Colocar escolhas morais nos videojogos está na moda, bem como a possibilidade de assistir a finais diferentes. Contudo, na maioria das vezes, o que existe é somente a ilusão de escolha. A maioria dos jogos com escolhas têm dois ou três finais alternativos que ignoram grande parte das decisões que vocês fizeram ao longo da história. Com Detroit: Become Human, o novo jogo da Quantic Dream, haverá uma mudança de paradigma no que toca a este tipo de jogos.

Com Heavy Rain as nossas escolhas e acções já tinham consequências reais, mas Detroit: Become Human promete aumentar o número de possibilidades. Se assistiram à conferência E3 2016 da Sony PlayStation, então devem ter visto o trailer que passou lá, que destacou as muitas possibilidades resultantes das nossas acções e falas. Na E3 tive a oportunidade de assistir a uma demo do que foi mostrado no trailer. Durante esta apresentação, David Cage, o director do jogo, revelou informações adicionais.

O estúdio francês descreve o seu primeiro jogo desenvolvido de raiz para a PlayStation 4 como um Thriller Neo-Noir. Como já devem ter adivinhado, decorre na cidade de Detroit. O jogo tem lugar num futuro próximo (daqui a 20 anos) e apenas mostra tecnologia que já existe hoje a ser testada em laboratórios. O contexto é uma sociedade em que os andróides substituíram os humanos em quase todos os sectores de trabalho, no entanto, alguns destes andróides começaram a exibir comportamentos estranhos, nomeadamente agressividade para com os humanos.

A Quantic Dream adiantou que teremos a oportunidade de jogar com várias personagens desta cidade, mas até ao momento apenas conhecemos duas: a primeira é Kara, que já tinha sido apresentada numa demo tecnológica deste estúdio, e a outra é Connor, o andróide que apareceu no novo trailer. Connor é o negociador enviado para lidar com um andróide que se tornou violento e ameaça atirar-se de um telhado juntamente com uma criança.

Para evidenciar as muitas possibilidades de Detroit: Become Human, a Quantic Dream repetiu a demonstração duas vezes. Da primeira vez, ignorou por completo todas as evidências que poderiam ajudar Connor a recolher informações acerca do andróide agressor. Da segunda vez, explorou melhor a área antes de avançar para a negociação com o andróide que está a exibir comportamentos violentos e está prestes a atirar-se de um telhado com uma menina.

À partida, a nossa probabilidade de sucesso, isto é, de salvar a vida da criança é de 50 porcento. A probabilidade diminuí à medida que perdem tempo, mas por outro lado, aumenta caso descobriam mais informações, como o nome do andróide violento e os motivos que o levaram a agir daquela forma. Supostamente, os andróides não deveriam ter emoções e o seu propósito é obedecer aos humanos, mas este dilema é propositado. Com Detroit a Quantum Dream quer explorar o significado de ser humano, e se andróides podem se tornar humanos, mesmo que não tenham sido criados com esse propósito.

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Androides a quererem ser humanos.

Na primeira tentativa Connor falhou por completo na sua missão de resgatar a menina. À medida que foi falando com o andróide, a sua probabilidade de sucesso diminuía com base nas respostas dadas. A segunda tentativa a negociação já foi mais interessante. Connor é um andróide e como tal consegue usar as suas capacidades analíticas para analisar rapidamente a área e descobrir informações úteis para usar na negociação, o que aumenta a sua probabilidade de sucesso. Através disto, desbloqueamos novas opções de diálogo, como choques emocionais que podem levar o andróide agressor a comportar-se da forma que queremos.

O que a Quantic Dream consegue executar com mestria é uma sensação de experiência cinematográfica, alternando rapidamente entre vários ângulos de câmaras para que cada cena tenha o maior impacto possível. Graficamente, o jogo impressiona pelas expressões faciais e credibilidade das personagens, o que é importante num jogo que coloca o desenvolvimento da narrativa acima de tudo o resto. Apesar de se trata de apenas de um segmento do jogo, rapidamente a audiência ficou interessada no drama e estava preocupada com o destino das personagens.

Do que vimos, Detroit: Become Human tem tudo para se tornar num jogo com grande impacto e numa adição valiosa para o catálogo da PlayStation 4. Acima de tudo, gostámos de ver que cada uma das decisões terão um impacto real no desenvolvimento da narrativa e resultarão em diversos finais diferentes. Ainda não vimos sequências de jogabilidade com outras personagens, nem sabemos de que forma as suas histórias estão relacionadas, mas a Quantic Dream já deu provas que consegue criar jogos com histórias complexas e intrigantes. Detroit promete ser um desses jogos.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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