PlayStation VR - Os jogos mudaram?

Uma tecnologia fantástica que espera por jogos fantásticos.

Sempre que uma nova geração de consolas aparece, a comunidade gamer entusiasma-se pelas potenciais mudanças que poderá trazer ao gaming, nomeadamente na possibilidade de inovação e porque não uma revolução na área?

Num mundo onde tudo acontece à velocidade da luz, onde todos se copiam, e as modas andam enroladas com expressões tais como "revolução", "agora é que é", "tudo será diferente", ou neste caso mais particular do PlayStation VR, "Vive o Jogo", com que olhos vemos o novo dispositivo da Sony? Esta expressão por parte da Sony, "Vive o Jogo", leva-nos para um imaginário de conteúdos futuristas, onde antes jogávamos, mas agora com os óculos de realidade virtual somos transportados para dentro do jogo. Depois de termos experimentado diversos jogos, tech demos e de termos colocado muitas pessoas a experimentar o PS VR, podemos afirmar que sim. O PlayStation VR, ou a atual realidade virtual em geral, pois a Sony não é a única player do mercado, consegue criar o efeito "eu estou dentro" em quem experimenta.

Mas qualquer recente tecnologia não deixa de trazer os seus problemas, os seus mitos e, claro, nem todos a recebem da mesma forma. Apesar do corpo humano reagir de forma igual em muitas circunstâncias no nosso dia a dia, pois muitos sintomas são transversais em qualquer pessoa, a ligação à tecnologia tem resultados diferentes, levando em conta o factor hábito ou sensibilidade de cada um. Isto acontece de forma drástica com o PlayStation VR, onde temos comportamentos díspares quando experimentam a tecnologia.

A experiência da presença

Este artigo não visa dissecar a parte tecnológica e especificações do PlayStation VR, para isso poderão ler a análise do PlayStation VR . Mas queremos antes compreender o seu impacto no gaming, nos jogadores e se será, como muitos já vaticinam, mais uma moda passageira, equiparada ao 3D. Pessoalmente não concordo, pois acho que seja antes o princípio de um caminho e não o seu fim. Seria ingénuo da nossa parte pensar que este PlayStation VR é o topo do que a Sony consegue fazer, ou que para além disto não haverá mais nada. Sinto que o VR é mais um elemento para a evolução dos videojogos, pois de forma natural a tecnologia vai evoluindo e é necessário investigação, risco e pessoas/empresas que apostem.

Em primeiro lugar tenho que afirmar que o PlayStation VR funciona, e funciona tão bem que tivemos imensos exemplos, de diversas faixas etárias, a sentir que entraram num novo universo mal colocaram os óculos VR. A sensação foi tal que muitos tiveram medo de avançar, com receio de sentirem ou terem reacções reais perante o que acontecia no espaço.

Existe realmente a sensação de "presença". Dou um pequeno exemplo: No Batman: Arkham VR, enquanto estava a explorar a casa de Bruce Wayne, fui tocado no ombro na vida real (pois estava com auscultadores) para ter que fazer algo. Como tinha o comando Dualshock na mão tinha que o pausar em algum lado, e de forma instintiva tentei pousar numa mesa que estava ao lado de um piano, isto dentro do jogo. Foi uma sensação estranha, muito estranha. Ainda para mais quando tiro os óculos e parece que estou noutra realidade, e na verdade estava mesmo.

A importância dos jogos

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"O The London Heist é extremamente real em algumas partes, provocando receio e efeitos UAU em muitas alturas."

Tudo parece bonito? Sim... e não. A grande questão no VR, e muito devido a essa sensação de presença, de estarmos realmente lá, é que o corpo pensa que estamos num espaço onde podemos andar. É claro que a tech é uma coisa e o software que a alimenta é outra. Mas pelo que pudemos experimentar, podemos concluir que o problema está em jogos onde temos que realmente jogar, no sentido de mexermos sem nos mexermos na vida real. Um dos casos que demonstra muito bem este efeito de náuseas é o jogo ao estilo Ratchet & Clank dentro do Playroom VR. Num formato normal de TV, temos o ambiente/cenário e o personagem para controlar. A câmara acompanha sempre o personagem por detrás, apesar de podermos sempre andar em volta dele usando o analógico direito. Muitas vezes a câmara não se mexe porque temos sempre um raio de ação aberto dentro do espaço, e mexemos só o personagem. No VR tudo isto acontece, mas ainda tens mais um elemento, a tua cabeça. Quando a câmara não se mexe, tudo é fantástico... mesmo fantástico. Mexemos o personagem, conseguimos nos aproximar dele, e o efeito de vermos o comando no ambiente virtual é simplesmente genial, tudo funciona lindamente. Temos ainda a hipótese de darmos um passo na vida real e também o fazemos no cenário.

Mas tudo muda quando andamos para a frente com o personagem, onde consigo traz a câmara. Mas nós (mundo real) estamos parados, então a sensação é de vermos o cenário a andar sozinho no sentido contrário. Este efeito é contornado em outros jogos pelo gameplay ser muito lento, muito lento mesmo. Caso da experiência Playstation VR Worlds, na descida para vermos o tubarão, ou no videojogo Here They Lie. A sensação de náuseas poderá ser mais forte em algumas pessoas, mas em outras pouco sentiram. Mas mesmo nestas pessoas o cansaço em poucos minutos é muito mais acentuado do que jogar numa TV normal.

Os jogos que mais nos causaram náuseas foram: Driveclub, RIGS, Scavengers Odyssey e Battlezone. Mas como disse, existem jogos fantásticos que usam muito bem o PlayStation VR. O The London Heist é extremamente real em algumas partes, provocando receio e efeitos UAU em muitas alturas. Batman: Arkham VR transporta-nos para dentro do mundo de Batman, e o seu fato negro nunca foi tão real. Acreditam que até senti que cheirei a pele? O PlayStation VR é também brilhante em jogos de puzzle, onde podemos nos aproximar dos elementos, sentir que estamos mesmo a mexer em peças. A Descida ao Oceano no PlayStation VR Worlds é brilhante, e até mesmo a sala do PlayStation VR Worlds cria um efeito UAU quando mexemos com as diferentes bolas que estão perto de nós.

PlayStation VR é um produto altamente tecnológico

No caso do PlayStation VR, e já mencionado pelo DF. o aparelho em si está muito bem conseguido. Mesmo durante horas a jogar, nunca me senti cansado por o ter na cabeça (não confundir com cansaço em jogar). Passei algum tempo a jogar Hustle Kings VR, que por sinal é um vício, e estava completamente vidrado no jogo, sinceramente deixei de sentir o PS VR, e de sentir que estava no escritório. A foto do Loureiro em baixo prova isso, pois estava simplesmente dentro de um novo universo, num bar a jogar bilhar. Nestes casos temos que ter cuidado com o que está à nossa volta, e esses lembretes são sempre dados pelo dispositivo, pois poderá ser perigoso termos objectos que possam cair ou quebrar por perto, pois perdemos realmente o sentido do espaço.

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A Realidade Virtual não é coisa simples. Parece em conceito, mas em termos de entregar um produto sólido, bem construído e que consiga "caber" em todas as cabeças é um feito enorme por parte da Sony. Simplesmente funciona, apesar do aparato de fios, de caixas e ligações. A sensação que temos é que ainda parece um Dev Kit, com arestas para limar. Numa sala de estar, já cheia por si com outros dispositivos, ligar a PS4 e o PS VR poderá criar um caos de design para quem gosta de tudo arrumado. O mesmo acontece se quiserem transportar para outros lados, o volume de coisas que temos que levar poderá afastar alguns de remover do local a instalação. Estamos a falar da PS4, comandos, câmara, 4 HDMI, mais caixa que fica entre a PS4 e o PS VR, e se quiserem ainda temos os PlayStation Move.

Para a experiência ser ainda mais imersiva joguem com auscultadores, que são ligados no cabo do PlayStation VR, onde também temos o microfone incorporado. O PlayStation VR já traz consigo uns auscultadores que dão bem conta do recado, mas sempre poderão colocar o vosso melhor auscultador. Temos usado os da Razer, mas, claro, o aparato visual começa a ficar caótico, compensando em termos de experiência.

Muitos têm perguntado sobre jogarmos jogos normais no PS VR, ou até vermos vídeo. Experimentámos o PS VR com o Rise of the Tomb Raider (não o nível VR) e a experiência foi super positiva. Diferente dos jogos nativamente VR, os jogos normais são apresentados como se estivéssemos num cinema. Por isso contem com um enorme ecrã à vossa frente, que apesar de perder em termos de resolução em comparação com uma TV Full HD, ganha totalmente em termos de imersão, mesmo sendo tudo a "2D". Também experimentamos o P.T. e ficou ainda melhor do que já era. Como o ecrã à nossa frente é enorme, podemos rodar a cabeça para olharmos para diversas partes do ecrã, focando aqui e ali. Realmente muito bom, antevendo uma experiência fantástica em jogos de terror como o próximo Resident Evil, onde o gameplay é supostamente mais calmo.

"Qualquer gamer deveria experimentar o PlayStation VR, pois de uma forma ou outra é um novo universo que se abre para nós, e neste caso é mesmo ver para crer."

Experimentámos também em filmes, nomeadamente no Netflix. Aqui julgo que não valerá a pena ver dentro do PS VR. A resolução mais baixa é um dos problemas, pois nota-se perfeitamente a ausência do brilho do Netflix em 1080p das TVs, já para não falar do 4K. Também tivemos problemas com as legendas. Não existe nenhum programa de cinema virtual para o PS VR, e por isso, apesar de estar afastado dos olhos o ecrã, não temos margem para lermos as legendas, pois estamos demasiado perto do ecrã. É o mesmo que estarem a ver um filme nas primeiras filas da sala de cinema. Também jogamos Destiny (tinha que ser), e apesar de haver mais imersão, existe o problema da focagem, pois como é um jogo rápido e de precisão, a falta de resolução prejudica neste caso.

O futuro

Temos que apontar o PlayStation VR para o futuro. Isto é o início de uma nova era dos videojogos e da interação com meios virtuais. Como tudo existe as coisas boas e más numa nova tecnologia. Muitos já falam do aspeto da alienação da sociedade, do isolamento e problemas de saúde relacionados com a exposição prolongada. Estes alertas são válidos e muitos deles mencionados antes de cada jogo. Como sempre o jogador terá a palavra final, serão as vendas e o dinheiro em caixa que ditarão se existirá mais conteúdo VR, e principalmente melhor conteúdo VR. O futuro parece ser risonho, mas consideramos que existe muita margem para melhorar, principalmente nos jogos. Acreditamos que os estúdios têm que produzir jogos dedicados e pensados para o VR e não apenas colocar, como costuma ser em novas tecnologias, o VR como extra.

Quando falamos em jogos dedicados não estamos a falar em questões gráficas, mas sim, e principalmente, em questões de gameplay. Não podemos jogar os mesmos jogos pensando em produzir em massa algo VR ready. Os jogos terão que ser produzidos tendo em primeiro lugar o VR, senão voltaremos novamente ao refugo, e não à excelência. O PlayStation VR é uma peça de hardware fabulosa, onde nos sentimos no topo da arte. Existem cedências, e temos que as considerar. A Sony está a entregar um produto a 399 euros, algo que poucos imaginavam ser possível. O VR pode chegar rapidamente às massas com diversos pacotes promocionais, que certamente existirão, mas não pode apenas ser uma brincadeira, do "vem cá ver isto que está brutal". Amanhã é lançado em Portugal o PlayStation VR, e se ainda não experimentaram têm que o fazer. Qualquer gamer deveria experimentar o PlayStation VR, pois de uma forma ou outra é um novo universo que se abre para nós, e neste caso é mesmo ver para crer.

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Sobre o Autor

Jorge Soares

Jorge Soares

EG.pt Master of Puppets

Sempre ocupado e cheio de trabalho, é ele quem comanda e gere a Eurogamer Portugal. Queixa-se que raramente arranja tempo para jogar, mas quando está mesmo interessado num jogo, lá consegue arranjar uns minutos. Tem mau perder e arranja sempre alguma desculpa para a sua derrota, mas no fundo, é o que todos fazemos.

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