Driveclub Bikes - Análise

Se não gostam de motas, vão passar a gostar.

Um ano depois de um lançamento conturbado, Driveclub conseguiu dar a volta. Inicialmente manchado pelos seus problemas nos servidores, algo só veio a ser corrigido meses depois, a Evolution Studios trabalhou arduamente para melhorar e afinar o jogo através de sucessivas atualizações que vieram melhorar a experiência. Se há jogo que merece uma segunda oportunidade, este é sem dúvida um deles, ese precisam de mais uma prova do talento existente neste estúdio britânico, ponham os olhos na mais recente expansão para o jogo.

A expansão, Driveclub Bikes, é uma das maiores surpresas desta recta final de 2015. Foi um anúncio vindo do nada, ninguém esperava que a Evolution Studios apostasse numa expansão de motas para Driveclub. Aumentando ainda mais o efeito surpresa, a expansão é muito agradável. Ultimamente, os jogos de motas têm recebido pouca atenção no mundo dos videojogos. Além dos jogos oficiais de MotoGP desenvolvidos pela Milestone, pouco mais diversidade há para os fãs de velocidade a duas rodas.

Deste modo, a expansão de motas para Driveclub vêm colmatar uma falha no mercado. É uma mistura entre o arcade e a simulação, sendo acessível para os pouco experientes enquanto oferece profundidade para quem a procura. A jogabilidade é completamente diferente de conduzir um carro, um ponto que acho importante destacar, pois afinal, Driveclub é originalmente um jogo de carros. Apesar disto, a física e comportamento das motas está altamente fiel face à realidade, e acima de tudo, dá um enorme gozo acelerar nas rectas e negociar as curvas.

"Driveclub Bikes é uma das maiores surpresas desta recta final de 2015"

Sempre fui mais um homem de carros do que de motas, mas esta expansão está tão bem conseguida que o bichinho da apreciação de motas está a crescer dentro de mim. A adição das motas é valiosa, mesmo para quem jogou Driveclub anteriormente. A experiência de conduzir uma mota é completamente diferente. Embora tenha terminado todos os eventos do modo Tour original de Driveclub, de pouco ou nada me serviu para a expansão de motas. É preciso aprender a jogar de novo.

Conduzir uma mota requer mais antecipação e um pouco mais de cautela no acelerador. Diferente dos carros, as motas não viram apenas com as rodas, a inclinação do corpo do piloto também ajuda. Mas inclinar o corpo de um lado para outro torna o processo de virar menos imediato do que nos carros, onde de grosso modo, basta virar o volante. Em Driveclub Bikes esta particularidade de virar em cima de uma mota é bastante perceptível, principalmente em estradas com curvas e contra-curvas. Quando ainda estamos na primeira curva, é preciso antecipar a curva seguinte e começar a inclinar a mota para o lado oposto antes da saída.

Há mais particularidades na condução de uma mota que Driveclub Bikes capta bem. Desde o pequeno "cavalinho" no arranque nas motas mais potentes (devido ao torque) ao derrapar da roda traseira quando temos velocidade em excesso numa curva ou aceleramos cedo de mais. Há que levar ainda em conta que é possível cair a baixo da mota, caso abusem demasiado nas curvas ou se espetem contra as proteções laterais ou outros obstáculos. Quanto mais jogarem e se habituarem, melhores serão as vossas prestações. Como já disse, a jogabilidade não é simulação pura e dura, longe disso, mas é requerida alguma habituação.

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Há várias opções de visão, mas preferimos a câmera na terceira pessoa. Na visão de primeira pessoa é difícil ter noção da pista, principalmente nas curvas.

Em termos de conteúdos, Driveclub Bikes não difere daquilo que já encontramos no jogo original. Existe um modo Tour com vários eventos e um modo multijogador onde podem competir com estranhos ou conhecidos. No total, o modo Tour conta com 42 eventos, cada um com vários objetivos para completar. Enquanto que com os carros tínhamos eventos de drifting, no caso das motas esses eventos foram substituídos por exibições de éguas e cavalinhos. De resto, nos outros eventos terão que completar voltas num tempo definido pelo jogo e competir contra pilotos da IA. Quanto maior for o vosso progresso, mais motas vão desbloquear.

Não há novas pistas. As 78 pistas originais, em localizações como o Japão, Canadá, Chile, Noruega, Escócia e Índia, são as pistas recorrentes para os eventos de Driveclub Bikes. Antes de jogar há quem possa interpretar isto como um ponto negativo, mas não é. Obviamente que novas pistas seriam bem-vindas, mas conduzir uma mota é tão diferente de conduzir um carro que basicamente terão que redescobrir cada pista. Continuando, as pistas originais são espetaculares e muitas vezes abençoadas com cenários estonteantes, pelo que não nos importamos de passear por elas mais do que uma vez.

Em adição a tudo o que já foi referido, esta expansão, que pode ser adquirida isoladamente (ou seja, não precisam de ter Driveclub), prima por todas as qualidades que o jogo original tinha. Conduzir à chuva é soberbo, não só porque torna dominar a mota mais desafiante, mas porque ajuda a fazer sobressair os excelentes gráficos. O ciclo dinâmico do dia também regressa nesta expansão. Podem começar a conduzir ao final da tarde e passado um bocado estar de noite. Por último, há um modo muito completo de personalização, no qual podem criar pinturas e escolher o equipamento para o vosso piloto.

Se gostam de velocidade, particularmente sobre duas rodas, Driveclub Bikes é uma aposta segura. É o melhor jogo de motas (ou expansão se preferirem) que já jogamos nos últimos tempos. A Evolution Studios fez um excelente trabalho na física e jogabilidade, e ao mesmo tempo, trouxe todos os pontos positivos de Driveclub para o mundo das motas. A qualidade é mais do que suficiente, e ainda por cima, o preço é muito convidativo.

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Sobre o Autor

Jorge Loureiro

Jorge Loureiro

Editor

É o editor do Eurogamer Portugal e supervisiona todos os conteúdos publicados diariamente, mas faz um pouco de tudo, desde notícias, análises a vídeos para o nosso canal do Youtube. Gosta de experimentar todo o tipo de jogos, mas prefere acção, mundos abertos e jogos online com longa longevidade.

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