Um jogo baseado no "free to play" que não se liberta dos problemas da versão anterior e pouco oferece para ganhar destaque na 3DS.

Inspirado no conceito e modelo "free to play" (livre de custos para o utilizador, pelo menos na fase inicial) de Swords and Swoldires, chega à 3DS mais um jogo de estratégia criado com base numa mecânica similar, mas sem o sistema das micro transacções, colocando no seu lugar um preço de 10 euros, o que desde logo pode ser suficiente para afastar muitos interessados já que o jogo encontra-se disponível no IOs e Android de forma gratuita.

Isso torna o processo mais interessante. Experimentamos o jogo, sem qualquer custo, e se este for do nosso agrado e interesse aos poucos investimos em conteúdos suplementares de forma a acedermos à experiência completa, ou não. Não é o caso desta versão para a 3DS. Sendo o preço não só altamente significativo para o tipo de jogo que representa, não podemos reclamar o nosso dinheiro se nos sentirmos insatisfeitos. Infelizmente é o que acontece ao fim de algum tempo, quando nos apercebemos que estamos diante de um jogo de estratégia altamente simplificado, sem grandes artes de produção e sem brilho.

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Existe um sistema de evolução para os gatos.

O que distingue uma plataforma como a 3DS dos aparelhos como "smartphones" e "tablets" - a moda móvel - é a natureza dedicada da consola, criada para correr exclusivamente experiências moldadas às suas características, e que são quase impraticáveis ou impossíveis pela complexa interface noutros aparelhos. Infelizmente, em jogos como este, dilui-se esse sentido e o barato pode sair caro.

Passando ao jogo propriamente dito, nós controlamos um exército de gatos - gatos de combate - na tentativa de dominar o mundo. A premissa é pouco fascinante e toda a construção é pouco inspirada. Não só é uma estética deveras pobre e simples, como das mecânicas não sobressai qualquer chama ou brilho e tudo acaba por se resumir à prática sucessiva dos mesmos passos: obtém-se dinheiro durante o combate (recurso) e com ele custeamos o envio de mais bichanos para a frente do combate, onde se perfilam as torres dos inimigos que urge derrubar. Se derrotarmos os inimigos mais dinheiro entra em caixa.

Ao fim de alguns níveis, a configuração dos campos de batalha muda significativamente. No caminho até às torres dos inimigos encontramos mais perigos, como serpentes, jacarés, porcos, entre outras criaturas que tendem a estilhaçar as nossas oportunidades de sucesso, semeando algum pânico e sucessivas perdas no nosso exército. Isto pode ser superado através da criação de melhores armas, equipamento para os nossos gatos e bichanos mais capazes. Naturalmente, é um processo dispendioso, pelo que teremos que gerir bem o dinheiro e lançar os ataques com um bom conjunto de gatos, para a missão não correr mal.

Infelizmente, a arte e animação do jogo deixam muito a desejar. Não há nada de especial ou particularmente interessante no vosso exército. Scribblenauts consegue ser de longe mais criativo e admirável, pese embora o diferente conceito e mecânicas. Além disso, os incentivos para jogar nem sempre surtem efeito. Se não tivermos suficientes latas de comida para gato pouco podemos fazer pelo nosso exército. O dinheiro obtido em combate ainda nos dá acesso a novos gatos, remodelação da nossa base ou coisas adquiridas na loja. Infelizmente, a estrutura "free to play" acaba por se fazer sentir demasiadas vezes, como sucede com os ataques ferozes dos adversários. Sujeitar este esquema à existência de uma barra de energia que se esvazia à medida que ocorrem os combates é penoso e o tempo de espera até que a mesma seja resposta torna as coisas ainda menos interessantes.

Infelizmente, a versão 3DS não consegue destacar-se perante as versões disponíveis no Android e iOS. As mecânicas não apresentam qualquer novidade e toda a apresentação é muito limitada e pouco cativante. Um título perfeitamente ultrapassável, sobre o qual pende um preço ainda significativo e que não liberta por completo o jogador dos mesmos obstáculos das versões gratuitas.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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