes de WRC 6. Com as devidas licenças do campeonato do mundo, todos os ralis que integram o campeonato do mundo estão presentes, juntamente com os pilotos, os carros e as marcas que militam em três diferentes categorias: WRC, WRC 2 e WRC Júnior. Das estradas monegascas, passando pelos ralis escandinavos como Suécia e Finlândia, até às provas de terra, gravilha (Argentina, México, Portugal, Polónia, Itália, Austrália), lama (Gales) e asfalto (Córsega, Catalunha, China e Alemanha), o périplo mundial é um dos grandes trunfos deste jogo que os seguidores do mundial têm a seu favor.

Cada rali é constituído por 5 especiais, umas mais longas que outras mas bastante descritivas e detalhadas enquanto troços virtuais que tendem a aproximar-se dos sítios por onde passam os carros. No rali de Portugal, a super especial de Lousada é um dos maiores atractivos, como um percurso muito bom para se conseguirem tempos. A sua estrutura em forma de 8, composta por zonas rápidas e apertadas oferece uma combinação deliciosa, superando mesmo (em minha opinião) as super especiais de outros ralis. E só de saber que há não muito o circuito esteve quase a ser desmantelado em favor de um loteamento urbano. Fafe também é uma boa opção, com alguns dos seus elementos característicos como o salto final e a secção de asfalto e terra no gancho do confurco embora não se apresente totalmente como na realidade.

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WRC 6 posiciona-se como uma alternativa face a outras opções existentes.

São muitos ralis e cada um assenta numa série de particularidades e combinações de troços que o diferencia dos demais. Mesmo quando disputados em diferentes categorias, como o WRC 2 ou o WRC Junior, a adaptação é diferente. Isto é importante quando começamos por disputar o modo carreira a partir de uma equipa do WRC Junior. O objectivo passa por cumprir uma série de objectivos por prova de modo a que nos seja dado um convite para contrato por uma melhor equipa, progredindo na carreira. Se os resultados forem bons, a equipa espelhará essa satisfação e em breve subimos a parada para uma equipa mais competitiva, competindo numa categoria melhor, mas os desafios são maiores e o risco também, se optarmos por competir com mais dificuldade.

O modo carreira é a opção mais lógica e prolongada para se aproveitar ao máximo o WRC. Cada rali é composto por três dias, nos quais teremos que disputar entre 1 a 3 especiais, podendo uma delas ser a super especial e, por fim, a power stage, que atribui 3 pontos ao mais rápido para as contas do campeonato. As especiais podem ser disputadas de manhã, à tarde ou à noite, sob nevoeiro ou chuva e aqui há que jogar com factores imprevisíveis, como os furos que podem deitar por terra uma grande progressão (é possível mudar o pneu embora com a agravante de uma penalização), as saídas de pista, as largadas antes do relógio de partida chegar a zero (penalizações em tempo). Muitas vezes a melhor defesa é o ataque, o que não equivale a evitar acidentes. Com os danos na extensão máxima, ter de aguardar pelo final do dia para reparar o carro, eventualmente sujeito a tempo extra de reparação (se os estragos forem grandes), pode significar o fim de qualquer hipótese de chegar aos pontos, cumprindo as restantes especiais apenas com o objectivo de melhorar a condução.

O modo carreira é o grande modo de jogo de WRC 6. Não introduz grandes alterações mas descreve com pertinência e apresenta o essencial por que passa um piloto ao longo do ano. Depois têm outras opções como o multiplayer online, no qual todos os jogadores partem ao mesmo tempo, vendo-se uns aos outros através de carros fantasma. Para alguns pode ser um factor que ajuda a andar mais depressa enquanto que para outros pode criar alguma desconcentração. Outras opções de jogo contemplam provas em tempo real, baseadas no calendário do campeonato do mundo, através de uma grelha online que exibe os mais rápidos. Não há mais novidades e quase todas as opções são uma transição dos jogos anteriores, pelo que urge a criação de diferentes desafios e modos.

Quanto à jogabilidade, recomendo que mudem as configurações para Pro (inclinam o jogo para a simulação), já que a sensação de condução é mais gratificante, correndo mais riscos e sentindo mais o carro em curva, especialmente nas acelerações e travagens. O equilíbrio é bastante aprazível e o feedback bastante interessante. Se não possuírem um volante, não desanimem. WRC 6 joga-se muito bem com o comando, mesmo na dificuldade mais elevada, desde que recorram à perspectiva do capôt ou pára-choques. A perspectiva interior não proporciona tanta velocidade e a câmara de perseguição cria mais embaraços na condução do carro. Além disso, sobre o capôt a audição do ruído do motor, engrenagem de mudanças e pedras a saltarem nas cavidades para as rodas proporcionam uma sonoridade mais imersiva.

Infelizmente, pese embora a beleza de muitas especiais e vão ficar admirados quando percorrerem todos os ralis com a descrição dos percursos, com subidas e descidas montanhosas arrepiantes, "screen tearing" e algumas quebras de "frame rate" impedem o jogo de conseguir melhores resultados no campo gráfico. Ainda há muito a fazer para tornar o jogo estável em cadência de fotogramas por segundo e livre de alguns embaraços visuais.

À segunda produção o estúdio Kylotonn melhora a edição passada e torna WRC 6 mais interessante quando jogado nas configurações profissionais. Menos que isso e perde boa parte da sua chama. Os fãs deste género vão encontrar nesta edição um desafio interessante e capaz de proporcionar uma condução bastante gratificante. Mas ainda é um jogo algo parco em modos de jogo, muitos deles contemplados em edições anteriores e a necessitar de mais algum esforço em termos gráficos. Pelo menos na versão que jogámos, na PlayStation 4, isso é notório. Com mais tempo e investimento, a produtora poderá resolver grande parte desses problemas e quiçá chegar a algo mais bombástico. Não está longe.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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