Batman: Return to Arkham - Vale a pena?

Jogamos as remasterizações na PS4.

Batman: Arkham Asylum, de 2009, e Batman: Arkham City, de 2011, são dois dos nossos jogos favoritos da anterior geração de consolas, e muito provavelmente um dos melhores jogos de todos os tempos para quem é fã de comics, e principalmente do Cavaleiro das Trevas. Depois de anos a fio sem jogos que glorificassem os personagens dos comics e sem assolados pela sensação que ficavam atrás de quem nasceu nesta indústria, eis que a desconhecida Rocksteady decidiu surpreender o mundo. Se o primeiro jogo foi uma magistral e cuidada representação de Batman em formato videojogo, Arkham City foi a elevação de todos os conceitos de gameplay e o combinar perfeito entre videojogo e comic.

Depois de conquistar o respeito do mundo, a Rocksteady continuou e terminou a sua trilogia com Arkham Knight, em 2015 e já na actual geração de consolas, e está agora a preparar o seu futuro. Depois de todo o brilhantismo que demonstrou na leitura e conversão de Batman, não é de estranhar que a Warner Bros. Entertainment lhes dê carta branca para escolher qual o personagem, ou personagens com os quais querem trabalhar. No entretanto, na ausência de um jogo de peso, a Warner recrutou a Virtuos para, em conjunto com a Rocksteady, permitir que os jogadores com uma Xbox One e PlayStation 4 possam desfrutar em pleno da trilogia Arkham.

Quer isto dizer, que neste final de 2016 o grande jogo da DC e da Warner é na verdade um regresso à anterior geração e a remasterização desses dois imperais clássicos da era moderna. A Virtous, que tratou da adaptação de Final Fantasy X/X-2 HD Remaster para a PS3, PS4, PS Vita e PC, em Heavy Rain para a PlayStation 4, e que está a preparar Final Fantasy XII: The Zodiac Age para a Square Enix, já sabe o que precisa fazer para agradar aos fãs. Mais interessante ainda, é que estes remasters utilizam o Unreal Engine 4, ao invés do Unreal Engine 3 como nos originais, e isto abre a porta a todo um novo leque de técnicas e possibilidades.

"Arkham Asylum é um jogo absolutamente singular, dotado de conceitos de gameplay entusiasmantes e que passados sete anos ainda não têm rival."

A classe e distinção dos dois jogos é mais do que sabida e nem sequer vale a pena ser discutida. São dois dois melhores jogos de acção e aventura que podem jogar, sendo ou não fãs de Batman. Tão simples quanto isto. O interesse aqui está em descobrir de que forma os trabalhos executados pela Virtuos, e supervisionados pela Rocksteady, melhoraram os jogos, se o Unreal Engine 4 trouxe melhorias significativas, e se o que aqui foi feito garante o estatuto de verdadeiro remaster. Tem sido frequente nesta geração encontrar remasters que deixam um sabor amargo na boca, outros com alterações estranhas, e outros que nem melhoram assim tanto a performance. Será que Return to Arkham é um jogo que vale a pena jogar, mesmo para quem jogou os originais?

Antes de passar para a qualidade visual, existe um elemento fulcral da experiência dos jogos que quero abordar. Se ainda se lembram dos momentos "dramáticos" vividos na anterior geração de consolas então Return to Arkham poderá oferecer-vos algo muito agradável. Aqueles dias em que os jogos Unreal Engine 3 chegavam às consolas com problemas como soluços, quedas no rácio de fotogramas, v-sync adaptável que permitia screen-tearing no ecrã, especialmente em zonas enormes como a cidade de Gotham em Arkham City, são coisa do passado e se já os esqueceram, ainda bem. As versões actualizadas de Arkham Asylum e City correm, na sua grande maioria, uma autêntica maravilha, livres de problemas na performance, e provavelmente ao nível do que os jogadores PC tinham já na altura.

Nas consolas é algo que não estava ao nosso alcance e algo que Return to Arkham consegue fazer é limpar esta mancha que, apesar de afectar mais uns do que outros, não deixava de tirar algum polimento à qualidade geral das experiências. Especialmente importante quando temos um sistema de combate tão intuitivo e dinâmico quanto o Freeflow, que mudou a indústria e tornou-se numa referência. Sentir a acção a ficar mais lenta e sentir inconsistência nos comandos não era agradável em alguns dos combates mais intensos. Apesar de não envergar a suavidade de 60fps, a presença de 30fps fixos já é mais do que o jogador tinha na anterior geração, e para jogos como estes dois essa consistência é fundamental.

Uma performance mais robusta já é um bom indicador do que esperar aqui, mas num remaster, e pensando em consolas como a Xbox One e PlayStation 4, isso é o mínimo. Arkham Asylum e Arkham City foram actualizados para correr a 1080p nas novas consolas, sobre a 720p dos originais, o que lhes confere uma qualidade de imagem mais nítida e capaz de apresentar mais detalhe. Tão importante quanto o salto na resolução nativa, é o tratamento ao aliasing, algo que podia assustar alguns nos originais, e que aqui desfruta de melhor tratamento. Claro que estas melhorias típicas de um remaster são já esperadas, mas é o uso do Unreal Engine 4 que permite utilizar técnicas e efeitos que simplesmente estavam fora do alcance das consolas de anterior geração.

Apesar de estarmos perante os mesmos jogos, completamente iguais e sem quaisquer novidades, a qualidade de imagem em alguns casos transforma os jogos e com resultados que frequentemente me espantaram. Sim, em vários momentos as cutscenes deixam a sensação que os jogos estão piores, momentos pré-renderizados que podem não desfrutar do mesmo nível de melhorias, mas ao percorrer os corredores do Asilo Arkham, nem queria acreditar que estava perante um jogo com 6 anos. As texturas em Batman e nos inimigos enganam bem e rivalizam com muitos jogos lançados nesta geração de consolas. Saltando para Arkham City, os painéis de néon, os efeitos climatéricos, os reflexos nas poças de água, e a forma como as melhorias visuais ajudam a conferir ainda mais atmosfera e personalidade a Gotham, é um atestado à qualidade do material original da Rocksteady e ao trabalho de conversão da Virtuos.

Um elemento que poderá criar mais divisões é a iluminação. Ao passar para o Unreal Engine 4, e com uma resolução superior, a Virtuos foi capaz de apresentar muito mais detalhe mas cenas, e muitos pontos nos cenários e personagens que estavam completamente tapados pela escuridão, são agora totalmente visíveis nos remasters. Isto pode transformar por completo algumas cenas, em tom e cor, além do detalhe, e isto poderá ser o único factor que cause diferentes posturas entre os fãs. Pessoalmente adorei ver a grande maioria das cenas nos dois remasters.

"A capacidade de Gotham para espantar o jogador é tão forte hoje quanto o foi em 2011, o que diz muito deste remaster."

Batman: Return to Arkham apresenta ainda todos os conteúdos adicionais que foram lançados para os dois jogos, o que significa que terão aqui todos os Mapas de Desafio lançados para Asylum e City, sem esquecer o pequeno episódio com a Catwoman e os vários fatos alternativos que Batman pode utilizar enquanto paira sobre Gotham. É o que os fãs precisam para completar o seu pacote e só é mesmo pena que Arkham Origins não tenha sido incluído, e que nem todas as melhorias visuais ostentem a mesma superioridade inegável. Enquanto alguns toques podem recair numa questão de gosto e serem atribuídos a decisões artísticas, outros não.

Return to Arkham precisamente aquilo que pretende, relembra ao jogador o quão fantásticos são os dois jogos, e permite que os voltem a jogar numa versão que, apesar de não ser totalmente superior, consegue surpreender por se manter tão actual. Alguns pormenores dos personagens, especialmente nas cutscenes do primeiro, podem deixar um impacto negativo, mas as correcções das limitações inerentes ao Unreal Engine 3, especialmente nas cores, combinado com novas técnicas permitidas pelo Unreal Engine 4, fazem com que seja tão divertido e espantoso jogar os jogos hoje, como foi na altura dos seus respectivos lançamentos. Se forem fãs de Batman e sentirem vontade de os jogar, nem sequer pensem duas vezes, são dois jogos singulares com visuais actualizados.

Salta para os comentários (15)

Jogos em destaque neste artigo

Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

Conteúdos relacionados

Também no site...

Comentários (15)

Os comentários estão agora fechados. Obrigado pela tua contribuição!

Ignora piores comentários
Ordenar
Comentários