The Banner Saga 2 - Análise

Encantador.

Depois de surpreender o mundo com o deslumbrante The Banner Saga em 2014, a Stoic decidiu regressar a este belo mundo, criando uma sequela que assenta nos mesmos alicerces mas procura todas as melhorias necessárias para ser erguer acima da já ambiciosa produção. Lançado em Abril para PC, em Julho na Xbox One e PlayStation 4, The Banner Saga 2 chegou no final de Setembro aos dispositivos iOS e Android para nos dar um dos melhores títulos de 2016. Fãs de RPGs de estratégia e especialmente fãs de coisas boas que merecem a nossa atenção, têm aqui um poderoso título que ostenta qualidade em qualquer plataforma.

Este magistral mundo fictício inspirado na mitologia Viking nasceu da mente de três veteranos da Bioware, que depois do sucesso obtido pelo original, conquistaram todo o direito a repetir a dose. Sendo um adepto de RPGs de estratégia que se apaixonou pelo género com Final Fantasy Tactics e ainda recentemente se entregou a Fire Emblem Fates, não podia continuar a permitir que The Banner Saga 2 me escapasse. A versão mobile provou ser tão especialmente irresistível pois combina uma bela qualidade visual com um esquema de controlo que encaixa na perfeição neste género. É certo que jogar numa consola tradicional ou PC é altamente intuitivo mas o controlo dos campos de batalha enquadra mesmo bem com o controlo por toque.

The Banner Saga 2 é um jogo que faz honra às inspirações, um jogo que nos introduz a batalhas estratégicas, onde teremos de respeitar mecânicas próprias, mas também é um jogo de aventura e fantasia. Tendo em conta que nasceu da mente de talento da Bioware, este The Banner Saga 2 exibe um forte foco na narrativa e nos personagens. Para conferir maior intensidade aos procedimentos, o jogador tem sempre várias opções nos diálogos ou em momentos mais importantes, e quando sentirem que não conseguem escolher de ânimo leve e ficam largos segundos a olhar para o ecrã a ponderar os possíveis desfechos, é quando percebem que o jogo conquistou o vosso respeito.

"The Banner Saga 2 apresenta um estilo de arte fantástico e um mundo de fantasia e mitologia que facilmente deslumbra."

A sequela começa logo onde o original nos deixou. Para não estragar quaisquer surpresas, não vou falar na história mas o tom é pesado, e a iminente guerra que ameaça destruir o mundo faz com que exista urgência e perigo a todos os instantes. Os jogadores começam num local distante da capital e precisam chegar até lá. No entanto, num mundo de incrível mitologia, repleto de criaturas imaginárias e locais deslumbrantes, The Banner Saga 2 não hesita em combinar o inspirador com o desesperante. Estes personagens não têm um momento de sossego e quando o mundo está à beira do abismo, cada decisão dita o rumo dos acontecimentos.

Enquanto assistimos à jornada da caravana, como se tratasse de um daqueles livros de aventura e fantasia dos tempos de criança, teremos pausas para acontecimentos narrativos mas ao invés de lançar os dados para saltar para uma página, a Stoic segue o belo exemplo da Bioware e dá-nos diferentes opções nos diálogos para diferentes desfechos. Podem ter a certeza que as vossas acções importam e vão ficar a pensar nelas. A história de The Banner Saga 2 está feita para que seja um autêntico mistério, envolto em sobrevivência e escolhas muito difíceis. É esta sensação de combinar a experiência narrativa dos livros de fantasia com um RPG de estratégia que torna The Banner Saga 2 em algo mesmo especial, tal como o primeiro.

Consoante a caravana segue a sua jornada, os perigos vão-se sucedendo e quando o jogador não é forçado a tomar uma decisão que nunca será consensual ou benéfica para todos, está a gerir o acampamento para manter em alta o moral das tropas. É um outro elemento da experiência, a necessidade de gerir os recursos e moral de quem nos segue. O jogador terá de ter em conta estes parâmetros e terá de escolher onde acampar, especialmente importante pois é lá que treina as suas tropas e melhora as suas habilidades. Isto é feito através de pontos Renown que obtém ao eliminar adversários nos combates.

Como seria de esperar, neste RPG estratégico o jogador verá os personagens expostos numa grelha onde cada personagem executa as suas acções dentro de uma ordem. O tradicional no género. Onde The Banner Saga 2 busca diferença é na gestão das habilidades de cada classe e como isso interfere com os combates. Existem 16 classes e só podemos ter 6 personagens em combate, sendo necessário apresentar uma equipa diversificada e capaz de se adaptar às situações. Na luta contra os Dredge, entre outras criaturas e até humanos, o jogador precisa escolher onde se posicionar, quem atacar e como atacar, utilizar habilidades especiais e gerir os pontos Willpower à disposição. Este é o verdadeiro elemento diferenciador dos combates em The Banner Saga 2.

Os pontos Willpower que cada personagem apresenta irá afectar a quantidade de dano que pode aplicar e a distância para onde se pode deslocar. Será importante gerir a nossa posição no combate, gerir os pontos Willpower e quando atacar ou defender para os amealhar, e como derrotar os adversários sem perdermos unidades. Não morrem de forma definitiva nos combates mas ficam enfraquecidos e precisam de alguns dias para recuperar. Nos combates com bosses, existem alguns, a vossa capacidade de gestão e estratégia será desafiada e não se esqueçam de gerir bem os pontos Willpower.

"Inspirado nos melhores RPGs de estratégia e com uma abordagem aos personagens que poderá agradar aos fãs de A Guerra dos Tronos, a Stoic honra aqui as suas inspirações e demonstra arte e saber."

The Banner Saga 2 faz do seu aspecto visual um dos seus maiores trunfos. Ao longo desta jornada, o jogador vai percorrer uma terra deslumbrante, repleta de locais altamente inspirados e cuja mitologia fictícia revela incrível talento. A arte das montanhas nevosas, as belas árvores que parecem ter sido colocadas com uma precisão incrível para deixar o jogador mais envolvido, tudo neste mundo ostenta incrível beleza. A qualidade visual e principalmente a arte do jogo são dois dos seus principais trunfos e uma das principais razões pelas quais ficamos maravilhados deste título.

Se a estes belos visuais e a uma arte seriamente estupenda juntarem vozes competentes e o nome Austin Wintory, então a perseguição pela boa qualidade fica decididamente séria. Depois de assinar trabalhos como Journey, Assassin's Creed Syndicate ou Abzû, Wintory junta à sua crescente lista de trabalhos dignos de atenção este The Banner Saga 2, assumindo o papel de compositor como fez no original. A banda sonora está repleta de pedras preciosas que nos deixam emocionados, empolgados, entusiasmados e acima de tudo apaixonados pela sua obra. Isto sem esquecer que lhe confere um certo tom de autenticidade, como se nos transportasse verdadeiramente para uma fantasia viking.

Na minha lista de melhores jogos do ano colocarei sem dúvida The Banner Saga 2. Mesmo que o seu sistema de combate não tenha a profundidade ou dificuldade de outros jogos no género, tem qualidade suficiente para figurar entre os principais nomes que os fãs jogaram ao longo dos anos. Especialmente quando existem tão poucos nos dias de hoje. É uma carta de amor a jogos que nos apaixonaram enquanto mais novos, dono de uma bela arte e mitologia, conseguindo captar a atenção do jogador com os seus arcos narrativos e personagens. The Banner Saga 2 foi um autêntico prazer e só é pena que não dure mais tempo.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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