Shenmue - Um jogo à frente do seu tempo

O Digital Foundry olha para o clássico da Dreamcast.

Foi em 1998 que Yu Suzuki apresentou Shenmue aos jogadores, um dos mais ambiciosos projectos jamais apresentados na indústria dos videojogos. Este clássico da Dreamcast continua como um dos jogos mais mágicos que tivemos a oportunidade de jogar e a sua tecnologia ainda hoje continua a impressionar.

Desenvolvido originalmente para a SEGA Saturn, como Project Berkley, o jogo viria a tornar-se em Shenmue, um dos mais aclamados e famosos títulos lançados na Dreamcast. Depois do impressionante Virtua Fighters 3, com os seus modelos repletos de detalhe e arenas 3D a 60fps, sem nada que se comparasse na altura, a SEGA AM2 já demonstrava o tipo de visuais que poderia alcançar e quando Shenmue foi finalmente lançado, a aventura em mundo aberto com gameplay ao estilo arcade, era impossível não ficar rendido.

Quanto mais era revelado, mais ficava aparente que a incrível escala de Shenmue parecia não lhe fazer nenhum bem. O jogo acabou dividido em diversas partes e depois de vários adiamentos repletos de intensa ansiedade, por mais fantástico que o jogo fosse, nunca estaria à altura do que foi prometido. Shenmue I acabou por ser apenas uma parte de uma experiência muito maior mas ainda assim, foi simplesmente deslumbrante.

Na altura, mesmo no PC, não havia nada que se pudesse comparar a elementos gráficos em Shenmue, como os modelos dos personagens e o detalhe de alguns dos principais ambientes. A animação e detalhe nos personagens transformava as cinemáticas acima de tudo o que havia sido feito na indústria. A desmesurada ambição pode ter sido o maior trunfo de Shenmue mas ao mesmo tempo pode ter sido o seu maior inimigo. A elevada atenção ao detalhe que combinava uma fantástica aventura com elementos mundanos, que nos forçavam a respeitar as horas do dia e até o clima que alterava o comportamento do mundo, foram incríveis mas podiam criar uma experiência cujo ritmo não agradava a todos.

Shenmue pedia ao jogador para entrar naquele mundo, para viver a vida de Ryo. O jogador tinha que escutar conversas dos NPCs, tinha que investigar e tinha que respeitar a vida virtual de Yokosuka. Shenmue opera a 30fps e sofre pequenas quedas em algumas das zonas mais movimentadas, um grande feito na Dreamcast, e já apresentava técnicas que na altura não eram tão garantidas como hoje. Motion blur e sombras de maior qualidade são apenas dois exemplos das técnicas que a Sega AM2 implementou. Algo que podia estragar a experiência são os ecrãs de carregamento, que podem quebrar imenso o ritmo de jogo.

O épico de Yu Suzuki continua um jogo fascinante e singular, com uma qualidade visual capaz de surpreender mesmo nos dias de hoje. Se o quiserem jogar, podem-no fazer de algumas formas diferentes. Podem comprar o jogo para a Dreamcast, se o encontrarem e tiverem uma consola, e podem até adquirir uma placa que vos permita ligar o jogo ao PC. Se quiserem, podem recorrer a emuladores como o NullDC e obter resultados visuais cuja qualidade é superior à do original na Dreamcast.

Existem alguns problemas com os emuladores mas se o quiserem jogar, vale a pena e será um teste ao clássico da Dreamcast. Claro que Shenmue teve direito a uma sequela e estaremos aqui em breve para falar de Shenmue II.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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