Don't Starve: Giant Edition - Análise

Só para durões.

A sobrevivência adquire limites mais apertados e é ao mesmo tempo uma luta contra o tempo, num modelo funcionável mas distante da perfeição.

Nos dias que correm parece existir alguma tranquilidade no particular género dos jogos de sobrevivência. Cenários apocalípticos, hordas de zombies e poucos utensílios e bens à disposição do protagonista, quase sempre uma figura isolada, permanecem algo distantes, como uma moda temporária. Apesar desta Giant Edition de Don't Starve, criada pelos canadianos da Klei Entertainment remontar a 2013, a versão para a Wii U, em tudo semelhante ao port da PlayStation Vita, deve o acrescento à inclusão do DLC "Reign of Giants", um novo mundo que os jogadores podem explorar e descarregar a partir da Nintendo eShop.

O desafio proposto por este estúdio canadiano, que tem nesta obra a sua produção mais emblemática até ao momento, passa pela sobrevivência da nossa personagem. Chama-se Wilson (era assim que se chamava a bola no filme O Naufrago, protagonizado por Tom Hanks) e é um cientista que num belo dia viu cair sobre si toda a maldade de um demónio, ao ser transportado para um mundo que não é o seu e que está pejado de criaturas terríveis, onde os poucos seres amigáveis se trancam em casa durante a noite e a comida não se obtém com um simples processo de cosedura e arte culinária.

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O estilo gráfico é interessante, com notórias ligações aos comics.

Desde a apresentação à definição do mundo numa perspectiva isométrica, imediatamente reconhecemos algumas influências, como o design próximo dos trabalhos de Tim Burton e a extensão de área típica dos clássicos de role play. Sem uma grande história a sustentar o jogo, o essencial repousa nas mecânicas de sobrevivência e progressão. As opções são grandes e de início dispomos dos imprescindíveis conhecimentos para gerar matérias que possibilitam a sobrevivência. Umas pedras e ramos de árvore são essenciais para uma fogueira. Uma corda permite a captura de um animal. Só que antes de lá chegarmos vamos morrer muitas vezes. À noite os inimigos estendem o seu manto e não encontram em Wilson a mínima resistência.

"O que distingue este jogo de outras propostas do mesmo género é a velocidade com que tudo acontece e uma extrema dependência de uma série de acções para sobreviver"

O resultado negativo e frustrante, nesta fase (o tempo é escasso para realizar as acções imprescindíveis), tende a dar uma cambalhota quando outros protagonistas entram em jogo, todos com habilidades especiais e cujos préstimos podemos obter sempre que recomeçamos uma nova partida (a experiência acumulada pela personagem anterior não é perdida). Eles proporcionam vantagens em certos momentos, como ficam vulneráveis perante outras situações. No fundo é uma luta contra o tempo, num cenário onde a exploração é constante e as combinações entre itens essenciais. Como se isso não bastasse, sempre que iniciamos um novo jogo com uma nova personagem ou não, o cenário apresenta uma disposição diferente, pelo que qualquer tentativa de memorização não surte grande efeito.

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Condições meteorológicas severas implicam novos e mais desafios.

O que distingue este jogo de outras propostas do mesmo género é a velocidade com que tudo acontece e uma extrema dependência de uma série de acções para sobreviver. Barra de saúde, resistência e imunidade à loucura, são alguns dos factores a ter permanentemente em conta. Morrer é uma constante, mas também pode ser irritante porque o jogo impõe esse desfecho, forçando o jogador a encontrar rapidamente a solução adequada para se manter vivo. No fundo, é uma luta contra o crono, da qual saem como vencedores os que se aguentarem por mais tempo. A luta contra os inimigos é vital, mas não esperem processos de ataque e combates muito desenvolvidos. Este é um jogo com uma proposta um pouco diferente para a esmagadora maioria dos jogos que se enquadram no capítulo da sobrevivência, e que provavelmente apelará a segmentos mais específicos. No caso desta versão para a Wii U, a somar ao jogo através do ecrã do Gamepad e mapa, há o bónus do Reign of Giants, com mais personagens, estações e criaturas.

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Sobre o Autor

Vítor Alexandre

Vítor Alexandre

Redator

Adepto de automóveis é assim por direito o nosso piloto de serviço. Mas o Vítor é outro que não falha um bom old school e é adepto ferrenho das novas produções criativas. Para além de que é corredor de Maratona. Mas não esquece os pastéis de Fão.

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