FIFA 16 - Análise

Jogar ao mais alto nível.

Há mais de meia dezena de anos a aperfeiçoar num patamar de sucesso o seu jogo de futebol e sinónimo de um desempenho fenomenal no mercado, a série FIFA é tratada pela EA Sports com o desafio que uma série anual requer. Depois de atingido o sucesso e compulsadas as licenças, clubes e campeonatos dominantes na Europa e por todo o mundo, dando o "carimbo" do futebol como um dado adquirido, o centro do desenvolvimento é, mais uma vez, a jogabilidade e os sonantes modos de jogo.

Isto conduz a que muitos dos fãs do jogo e compradores regulares questionem as alterações e sobre se estas são suficientemente significativas para os levar a adquirir um jogo que na capa até parece relativamente similar ao anterior, salvo as actualizações dos plantéis e renovação dos modos de jogo. Não serve grande monta recuperar neste trajecto as edições da geração anterior. Embora preservando a identidade da série e o sistema de controlo dos passes e ataque à bola, a partir da nova fornada de plataformas e com um novo motor gráfico acentuou-se uma definição em torno do futebol espectacular, no relvado e à volta. FIFA 14 e FIFA 15 são jogos um pouco diferentes. As diferenças tornam-se mais perceptíveis assim que passámos mais tempo a jogar, mas fica a sensação de uma progressão ondulante. O ano passado a EA Sports entregou-nos uma experiência futebolística um pouco mais rápida, na qual os jogadores possantes, rápidos e tecnicamente superiores se destacavam com alguma facilidade face aos demais, criando com frequência situações embaraçosas para as defesas. Real Madrid, com Cristiano Ronaldo, rapidamente passou para as primeiras escolhas nos jogos online.

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Não é fácil encontrar o espaço necessário para fazer um remate nas melhores condições.

Este ano, a EA Sports retocou novamente a jogabilidade e introduziu um sistema passível de maior controlo, limitando os avanços dos jogadores possantes, apertando as defesas, numa concentração do futebol a meio campo, sem cair no erro do autocarro. É através de um futebol mais rendilhado, paciente e disputado a meio campo, usando sucessivas triangulações, que se criam os desequilíbrios. Pessoalmente, adaptei-me sem grandes problemas à fórmula e parece-me a melhor forjada pela EA Sports. Ela encerra um desafio diferente e poderá tornar a tarefa um pouco mais complicada para quem prefere jogar nos níveis de dificuldade mais exigentes, mas também se revela mais realista e próxima de uma partida verdadeira.

Mais equilibrado, com menos impurezas, apesar da persistência de situações embaraçosas como braços ou pernas que ainda atravessam o poste, movimentos algo incorrectos e animações por vezes instáveis (especialmente nas sequências do tipo transmissão televisiva), FIFA 16, ainda que pareça um jogo muito colado aos anteriores, introduz algumas melhorias que em conjunto contribuem para um incremento da qualidade das partidas.

"Podemos facilmente passar uma primeira parte inteira a tentar marcar golo"

O aspecto mais relevante, assim que pegamos no jogo e começamos por comandar uma equipa, é precisamente a colocação em campo do adversário. Mais organizado, com jogadores próximos e uma defesa mais sólida, com destaque para o factor entreajuda, o posicionamento dos defesas é essencial para travar as investidas dos avançados. As entradas sobre o jogador detentor da bola são um pouco mais agressivas, visando o desarme, e a pressão é mediata, anulando os espaços e criando um clima sufocante para quem comanda os jogadores adversários. No nível lendário e diante de uma equipa de renome, isto é bem perceptível. Haverá quem recue uns níveis, até ao profissional.

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O futebol feminino entra na experiência FIFA, apenas em forma de selecções.

Podemos facilmente passar uma primeira parte inteira a tentar marcar golo e mesmo quando trocamos a bola na defesa, os avançados adversários pressionam imediatamente, fechando os espaços, o que limita o espaço disponível e torna mais difícil a manutenção da posse de bola. Claro que com uma equipa mais capaz é possível equilibrar a contenda, mas até encontrarmos uma oportunidade para romper em direcção à baliza e desferir um tiro certeiro podem passar muitos minutos. E um remate puxado e colocado nunca é fácil, embora possa depender de variáveis como bola pelo ar, ressalto, etc.

Destaque para o bom trabalho dos guarda-redes, sempre muito atentos, junto aos portes e particularmente nas saídas, chegando quase sempre à bola e socando-a para longe. Nem todos apresentam os mesmos índices de qualidade, mas é bom ver mais segurança e solidez confiada a quem zela pelas redes. Uma novidade, perceptível a olho nu, é a introdução de uma espécie de assistente de opções sobre quem comanda a bola. Um círculo é desenhado automaticamente à volta do jogador seleccionado e abre-se uma sugestão ao nível do passe, remate, cruzamento, etc, em função do enquadramento do futebolista no campo.

Em termos estéticos não é bonito e até dificulta um pouco a observação da bola, mas parece-me uma implementação positiva, desde logo por nos lembrar muitas opções que por vezes tendemos a ignorar. Quem prefira um jogo menos maldoso não terá interesse em efectuar muitos cortes de carrinho, mas este assistente lembra-nos que pode ser uma opção valiosa. Percebe-se que seja uma indicação para quem só agora chega a FIFA e recomenda-se, para eles, a sua utilização. Diferentemente, um jogador veterano não colherá grandes benefícios em usá-lo.

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Verifica-se uma redefinição das condições atmosféricas e mais horários possíveis para as partidas.

"Sobre o novo passe com mais potência, trata-se de uma boa adição"

De resto, FIFA 16 continua fortíssimo ao nível dos passe, dribles, cruzamentos, fintas e por aí fora. Há um manancial enorme de oportunidades, muitas delas postas em prática através dos sempre apetecíveis mini jogos que precedem a disputa dos jogos e até onde podem disputar uma "leaderboard" com os vossos amigos. Mas a complexidade de muitos destes movimentos, especialmente as fintas mais vistosas, constituem uma pesada barreira para quem desfruta destes jogos sem chegar a esse patamar. Pôr tudo em prática não é tarefa simples. Destaque aqui para o drible sem bola, com o qual podemos aplicar fintas.

Sobre o novo passe com mais potência, trata-se de uma boa adição. Se observarmos o Rúben Neves do FC Porto, vemo-lo inúmeras vezes a endossar a bola para os colegas com mais velocidade e precisão, quase como um remate, precisamente para evitar que o passe seja cortado por um adversário. Este passe pode ser executado em movimento, o que torna a opção ainda mais fluida, por forma a injectar velocidade no jogo. Mas tal como na realidade, o receptor poderá ter dificuldades na recepção da bola. Se for tecnicamente evoluído poderá recolher bem a bola e prosseguir, caso contrário ocorrerá um ressalto e o adversário, bem próximo, poderá resgatar a bola. No entanto é uma boa implementação, um passe que dá gosto executar.

Por outro lado, a forma como os jogadores procuram a bola e atacam, através de um cruzamento para a área, é mais imprevisível, por força dos choques com outros jogadores. Alguns cabeceamentos são feitos quase em desequilíbrio: há jogadores que entram em queda mas ainda conseguem rematar mesmo quando carregados pelo adversário ou porque foram desarmados depois do atraso no remate. De um modo geral acentua-se a disputa pela posse de bola. Definitivamente, FIFA 16 ficará marcado como uma experiência que empresta mais combate a meio campo e uma luta enorme pela posse de bola (basta verificar os registos da posse no final do jogo). O equilíbrio mede-se na paciência necessária para fazer ruir a muralha defensiva adversária. Espaços mais curtos e fechados, mas a exigirem sempre uma boa circulação de bola e endosso, na medida do possível. Nesse sentido, o novo passe preciso veio ajudar.

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FIFA Ultimate Team permanece como o modo principal de jogo em FIFA 16.

Algumas decisões do árbitro carecem de ajustamento. A lei da vantagem é utilizada pouquíssimas vezes, optando por parar o jogo quando estávamos a carregar sobre o adversário, com superioridade numérica e num lance de contra-ataque. Por outro lado o anti-jogo pode tornar-se abusivo. Basta ver como jogadores adversários fazem toda uma lateral a correr, sabendo que o nosso jogador não está suficientemente próximo para uma intercepção e que uma entrada de carrinho culminará na exibição de um cartão, ficando estacados com a aproximação de um adversário, a proteger a bola com o corpo e sem efectuar qualquer cruzamento ou passe para outro jogador. São incidências do futebol e há que conviver com diferentes reacções do adversário em função do resultado, visando uma perda de tempo na hipótese de um resultado favorável.

Sobre a entrada do futebol feminino em FIFA 16, através de 12 selecções nacionais, não vem mudar a experiência de jogo. Perfila-se antes como uma opção estética, com novos rostos, no fundo a seguir uma importância acrescida do futebol feminino a nível internacional que a FIFA tem vindo a dinamizar e, no concreto, introduz uma mudança no ritmo de jogo, tornando-o um pouco mais lento embora com o mesmo sistema de jogo. Parece difícil que a EA Sports recolha aqui algum proveito excepcional da audiência feminina. As mulheres que jogam FIFA já o fazem e não é por existir uma dúzia de selecções femininas que passarão a jogar mais FIFA. Mas não deixa de ser uma inclusão positiva, com espaço para evoluir e tornar-se algo mais interessante que um simples torneio.

As edições recentes de FIFA sempre primaram pelos extensos modos de jogo, tanto a nível individual como na rede e dos quais emerge como mais importante e triunfal o modo Ultimate, que volta a ser em FIFA 16 a primeira opção do cartaz. Isso deve-se provavelmente à ausência de novos modos de jogo. Os produtores optaram por dar continuidade aos modos existentes, o que resulta num certo desapontamento, embora com melhorias e novidades respeitantes a muitos deles.

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O ambiente nos estádios é muito intenso, escutam-se inúmeros cânticos e são audíveis berros dos jogadores. Os comentários acompanham bem os principais lances da partida.

Começando pelo Ultimate Team, a novidade é a opção FUT Draft, que essencialmente corresponde a uma alternativa, oferecendo um começo potencialmente mais interessante. O jogador cria uma formação com base em cinco jogadores reconhecidos para cada posição do 11. Parâmetros como a química (um valor obtido que consiste no entrosamento entre os jogadores ligados pela proximidade das posições que ocupam) são determinantes para o ranking da formação. É uma opção interessante, que dá acesso imediato aos melhores atletas. O nível de dificuldade seleccionado dará uma recompensa maior ou menor, depois de participarem num torneio, disputado contra o computador ou em rede contra outros jogadores de carne e osso.

O problema é que para poderem continuar a desfrutar desta opção terão que gastar 15 mil moedas de ouro (nada fáceis de obter) ou então comprar esse montante. Enfim, não é a melhor opção para gerir tão boa alternativa, mais uma vez algo limitada pelo poder das micro transacções, mas se jogarem com frequência é aqui que vão gastar mais moedas.

O modo carreira é essencialmente o mesmo do ano passado, mas desta vez com alguns retoques. Desde logo, destaque para a possibilidade de desenvolver treinos da equipa ou de algum atleta entre os desafios oficiais, por forma a melhorar as componentes técnicas do jogador, aproveitando todo o seu potencial. Depois, temos a entrada em cena das competições de pré temporada, em diversos torneios e competições, cuja maior vantagem se cifra nas recompensas, saldo financeiro positivo e preparação da equipa para os embates a sério.

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FUT Draft dá acesso aos melhores jogadores no Ultimate Team. Uma interessante abordagem mas que requer o dispêndio de bastantes moedas de ouro.

No capítulo das licenças, clubes oficiais, estádios, cânticos, ambiente vivido nos estádios, FIFA permanece intocável e líder absoluto. É algo que nos habituamos e já damos por adquirido, mas em termos de estádios estamos a falar em mais de 50, dos quais mais de trinta são oficiais. As grandes ligas europeias estão todas presentes e até as divisões secundárias com os seus clubes. Martin Tyler e Alan Smith continuam como dupla de serviço em termos de relato e comentários, com um sincronismo perfeito aos diferentes momentos do jogo. Ainda ontem, enquanto jogava um Atlético de Madrid contra Benfica a dada altura apanhei uma "conversa" interessante quando Martin Tyler referiu ter visitado por três vezes "este mesmo estádio" - o Vicente Calderón - aquando a realização do mundial de futebol em Espanha '82, sucedendo a um concerto dos Rolling Stones que o próprio assistiu, para logo de seguida Alan Smith responder com a expressão "e aposto que estiveste na fila da frente", num momento em que a bola andava em disputa pelo meio campo.

"FIFA 16 é um grande jogo de futebol"

A produção dos jogadores, especialmente os mais talentosos e captados durante as transmissões televisivas, é enorme. Ainda assim parece-nos que é possível fazer um trabalho melhor, especialmente no campo das animações, corrigindo imprecisões e um resquício de movimentos robóticos que ainda persistem. Um novo motor gráfico daria aos produtores a ferramenta para trabalhar e apurar estes detalhes. Mas do ponto de vista do aspecto e produção dos apartados futebolísticos, FIFA 16 continua impecável e até ligeiramente melhorado face à edição do ano passado. A apresentação permanece como mais um ponto positivo, com informações actualizadas sobre o nosso clube (desde que pertença a uma das principais ligas europeias) como posição no campeonato, melhor marcador e encaminhamento para os próximos desafios.

FIFA 16 é um grande jogo de futebol, com uma jogabilidade melhor do que a edição anterior. Obviamente que haverá quem tenha preferência pelo ritmo mais rápido com que as partidas eram disputadas, enquanto que para outros, as linhas mais estreitas de FIFA 16 geram um desafio árduo e para o qual se requer paciência até abrir o cofre. A maior limitação em FIFA 16 é a ausência de novos modos de jogo, embora tenhamos sempre muitas soluções à nossa disposição e um vastíssimo e rico conteúdo em termos de clubes oficiais e campeonatos.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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