Fraco em conteúdos, sem modos de real valor e com uma qualidade técnica fraca.

Resident Evil: Umbrella Corps. veio-me mostrar que no que toca a Resident Evil, sempre fui uma espécie de "topa a tudo". Jamais me queixei das mudanças na série, os títulos derivados e até agradecia que fossem experimentando com a fórmula e diversificando. Adorei esse controverso clássico que é Resident Evil 4, vibrei com Resident Evil 5 e até na Nintendo 3DS passei alguns bons momentos com Mercenaries 3DS. Isto para verem que no que diz respeito a esta série, nem sou muito exigente. No entanto, Resident Evil 6 fez-me deitar o comando ao chão, maneira de falar, e perder o gosto pela direcção que a Capcom estava a dar à série. Mesmo que Revelations tivesse colmatado um pouco a frustração, a companhia Japonesa não está de forma alguma em posição para falhar no uso da série Resident Evil.

Perante isto, não podemos também de forma alguma deixar de falar em Street Fighter V, um outro jogo desenvolvido pela Capcom para PlayStation 4 e PC, tal como este Umbrella Corps., que ficou marcado por um lançamento pobre em conteúdos, modo online instável e ausência de modos de jogo de real valor. Ao olhar para este novo Umbrella Corps, seria impensável acreditar que a companhia poderia de forma alguma cometer os mesmos erros mas a verdade é que cometeu. Quando seria de esperar que a companhia tivesse em nível de alerta máxima quanto aos seus padrões de qualidade, a Capcom parece que está alheia a tudo o que se passa à sua volta.

Umbrella Corps é um jogo que descaradamente esquece a vertente a solo, existe mas é apenas uma pobre desculpa de modo de jogo, apostando totalmente na vertente multijogador. Assim sendo, seria de esperar um foco fortíssimo capaz de assegurar uma qualidade mínima para que o jogo sobreviva a longo prazo. Não acontece. Umbrella Corps pega na vertente Mercenaries que acompanhou os mais recentes jogos Resident Evil, e moldou-a para um título pensado nos eSports. É um jogo de acção na terceira pessoa, com um gameplay arcade, mas que transpira a medíocre em todos os poros.

Antes de passar ao modo online, o prato principal, depois de cumprido o tutorial que nos explica os controlos relativamente simples, o jogador tem a possibilidade de entrar no modo Experimento. Este modo é o substituto de uma campanha, até porque nem todos os jogos precisam de uma, e explica ao jogador o contexto de Umbrella Corps. Após os mais recentes eventos na série Resident Evil, o jogador assume o papel de um mercenário que terá de percorrer os diferentes locais afectados na série principal, para recolher provas que possam comprometer a empresa Umbrella. Escusado será dizer que estes locais estão repletos de zombies.

Ao todo, o modo Experimento apresenta cerca de 20 missões que temos que cumprir no menor tempo possível. Até aqui tudo muito bem, é uma forma de testarmos as nossas capacidades, de melhorarmos o controlo sobre o jogo e até conhecer os mapas. No entanto, a Capcom decidiu que seria aceitável repetir no mesmo mapa várias vezes seguidas, pequenas variantes da mesma missão, o que faz com que o jogador fique com a plena sensação que está a jogar a mesma missão no mesmo mapa repetidamente, mesmo que já esteja numa outra. É uma péssima sensação de ter e que deita por terra as aspirações deste modo em tornar-se apelativo.

Recolher amostras, eliminar e sobreviver por tempo limitado ou até manter-se durante um período de tempo num local específico, poderiam ser tarefas que patrocinavam missões desafiantes, com bom ritmo que tiravam proveito de um gameplay arcade dinâmico e fluído. Poderia mas não é. Até ajudaria a esquecer a fraca qualidade visual (mais sobre isso à frente) mas a Capcom parece que nem se quis preocupar. Os controlos são intuitivos e o gameplay até diverte, deixando a ideia que se o que está à volta fosse melhorado, existiria espaço para brilhar, mas acontece que não consegue divertir sequer.

Após suportar a monotonia do modo Experimento, fomos então para o modo online e desde logo ficamos confusos com a presença de apenas duas opções. Ou jogamos uma partida de 3 vs. 3, em que seis jogadores divididos em duas equipas se vão enfrentar para ver quem permanece vivo, e uma partida na qual as duas equipas de 3 jogadores vão procurar cumprir objectivos em sucessão. É isto Umbrella Corps, meramente três modos de jogo e uma qualidade mediana que faz troça do nome Resident Evil.

A presença dos zombies ajuda a tornar a experiência diferente, até os podemos usar para se virarem contra os inimigos ou até podemos passar sorrateiramente por eles para não nos atacarem, tentando enganar os perseguidores, mas o design dos mapas alterna entre o confuso e simplista para impedir que o gameplay brilhe. Depois disto, o jogador recebe pontos de experiência baseado na sua prestação e poderá desbloquear itens ou armas para personalizar e equipar no seu personagem. Umbrella Corps permite imensas opções de personalização e está sempre pronto a relembrar que pertence ao universo Resident Evil mas a sua escassez de conteúdos e falta de qualidade nos que existem, estraga a experiência.

Claro que tudo isto depende da robustez dos servidores e depois de Street Fighter V, a Capcom não pode falhar. Felizmente, Umbrella Corps está muito melhor do que SFV no lançamento mas ainda assim sofre com alguns problemas. Talvez sejam os primeiros dias mas na verdade, o matchmaking está muito condicionado e além de ser difícil encontrar jogadores, passamos muito tempo a olhar para os menus à espera de encontrar salas. Se não surgir a mensagem de erro ao final do tempo de espera, já é bom. A isto temos ainda que acrescentar o pobre número de opções para procura de jogo, o que torna todo o sistema de match-making uns furos abaixo do que é esperado actualmente.

Um dos maiores problemas deste Umbrella Corps é mesmo a sua componente visual. Em momento algum dá a sensação de estarmos perante um título de nova geração. A qualidade das texturas nos cenários, a qualidade dos personagens e até alguns dos diversos efeitos visuais são de uma qualidade que não acreditamos pertencer a esta mais recente consola da Sony, onde o jogamos. No geral, o jogo tem um aspecto visual fraco que não impressiona e mesmo entrando em mapas que poderiam suscitar qualquer sensação nostálgica, não conseguimos de forma alguma compreender como a Capcom acreditou que Umbrella Corps é aceitável. Pelo menos neste estado actual.

Resumindo e concluindo: Resident Evil: Umbrella Corps é um jogo arcade focado unicamente na vertente multijogador online. A pobre desculpa para o modo a solo na forma de "Experimento" é quase um insulto e nem chega a divertir. A componente online é de tal forma fraca em conteúdos que rapidamente se esgota a vontade de jogar e mesmo que o gameplay até estivesse a conquistar gradualmente, nunca o conseguirá em pleno porque o design dos mapas e a qualidade técnica não conseguem cativar. Será preciso imenso trabalho, imensas actualizações e muitas novidades para que Umbrella Corps se possa tornar num produto respeitável. Até que isso aconteça, o melhor é ficar afastado.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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