Hitman: Episódio 2 - Análise

A bela Itália e o Agente 47 clássico.

Recuperando o estilo dos originais, o novo Hitman apresenta locais abertos que são quebra-cabeças que dão imenso prazer solucionar.

O novo formato episódico de Hitman não foi recebido com muito agrado pela comunidade adepta ao Agente 47. A decisão do IO Interactive e da Square Enix em fragmentar a experiência, especialmente depois do sucesso mainstream de Hitman Absolution, não foi fácil de engolir e para uma grande fatia dos jogadores, o lançamento oficial só acontece mesmo em 2017. Quando a versão física será lançada. Para os que não resistem e querem o mais rápido possível regressar ao mundo de assassinatos em escala global, este formato revela os encantos do ADN da propriedade intelectual tão aclamada em outras gerações, mas também se torna mais susceptível a fragilidades.

Jogar a experiência toda de uma vez poderia ser uma enorme adrenalina que ficaria na mente dos jogadores, enquanto a divisão por episódios mensais poderá fragmentar o impacto e exerce ainda mais pressão sobre o estúdio. Se daqui a 4 meses jogarmos exactamente a mesma experiência que tivemos em Paris, mas com um cenário diferente, o jogador deixará de sentir novidade. Basicamente, a forma como avaliamos e encaramos o novo Hitman acaba por ser influenciada pelo formato escolhido para ser apresentado mas isso só se notará daqui a uns meses. O que vale por enquanto é que o IO Interactive revela saber bem o que quer: a experiência Hitman clássica, na qual introduz o jogador num pequeno mundo aberto com um propósito, descobrir o seu caminho até aos objectivos.

A missão em Cuba no Prólogo e a primeira missão em Paris estabeleceram bem o ritmo da experiência, níveis de boa escala totalmente abertos cuja exploração na vertical e horizontal são quase autênticos quebra-cabeças que o jogador terá que solucionar sem comprometer os seus disfarces, sempre tentando ir onde anteriormente não conseguia e consequentemente ficando mais perto dos alvos. No entanto, a missão em Sapienza, Itália, consegue manter o tom em alta pois apesar de trocar o imenso aglomerado de pessoas do desfile parisiense por uma pequena aldeia na costa Italiana, os visuais e as diferentes rotas presentes no mapa tornam a exploração e as possibilidades mais entusiasmantes.

"Talvez seja do local mas o segundo episódio foi ainda mais divertido."

Talvez seja do cenário e das cores vivas e brilhantes de Sapienza, talvez seja da maior familiaridade com o que o IO Interactive nos pede ou de sentir menos medo em experimentar diversas abordagens e arriscar, mas diverti-me mais em Itália do que em França. A dada altura até senti ali um pequeno gosto pelo mundo da espionagem que só senti quando era criança a ver emocionantes filmes como Missão: Impossível com Tom Cruise em 1996 ou o Santo com Val Kilmer em 1997, talvez seja da minha cabeça mas senti como seria a vida de um espião que analisa o local com capacidades sensoriais altamente treinadas e sempre atento ao que o rodeia.

Tal como nos jogos clássicos da série Hitman, o que nos é pedido é para eliminar vários alvos dentro de um enorme espaço aberto sem quaisquer obrigatoriedades de como chegar até eles ou de como os assassinar. Existem imensas possibilidades que podemos descobrir e explorar mas podemos seguir simplesmente sem quaisquer direcções. Em Sapienza, o jogador tem toda uma grande zona ao redor de uma enorme mansão para explorar, na vertical e horizontal, onde terá que descobrir pistas e situações nas quais é forçado a interagir com os cenários e NPCs para encontrar forma de entrar na mansão.

Uma vez encontrado o acesso, terá que entrar sem ser visto pelos guardas ou empregados mais desconfiados e explorar as inúmeras tarefas opcionais que aprofundam o local e o alvo. É mesmo incrível a atenção ao detalhe que o IO empregou ao mundo e ao background destas personagens virtuais, procurando criar uma personalidade para cada um. Existem muitas alternativas mas assim que descoberto uma, provavelmente é nessa que nos iremos focar, depois começa o processo passo-a-passo. Aqui o jogador entrará numa série de tentativas e erros (ainda bem que podemos gravar sempre que queremos) onde são experimentados comportamentos, caminhos, opções, métodos, e até armas ou espaços. A sensação de que é fácil ou básico assim que abatido o alvo poderá surgir, mas quando pensamos no desafio que nos é colocado quando ainda estamos a explorar para descobrir como actuar, é impossível deixar de admirar este Hitman.

Todo este mundo é um autêntico e enorme quebra-cabeças que iremos meticulosamente inspeccionar para conseguir chegar ao alvo ou então para o trazer até nós. Existem diversas armas ou itens que podemos utilizar mas tudo tem uma possível consequência, sendo fácil o staff reparar em algo anormal ou numa figura desconhecida. Será preciso astúcia e alguma prudência na forma de actuar em certos locais pois basta um pequeno erro e a missão fica comprometida. Hora de recuperar o save e tentar de novo. Poderá tornar demasiado fácil a experiência mas prefiro acreditar que evita frustrações.

"O convite à exploração para conhecer os locais e as inúmeras possibilidades de abordagem fazem de Hitman um jogo singular."

Se jogarem unicamente focados nos alvos, com medo de arriscar e experimentar, sem explorar ou investigar todas as possíveis pistas e os pontos dos cenários que são destacados com a visão especial do Agente 47, a experiência torna-se pálida e fraca. Se vestirem a pele do Agente 47 e se aceitarem os desafios do IO e a noção que uma incursão pelo nível é apenas uma de muitas, experimentando algo diferente em cada uma para compreender em pleno o esforço do estúdio, ficarão com uma melhor sensação deste Hitman e o consequente prazer ou gosto que sentem com cada episódio será incrível.

Para terminar o segundo episódio, precisei apenas de uma hora e trinta minutos, é muito pouco quando se pensa que só daqui a um mês teremos mais, mas é precisamente isso que se deve evitar em Hitman. Diria que 98% do tempo que passei foi a explorar e a tentar chegar novamente aos alvos sem ser visto ou comprometido, esse tempo foi utilizado a explorar, a conhecer o cenários e a descobrir os comportamentos e rotas dos NPCs. É quase impossível sermos directos pois existe sempre algo que nos prende a atenção e se forem curiosos como eu, vão querer descobrir o que faz aquele item, para que serve aquela oportunidade e quais as surpresas loucas que o IO espalhou em cada episódio de Hitman.

Depois da primeira sessão, senti que a podia ter terminado sem explorar 50% do mapa e que menos de metade das oportunidades foram exploradas. Muitas delas não têm consequências significativas mas o desafio de as completar o que é preciso fazer para tal, é o verdadeiro encanto. A partir daqui, o jogador fica com mais missões, mais alvos, mais desafios, mais tarefas que lhe são apresentados e lhe mostram que Sapienza tem muito mais para dar. Alvos focados em outros pontos da vila, talvez de maior dificuldade já que dependerá da paciência e astúcia de cada um, e até o mero convite a completar a missão com um fato ou de uma forma específica podem tornar a missão diferente o suficiente para nos continuar a interessar.

Tal como em Paris, o prazer está na exploração e reconhecimento do local, para memorizarmos os cantos e as posições dos NPCs, para descobrir qual o disfarce que nos poderá levar onde queremos e como o obter sem sermos comprometidos, os itens a utilizar, os comportamentos a respeitar, e até a forma como queremos respeitar a personalidade criada para o cenário. Se quiserem explorar ao máximo este novo local, vão passar bastante tempo aqui. É melhor lado de uma experiência episódica. Num jogo completo, o jogador passaria de imediato para o próximo local e poderia sentir que o local não foi bem aproveitado ou que foi rápido. Desta forma, sente que uma sessão é apenas o início e parte de várias que vão glorificar e dar vida a cada alvo, ou missão.

O segundo Episódio de Hitman foi ainda mais divertido que o primeiro, que já revelou bem as capacidades da inteligência artificial e o contexto de exploração, tentativa e erro, diferentes abordagens. A passagem do Agente 47 por Itália é divertida e com os desafios da comunidade, do IO e as missões opcionais, vamos explorar esta pacata vila e sentir que Hitman é tão singular agora quanto o foi quando o conhecemos originalmente. Podem não gostar do formato episódico ou até criticar alguns elementos gráficos menos bem conseguidos, mas que este jogo está com uma grande personalidade e que é singular, isso não podem negar.

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Sobre o Autor

Bruno Galvão

Bruno Galvão

Redator

O Bruno tem um gosto requintado. Para ele os videojogos são mais que um entretenimento e gosta de discutir sobre formas e arte. Para além disso consome tudo que seja Japonês, principalmente JRPG. Nós só agradecemos.

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