Guilty Gear Xrd Revelator - Análise

Um dos melhores fighting games da geração.

Revelator

A Arc System Works merece decididamente os parabéns de todos os adeptos dos fighting games. Depois do genial Guilty Gear Xrd -SIGN-, que ocupou um lugar de destaque nos nossos corações ao ser um dos primeiros jogos do género anunciado para esta geração de consolas, a Arc regressa para um encore onde o volume foi aumentado e a excentricidade levada ao extremo. Depois de largos anos enquanto série de "segunda linha", ficando atrás das séries de maior popularidade, Guilty Gear regressou e Daisuke Ishiwatari aproveitou o ímpeto conquistado por jogos como BlazBlue, outro trabalho seu, para catapultar a série para as luzes da ribalta a nível mundial. Se anteriormente era uma opção para os mais fervorosos adeptos dos fighting games que queriam mais e mais, a série Guilty Gear é agora uma das melhores do género.

Revelator continua com o espectáculo que SIGN nos apresentou. Um enredo altamente elaborado, protagonizado por personagens estranhos num fighting game que cujo ADN está envolto num tom bizarro, o que poderá afastar os jogadores mais casuais. SIGN mostrou a Arc System Works a implementar um sistema de combate mais amigável mas o mais delicioso foi descobrir que foi encontrado um equilíbrio delicado entre acessibilidade e profundidade. Enquanto uma grande parte dos jogos do género preferem simplificar as mecânicas, Guilty Gear está repleto de sistemas e meios para tornar os combates mais desafiantes, dando superioridade aos que conhecem todo o léxico desenvolvido por Ishiwatari e pupilos, enquanto os novatos podem na mesma encontrar imediata mas curta satisfação ao martelar botões.

Tal como referi, Revelator mostra que Ishiwatari sabia perfeitamente o que pretendia em SIGN e sem a momento algum abdicar da sua visão para Guilty Gear, revela como afinar os instrumentos permite a criação de um tom mais harmonioso. Revelator revela bem o quão poderoso é o imaginário deste grupo de trabalhadores. Os 17 personagens de SIGN eram todos eles fortes indivíduos capazes de se tornarem no main de qualquer jogador, uns mais que outros é certo e as cinco novidades continuam a impressionar. O facto de cada uma conquistar o seu espaço individual dentro de um grupo, é um atestado ao foco com que o estúdio abordou a sua implementação. Especialmente porque adoramos a excentricidade das suas personalidades e o aspecto caricato de muitos, repleto de referências a grandes nomes e figuras do metal ou rock'n'roll,

Afinar e harmonizar a melodia

Nesta sequela, Johnny com a sua atitude cool e ar misterioso, Jack-O Valentine, completamente louca e inconsequente, Jam Kuradoberi, simplesmente tonta e mortal, Kum Haehyun, bizarra pois é na verdade uma pequena mulher dentro do corpo de um humanóide, e Raven, misterioso e que podemos desbloquear com dinheiro in-game, são as novas faces deste Revelator. Além do seu papel importante na história e na confirmação que todos os personagem têm que ser loucos e excêntricos, permitem diferentes formas de jogar e cada um eles consegue ser tão único quanto o outro. Guilty Gear Xrd Revelator consegue, tal como os jogos BlazBlue, apresentar um leque altamente diversificado, estranho, mas sólido de personagens. Seja qual for o personagem com quem querem jogar, o melhor será mesmo começar pelo modo Episode e descobrir mais deste universo.

Se querem descobrir o que acontece logo após o final de SIGN, onde anda Sol Badguy, o que aconteceu com Elphelt, como é a vida de Johnny como chefe dos Piratas dos Céus e a sua relação com a realeza, o misterioso papel de Kum Haehyun no meio de eventos que podem ditar o final do mundo, ou confirmar que não é por coincidência que Jack-O Valentine partilha o último nome com Elphelt ou Ramlethal, então é imperativo que comecem por aqui. Ajuda imenso a dar personalidade aos personagens, a criarem uma ligação com este mundo futurista e talvez mais importante, é um modo arcade tradicional, com sequência de introdução e final por personagem, que nos prepara para o modo Story. Tal como em SIGN, o modo Story de Revelator é o seu grande falhanço, uma oportunidade perdida para ser algo verdadeiramente espectacular. Sendo uma espécie de anime, ou novela visual se preferirem, este modo poderia assumir toda uma outra escala se pelo meio o jogador combatesse. Dinamizava o modo e tornava-o na sua principal faceta. Assim será mais uma curiosidade.

Se não quiser sentar-se e pousar o comando para ver o modo Story, o jogador pode investir o seu tempo para melhorar o seu conhecimento da arte de dominar Guilty Gear. Seja nos modos M.O.M., Tutorial, Combo, Mission ou training, o jogador recebe todo o tipo de modos para escolher onde se quer concentrar, dependendo do seu nível. Sejam jogadores experientes que querem dominar as novas personagens ou colmatar falhas, quer sejam novatos à procura de desbravar as mecânicas a respeitar, os modos Combo e Mission são verdadeiramente sensacionais. Ajudam qualquer um a aprender a jogar com qualquer personagem e são um exemplo para qualquer estúdio que queira desenvolver jogos neste género.

Para muito jogadores, Guilty Gear pode tornar-se num pesadelo, especialmente com tanta notificação ou terminologia a surgir no ecrã, mas Revelator torna a aprendizagem possível e mais ainda, muito fácil. Se têm acompanhado os jogos da Arc, sabem que se tem tornado crescentemente excelentes neste requisito, Revelator dá continuidade a essa boa prática. Com timings específicos para combos, com um leque tão distinto e diversificado de personagens, é fulcral que aprendam a jogar melhor e se quiserem investir o tempo, são dadas as ferramentas para aperfeiçoarem o vosso jogo. Existem movimentos que podem ditar a diferença entre vencer ou perde, que nos facultam a capacidade de resolver certas situações mais adversas, é preciso aprender quais são esses movimentos e como os utilizar. Adicionalmente, precisamos saber quais os golpes ou sequências que permitem iniciar combos com maior facilidade, quais os riscos envolvidos no uso de cada personagem, e Revelator é excelente na sua vontade de ensinar.

Tocar um concerto em pleno

Na sua procura por um estado mais refinado e focado, Revelator não deixa de utilizar a base de SIGN e temos na sua grande maioria as mesmas forças e fraquezas. Revelator é um jogo que volta mais uma vez a aliciar novatos e veteranos, dando ferramentas e modos capazes de satisfazer as necessidades e desejos de qualquer tipo de jogador. SIGN revelou a sua robustez pela combinação dos visuais, a fluidez e qualidade do seu sistema de combate, diversos modos de jogo e banda sonora energética, Revelator reforça esses mesmos valores e utiliza estes novos personagens como combustível para um enredo criado apenas para patrocinar mais combates. Guilty Gear é ousado, irreverente, altamente veloz mas ainda assim enverga alta profundidade ao ponto de ser tornar exigente. Podem desde o primeiro instante tirar proveito do jogo e de forma casual desfrutar destes personagens, no entanto, se quiserem melhorar a prestação, vão descobrir que existem diversas mecânicas ao dispor.

Não é à toa que Guilty Gear Xrd é um dos melhores fighting games desta geração e sem quaisquer dúvidas um dos mais extensos e profundos. É um daqueles trabalhos de delicado equilíbrio apenas ao alcance de quem é mesmo apaixonado pela coisa. Existem personagens com quem é mais fácil jogar, existem personagens mais técnicas e existem personagens mais velozes, existe de tudo um pouco e o jogador terá que decidir qual a sua favorita. Com um gameplay altamente veloz e intenso, é preciso tempo e dedicação para aperfeiçoar as mecânicas de contra-ataque, que nos permitem controlar as zonas, como explorar os momentos em que podemos deixar o adversário à nossa mercê, o risco dos inacreditáveis ultra que derrubam um adversário com um só movimento. Existe muito para aprender e Revelator torna tudo ainda mais coeso.

Neste fighting game 2.5D cuja pouca popularidade é um crime perante a sua qualidade, temos uns visuais fantásticos que mais parecem um anime em movimento. Sem perdas de fluidez, sem soluços, ou algo que se pareça, consegue nas primeiras horas deixar-nos com a cabeça à roda. A combinação de cenários e personagens em 3D com movimento 2D, em lutas cujos movimentos são cheios de estilo, fazem com que Guilty Gear seja um autêntico tornado devastador que vai exigir muito de nós se a isso estivermos disposto. Não se esqueçam de ter em conta a brilhante banda sonora, composta também por Ishiwatari, e temos novamente uma receita para o sucesso. O único senão poderá ser mesmo a sensação que SIGN foi lançado há pouco tempo.

Os detalhes fazem a diferença

Onde a Arc System mostra a sua postura de continuada procura por melhorias é em todo o sistema online. Sendo um título de nichos num género cujo pico de renovada popularidade já dissipou, poderá ser difícil encontrar partidas online mas todo o sistema é muito interessante. Ao escolher o modo online, o jogador entra num lobby 3D, como seu pequeno avatar, onde pode passear, pescar itens para personalizar o seu perfil, e interagir com outros jogadores. Quando entrar numa partida, encontrará um título altamente competente e sólido. Valores outrora básicos mas que infelizmente se tornaram incertos nos dias de hoje.

Revelator é uma autêntica besta, em toda a conotação positiva desse termo. É a Arc System Works no seu melhor e uma expressão pura do electrizante espírito criativo de Daisuke Ishiwatari. Os diferentes modos de jogo não são suficientemente diferentes de SIGN para patrocinar uma experiência radicalmente superior mas a atenção aos detalhes, o desejo de oferecer conteúdo, substância capaz de alimentar por diversos meses a fio os fãs é de louvar. Se a fórmula já era coesa e robusta, a Arc System merece o nosso reconhecimento por procurar ainda mais qualidade e se modos como Story voltam a falhar, outros modos como Mission e Combo são perfeitos exemplos de tudo o que nos fez apaixonar pela série nesta nova geração.

Inicialmente, podem acreditar que é demasiado para encaixar, especialmente quando outras séries estão tão focadas em simplificar os seus sistemas e modos de jogo para se aproximarem de um público maior. Guilty Gear Xrd -Revelator- exibe todo o brilhantismo da sua competência quando mostra que é capaz de servir todo o tipo de jogadores. Depois de ultrapassado o embate inicial, rapidamente se torna divertido e quanto mais jogam mais tempo querem passar neste irreverente mundo de pesados riffs, incríveis melodias e loucos personagens com capacidade para vos marcar.

Guilty Gear Xrd -Revelator- é mais um atestado a todo o brilhantismo da equipa liderada por Daisuke Ishiwatari. Enquanto séries mais populares vão tropeçando, Guilty Gear revela a solidez com que a Arc System Works aprimora os seus lançamentos. Apesar de SIGN ter sido lançado há cerca de um ano, existem aqui novidades e melhorias capazes de justificarem uma nova compra tão pouco tempo depois. Os novos personagens são fantásticos, o jogo ensina um novato a tornar-se num campeão, se dedicar o tempo necessário, e existe aqui uma abordagem a diferentes modos que se torna refrescante e até inovadora. Tudo parece ter sido pensado ao ínfimo detalhe, sem a momento algum perder o ADN da série. Pelo contrário, Revelator pegou numa versão melhor do seu amplificador, comprou uma nova bateria, afinou a guitarra e toca agora com uma imponência singular no género.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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